Segundo os historiadores, quando Cristóvão Colombo saiu da Espanha com destino à Índia e chegou à América, enganou-se, chamando os filhos desta terra de índios. E o termo “índio” acabou sendo, com o tempo, adotado para designar todos os habitantes das Américas.
No Brasil, no entanto, no início do chamado “descobrimento”, os povos daqui eram chamados “negros” – por não serem brancos como os portugueses, franceses, holandeses e espanhóis que aqui transitavam e por lembrarem os africanos, já conhecidos daqueles povos. Eram os negros da terra, assim conhecidos nos primeiros séculos após a chegada dos portugueses, principalmente na região de São Paulo. Contudo, a nomeação variava de lugar para lugar. Na região baiana, onde eram escravizados ou aliciados para extrair o pau-brasil, ficaram conhecidos como “brasis” ou “brasilienses”. Ou seja, gente da terra do pau-brasil. Os nomes variavam também de acordo com o povo, a etnia.
(Kaká Werá Jecupé. A terra dos mil povos: história indígena do Brasil contada por um índio, 2020)
Para responder à questão, leia um trecho do livro A terra dos mil povos, do escritor e pensador indígena Kaká Werá Jecupé.
“No Brasil, no entanto, no início do chamado “descobrimento”, os povos daqui eram chamados “negros” – por não serem brancos como os portugueses, franceses, holandeses e espanhóis que aqui transitavam e por lembrarem os africanos, já conhecidos daqueles povos.” Considerando o contexto, a locução conjuntiva destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
Aalém disso.
Bcontudo.
Cpor conseguinte.
Dportanto.
Eem razão disso.
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GabaritoB — contudo.
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Substituição de locução conjuntiva: o valor adversativo de "no entanto"
Gabarito: letra B. A locução "no entanto" expressa oposição/adversidade — mesma ideia de "contudo". No trecho, ela introduz uma ressalva ao que foi dito antes: se no mundo Colombo chamou os nativos de "índios", no Brasil a nomeação foi outra. A substituição por "contudo" preserva exatamente esse sentido de contraste, como se lê no 2º parágrafo: "No Brasil, no entanto, no início do chamado 'descobrimento', os povos daqui eram chamados 'negros'".
O comando
A questão pede uma substituição sem prejuízo de sentido: você deve encontrar, entre as opções, o conectivo que tenha o mesmo valor semântico da locução destacada. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer a relação lógica que o conectivo estabelece entre as ideias. Aqui, a relação é de oposição — e só "contudo" cumpre esse papel.
O texto e a relação
O autor contrasta duas realidades: no parágrafo anterior, Colombo chamou os habitantes da América de "índios"; no Brasil, porém, os povos nativos receberam outro nome — "negros da terra". O conectivo "no entanto" marca exatamente essa quebra de expectativa: espera-se que o termo "índio" se espalhe, mas o texto mostra que, no Brasil, usou-se "negro". Essa é a função clássica das conjunções adversativas: opor ideias, fazer uma ressalva.
A técnica
Para resolver, pergunte: que relação o conectivo original estabelece? "No entanto" é adversativo (oposição). Agora teste cada alternativa:
A) além disso — aditiva (soma);
B) contudo — adversativa (oposição) ✅;
C) por conseguinte — conclusiva (consequência);
D) portanto — conclusiva;
E) em razão disso — causal/conclusiva.
A única que mantém o sentido é a B.
Conectivos: Adversativos (oposição) (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto); Aditivos (soma) (e, também, além disso); Conclusivos (consequência) (logo, portanto, por isso, assim, então, por conseguinte); Causais (porque, em razão disso)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Além disso" é aditiva: acrescenta uma informação, não opõe. No texto, a ideia não é somar um fato ao outro, mas contrastar a nomeação no Brasil com a de Colombo. Trocar por "além disso" quebraria a relação de oposição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Contudo" é sinônimo perfeito de "no entanto": ambas são locuções/conjunções adversativas. A substituição mantém a ideia de ressalva: "No Brasil, contudo, no início do chamado 'descobrimento'...". O sentido permanece idêntico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Por conseguinte" é conclusiva: indica consequência, resultado. O texto não diz que a nomeação no Brasil foi uma consequência do erro de Colombo; ela é uma informação contrastante. A troca inverteria a relação lógica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Portanto" também é conclusiva. Introduziria uma conclusão onde há uma oposição. O autor não conclui nada a partir do parágrafo anterior; ele apresenta um contraponto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Em razão disso" é causal/conclusiva: indica causa ou consequência. O texto não estabelece que a nomeação brasileira ocorreu por causa do erro de Colombo; ela é uma realidade paralela e contrastante. A troca criaria uma relação de causa inexistente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre conectivos conclusivos (portanto, por conseguinte, em razão disso) e o adversativo "no entanto". Todos parecem "ligar ideias", mas cada um instaura uma relação diferente. Identifique o valor semântico antes de substituir.
PEGA ESSA DICA!
Decore os grupos de conectivos: adversativos (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto), conclusivos (logo, portanto, por isso, assim, então), aditivos (e, além disso, também). Na dúvida, substitua mentalmente e veja se a frase continua com o mesmo sentido.