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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu206069
Banca
VUNESP
Órgão
FAMERP
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Cai a cinta a Vênus 1 bela,

Sem cautela recostada;

E turbada 2 entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.

 

O tesouro se procura,

Os desejos se interessam,

Os cuidados já se apressam,

E a ternura vai também.

 

Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;

Mas em vão: que perda triste!

Só eu vi, sei onde existe;

E dizê-lo não convém.

 

Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.

 

Roubador do puro ornato

Foi Antero e foi Cupido 3;

E o levaram escondido

Com recato, eu sei a quem.

 

Receosos pelo insulto,

Que traidores cometeram,

No teu seio se acolheram,

Onde oculto asilo têm.

 

Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.

 

Dos meus olhos não se escondem

Os meninos 4, a quem amo:

Se os procuro, espreito e chamo,

Correspondem, mas não vêm.

 

Com acenos expressivos

De alegria suspeitosa

Mostram faixa preciosa,

Que atrativos mil contêm.

 

Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.

 

Se piedade aflito rogo,

E que cessem teus rigores,

(Ah cruéis, lindos Amores!)

Fogem logo e com desdém.

 

Abrandá-los não consigo,

E já deles tenho medo:

Guarda, Ninfa, este segredo,

Que não digo a mais ninguém.

 

Cai a cinta a Vênus bela,

Sem cautela recostada;

E turbada entre os pesares

Pede aos mares que lha deem.

 

(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)

 

1Vênus; deusa do Amor.

2 turbada:aflita, transtornada.

3 Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.

4 meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.

Para responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga.     Depreende-se do poema que Antero e Cupido se esconderam
  1. Ano peito do eu lírico.
  2. Bno peito de Glaura.
  3. Cno peito de Vênus.
  4. Dnos mares.
  5. Enos olhos do eu lírico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — no peito de Glaura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência e coesão referencial: onde se esconderam Antero e Cupido?

Gabarito: letra B. Depreende-se do poema que Antero e Cupido se esconderam no peito de Glaura, como se lê na estrofe: “Receosos pelo insulto, / Que traidores cometeram, / No teu seio se acolheram, / Onde oculto asilo têm.” O pronome possessivo “teu” refere-se a Glaura, a quem o eu lírico se dirige diretamente ao longo do poema (ex.: “Empenhou-se, ó Glaura, o zelo”). As demais alternativas ou contradizem o texto ou extrapolam informações que ele não traz.

O comando pede uma inferência (“Depreende-se”), ou seja, a resposta não está literalmente escrita, mas é uma conclusão obrigatória a partir de pistas do próprio texto. Não se trata de “achar” ou “imaginar”: a pista é o pronome possessivo “teu”, que estabelece uma coesão referencial anafórica — retoma um termo já mencionado (Glaura). Para resolver, é preciso rastrear a quem o eu lírico se dirige: ele fala com Glaura (“ó Glaura”), e é a ela que pede segredo (“Guarda, Ninfa, este segredo”). Portanto, “teu seio” só pode ser o seio de Glaura.

A técnica central aqui é a coesão referencial: identificar o referente de pronomes e expressões. Quando o texto diz “No teu seio se acolheram”, o possessivo “teu” aponta para o interlocutor do eu lírico — Glaura. A banca explora justamente a confusão entre o eu lírico (que narra e vê tudo) e Glaura (a destinatária). O eu lírico sabe onde eles estão (“Só eu vi, sei onde existe”), mas o esconderijo é o seio de Glaura, não o do narrador.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma uma troca de referente: o eu lírico diz “Só eu vi, sei onde existe” e isso pode levar o candidato a pensar que o esconderijo é no próprio eu lírico. Mas o texto é claro: quem acolhe os meninos é Glaura (“No teu seio se acolheram”). O eu lírico apenas sabe onde está; não é o lugar do esconderijo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, grife os pronomes possessivos e demonstrativos e pergunte: “a quem/quê este pronome se refere?”. A resposta está sempre no texto, por meio da coesão referencial.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O eu lírico diz “Só eu vi, sei onde existe”, mas isso não significa que os meninos se esconderam no peito dele. O texto afirma que eles se acolheram “No teu seio”, referindo-se a Glaura. A alternativa confunde o saber (do eu lírico) com o lugar (o seio de Glaura).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A estrofe “Receosos pelo insulto, / Que traidores cometeram, / No teu seio se acolheram, / Onde oculto asilo têm” é a prova direta. O possessivo “teu” retoma Glaura, a destinatária do poema (o eu lírico a chama de “ó Glaura” e “Ninfa”). Portanto, Antero e Cupido se esconderam no peito de Glaura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Vênus é a deusa que perdeu a cinta (“Cai a cinta a Vênus bela”), e os meninos são os ladrões do ornato (“Roubador do puro ornato / Foi Antero e foi Cupido”). Não há qualquer indicação de que eles se esconderam no peito de Vênus; pelo contrário, eles fugiram com o objeto roubado e se refugiaram em outro lugar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O poema menciona que Vênus “Pede aos mares que lha deem”, mas isso é um pedido à natureza, não uma indicação de que os meninos se esconderam nos mares. O texto não traz nenhuma pista de que o esconderijo seja marinho; a alternativa inventa uma informação que não está no poema.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O eu lírico diz “Dos meus olhos não se escondem / Os meninos, a quem amo”, ou seja, eles não se escondem dos olhos dele. A alternativa inverte o sentido: o texto afirma que eles estão visíveis para o eu lírico, não escondidos em seus olhos.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois é a única ancorada no texto: o pronome “teu” remete a Glaura, e é no seio dela que os meninos se acolhem. As demais ou contradizem o texto (A, C, E) ou extrapolam (D).

Gabarito: letra B

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