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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu206067
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2024
Cargo
Vest ( )
Para responder a questão, leia o poema “Congresso internacional do medo”, de Carlos Drummond de Andrade.   Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.   (Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo, 1998.)   Esse poema de Drummond exemplifica sua poesia de cunho
  1. Alírico-amoroso.
  2. Bmístico-religioso.
  3. Csatírico.
  4. Dnostálgico.
  5. Esocial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — social.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Poesia social de Drummond: o medo como sintoma do coletivo

Gabarito: letra E. O poema "Congresso internacional do medo" é um exemplo clássico da poesia social de Carlos Drummond de Andrade, pois o eu lírico não canta o amor individual, mas o medo coletivo que atravessa toda a sociedade — dos sertões aos mares, dos soldados às mães, dos ditadores aos democratas. A passagem que ancora essa leitura é a enumeração dos medos que atingem diferentes grupos sociais:

"o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, / o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, / cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas"

O que decide a questão é perceber que o medo aqui não é uma emoção individual, mas um fenômeno social e político: ele "esteriliza os abraços" e é chamado de "nosso pai e nosso companheiro", ou seja, algo que une e define a experiência de uma época. A alternativa E é a única que capta essa dimensão coletiva e crítica.

O comando: identificar o cunho da poesia

A questão pede que você reconheça a natureza temática do poema — não uma análise gramatical, nem uma paráfrase, mas a classificação do gênero/tendência a que ele pertence. Isso exige uma leitura global: captar o tema (o medo), a tese (o medo domina a sociedade) e o tom (crítico, engajado). Não basta entender as palavras; é preciso perceber o propósito do autor ao escrever.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O poema abre com uma negação: "Provisoriamente não cantaremos o amor". Isso já indica uma escolha temática — o amor foi deixado de lado porque "se refugiou mais abaixo dos subterrâneos". Em seu lugar, o eu lírico anuncia o canto do medo, que é descrito como algo que "esteriliza os abraços" e que é "nosso pai e nosso companheiro". A partir daí, há uma enumeração dos medos que afetam diferentes esferas: geográficas (sertões, mares, desertos), sociais (soldados, mães, igrejas) e políticas (ditadores, democratas). O poema termina com uma imagem forte: "depois morreremos de medo / e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas".

O movimento é claro: o medo é apresentado como uma força que domina o indivíduo e a coletividade, paralisando a vida (esteriliza os abraços) e até a morte (as flores são "medrosas"). Essa visão crítica do medo como produto de um contexto social e político — provavelmente o período da Segunda Guerra Mundial e do autoritarismo — é a marca da poesia social de Drummond.

A técnica: distinguir cunho social de outros cunhos

A armadilha central é confundir o tema aparente com o cunho real. O poema fala de medo, morte, ditadores — mas isso não o torna "místico" ou "nostálgico". O cunho social se caracteriza por:

  • Abordar questões coletivas (política, guerra, opressão) em vez de experiências individuais;

  • Crítica social implícita ou explícita;

  • Engajamento do eu lírico com o destino da comunidade.

No poema, o medo é coletivizado — não é o medo de um eu, mas o medo de "nós" ("nosso pai", "nossos túmulos"). Isso é típico da poesia social, que fala em nome do grupo.

Análise das alternativas

1Lírico-amoroso
Foco no amor individual
2Místico-religioso
Sem dimensão espiritual
3Satírico
Sem zombaria
4Nostálgico
Sem saudade do passado
5Social
Medo coletivo
Crítica ao contexto político
Fala em nome do grupo
Poesia de Drummond
LEVELsoulevel.com.br
Poesia de Drummond: Lírico-amoroso (Foco no amor individual); Místico-religioso (Sem dimensão espiritual); Satírico (Sem zombaria); Nostálgico (Sem saudade do passado); Social (Medo coletivo, Crítica ao contexto político, Fala em nome do grupo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: tangenciar o tema. O poema até menciona o amor no primeiro verso, mas apenas para negá-lo ("não cantaremos o amor"). O foco é o medo, não o amor. A alternativa extrapola um elemento periférico e o transforma em tema central, ignorando o restante do poema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradizer o texto. Não há elementos místicos ou religiosos no poema. A menção a "igrejas" aparece apenas como um dos lugares onde o medo habita ("o medo das igrejas"), não como uma dimensão espiritual. A alternativa inventa uma característica que o texto não sustenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: confundir crítica com sátira. O poema tem um tom crítico, mas não é satírico. A sátira ridiculariza algo ou alguém; aqui, o eu lírico denuncia o medo como condição coletiva, sem zombar de ninguém. A alternativa troca o conceito de crítica social por sátira.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: tangenciar o tema. A palavra "nostálgico" remete a saudade do passado. O poema não expressa saudade; ele fala do presente dominado pelo medo. A alternativa extrapola um sentimento que não está no texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única que capta a dimensão coletiva e crítica do poema. O medo é apresentado como um fenômeno que atinge toda a sociedade — "dos sertões, dos mares, dos desertos", "dos soldados, das mães, das igrejas", "dos ditadores, dos democratas". Essa abrangência social e a crítica implícita ao contexto político fazem do poema um exemplo de poesia social, característica marcante da obra de Drummond, especialmente em "Sentimento do mundo".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o cunho de um poema, pergunte: o eu lírico fala de uma experiência individual ou de uma condição coletiva? Se for coletiva e crítica, é social. Se for individual e sentimental, é lírico-amoroso. Se houver zombaria, é satírico.

Conclusão: A questão testa sua capacidade de ler o texto globalmente e reconhecer a intenção do autor. A alternativa E é a única que não extrapola, não contradiz e não tangencia o texto — ela sintetiza o que o poema realmente faz: cantar o medo como sintoma de uma sociedade.

Gabarito: letra E.

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