Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2024
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu206095
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2024
Cargo
1º AEM ( )
Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).
Lisandra bela, Ninfa sem brandura, Que te escondes de mim nas ondas frias: Que mal te fiz, que tantas tiranias Usas comigo, Ninfa Ingrata e dura?
Por ti não passo toda a noite escura Entre saudosos ais, entre agonias? Não passo nesta praia os longos dias A chamar por Lisandra com ternura?
Já rouca sinto a voz de te bradar De cima desta rocha cavernosa, Onde as salgadas ondas vêm quebrar.
Mas tu, mais dura que ela e rigorosa, De mim te escondes no profundo mar, Sem te mover de um triste a voz saudosa.
(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005)
No soneto, o eu lírico
Adesespera-se por Lisandra tê-lo abandonado em alto mar.
Blamenta a morte de Lisandra, engolida pelas ondas do mar.
Cacusa Lisandra de o ter enfeitiçado com sua voz traiçoeira.
Dlamenta ter magoado Lisandra, o que a levou a se exilar no mar.
Eacusa Lisandra de não se compadecer de seus sofrimentos.
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GabaritoE — acusa Lisandra de não se compadecer de seus sofrimentos.
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Compreensão global do soneto: a acusação de indiferença
Gabarito: letra E. O eu lírico acusa Lisandra de não se compadecer de seus sofrimentos — é o que o texto prova nos versos finais: "Sem te mover de um triste a voz saudosa". A alternativa E é a única que capta a tese central do poema: o sofrimento do eu lírico (que ele descreve em detalhe) e a causa desse sofrimento (a frieza/indiferença de Lisandra, que não se comove). As demais alternativas extrapolam ou contradizem o texto.
O comando
A questão pede que se identifique o que o eu lírico faz no soneto — ou seja, qual é a atitude central que ele expressa. Isso é uma questão de compreensão global: não se trata de localizar um detalhe, mas de captar a intenção predominante do eu lírico. Para resolver, é preciso ler o poema inteiro e perceber o movimento argumentativo: o eu lírico descreve seu sofrimento (quartetos) e, no terceto final, conclui com a acusação.
O texto: tema, tese e argumentos
O soneto é uma lamentação amorosa típica do Arcadismo. O eu lírico se dirige a Lisandra, a quem chama de "Ninfa sem brandura", "Ingrata e dura". Ele descreve seu sofrimento: passa noites em agonia, dias na praia chamando por ela, com a voz já rouca. No terceto final, ele faz a acusação central:
"Mas tu, mais dura que ela e rigorosa, / De mim te escondes no profundo mar, / Sem te mover de um triste a voz saudosa."
A expressão "sem te mover" significa "sem se comover", "sem se sensibilizar". O eu lírico não diz que Lisandra o abandonou, que morreu, que o enfeitiçou ou que ele a magoou — ele diz que ela não se compadece do sofrimento dele. Essa é a tese do poema: a indiferença de Lisandra diante do amor sofrido do eu lírico.
A técnica que decide
A questão é de compreensão global: a resposta correta é a que resume a atitude central do eu lírico, não um detalhe isolado. Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza isto? Se a alternativa descreve um fato que não está no texto (como abandono em alto mar, morte, feitiço, culpa do eu lírico), ela é extrapolação. A única que se sustenta é a que aponta a acusação de indiferença, porque o texto a diz explicitamente no último verso.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Desespera-se por Lisandra tê-lo abandonado em alto mar. O texto não diz que Lisandra o abandonou em alto mar. O eu lírico está na praia, sobre uma rocha, chamando por ela — não está perdido no mar. A alternativa extrapola: inventa um cenário (abandono em alto mar) que não existe no poema. O eu lírico sofre, mas o sofrimento é por não ser correspondido, não por ter sido abandonado fisicamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Lamenta a morte de Lisandra, engolida pelas ondas do mar. O texto não menciona morte. Lisandra está viva, escondendo-se no mar: "De mim te escondes no profundo mar". A alternativa contradiz o texto: transforma o esconder-se (ato voluntário) em morte (fato involuntário). Não há qualquer indício de morte no poema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acusa Lisandra de o ter enfeitiçado com sua voz traiçoeira. O texto não fala em feitiço nem em voz traiçoeira. O eu lírico menciona a própria voz rouca de tanto chamar, mas não atribui a Lisandra nenhum poder de encantamento. A alternativa extrapola: introduz um elemento mágico (feitiço) que não está no poema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Lamenta ter magoado Lisandra, o que a levou a se exilar no mar. O texto não diz que o eu lírico magoou Lisandra. Pelo contrário, ele se apresenta como vítima: sofre, chama por ela, tem a voz rouca. A alternativa inverte a relação: coloca a culpa no eu lírico, quando o texto a coloca em Lisandra ("Ingrata e dura"). É uma contradição com o teor do poema.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Acusa Lisandra de não se compadecer de seus sofrimentos. Esta é a tese central do soneto. O eu lírico descreve seu sofrimento (noites de agonia, dias na praia, voz rouca) e, no terceto final, acusa Lisandra de não se comover: "Sem te mover de um triste a voz saudosa". A expressão "sem te mover" significa "sem te comoveres", "sem te sensibilizares". A alternativa parafraseia com fidelidade o que o texto afirma: Lisandra é dura, rigorosa, e não se compadece do sofrimento do eu lírico.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão global, identifique a tese (a ideia central) e a causa que o autor aponta. Aqui, a tese é a indiferença de Lisandra; as alternativas erradas descrevem o sofrimento, mas erram a causa. Pergunte sempre: "o texto diz isso ou eu estou imaginando?"
Gabarito: letra E — a única que o texto sustenta integralmente, sem acrescentar nada de fora.