A expressão “conjugar o nós” e a integração com a natureza
Gabarito: letra C. A possibilidade de “conjugar o nós” indica a integração aos elementos da natureza, como se lê no trecho em que o autor afirma que a pedra e a água “nos implicam de maneira tão maravilhosa que nos permitem conjugar o nós: nós-rio, nós-montanhas, nós-terra”. A expressão é uma metáfora: assim como se conjuga um verbo em diferentes pessoas, o autor conjuga o “nós” com os elementos naturais, fundindo-se a eles. Nenhuma outra alternativa expressa essa fusão — todas ou restringem o sentido ou o invertem.
O comando da questão
O enunciado pede que você indique o que a expressão “conjugar o nós” significa no texto. Isso é uma questão de interpretação de sentido em contexto: você não deve buscar o significado literal de “conjugar” (flexionar um verbo), mas o sentido que a expressão ganha no texto, que é figurado. A banca quer que você perceba que “conjugar o nós” não é uma ação gramatical, mas uma experiência de comunhão com a natureza.
O texto e o movimento argumentativo
O texto de Ailton Krenak descreve a relação íntima entre o eu-lírico e o rio. Ele diz que o rio “canta”, que “falamos com nosso rio-música” e que o rio “nos dá comida e essa água maravilhosa, amplia nossas visões de mundo e confere sentido à nossa existência”. A passagem decisiva é:
“a pedra e a água nos implicam de maneira tão maravilhosa que nos permitem conjugar o nós: nós-rio, nós-montanhas, nós-terra”
Aqui, “conjugar o nós” significa unir-se, fundir-se aos elementos naturais. O autor não fala de posse, de apropriação ou de submissão; ele fala de integração. A sequência “nós-rio, nós-montanhas, nós-terra” mostra que o “nós” se expande para incluir a natureza, e não que a natureza seja dominada ou entregue a alguém.
A técnica: sentido figurado e metáfora
A expressão “conjugar o nós” é uma metáfora. No sentido literal, “conjugar” é flexionar um verbo (eu canto, tu cantas, ele canta...). No texto, o autor brinca com essa ideia: ele “conjuga” o pronome “nós” com elementos da natureza, criando formas como “nós-rio”. Isso indica uma fusão entre o ser humano e a natureza, uma identificação profunda.
Essa leitura é confirmada pelo trecho anterior:
“Nos sentimos tão profundamente imersos nesses seres que nos permitimos sair de nossos corpos, dessa mesmice da antropomorfia, e experimentar outras formas de existir.”
O autor fala em “sair de nossos corpos” e “experimentar outras formas de existir”, o que reforça a ideia de integração e não de dominação ou apropriação.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Entrega dos recursos naturais à sociedade.”
O texto não fala em “entrega” de recursos. O rio “nos dá comida e essa água maravilhosa”, mas isso é uma dádiva, não uma entrega deliberada à sociedade. A alternativa extrapola o texto, acrescentando uma ideia de distribuição que não está presente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Apropriação do que é oferecido pelos rios.”
A palavra “apropriação” sugere tomar posse, o que contraria o sentido de comunhão e integração. O texto fala em “conjugar o nós”, ou seja, unir-se ao rio, não apropriar-se dele. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa C — ✅ Correta
“Integração aos elementos da natureza.”
Esta é a única alternativa que expressa a fusão entre o ser humano e a natureza. O trecho “nós-rio, nós-montanhas, nós-terra” mostra que o autor se integra aos elementos naturais, formando um “nós” ampliado. A alternativa é uma paráfrase fiel do sentido do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Repartição coletiva dos bens naturais.”
O texto não fala em “repartição” ou “bens”. A ideia de distribuição coletiva é uma extrapolação — o autor não discute questões de partilha de recursos, mas de identidade e pertencimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Submissão da natureza à existência humana.”
Esta alternativa inverte completamente o sentido. O texto fala em integração, não em submissão. O autor não coloca a natureza a serviço do ser humano; ele se coloca junto com a natureza. A alternativa contradiz o texto.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de interpretar expressões em sentido figurado. A expressão “conjugar o nós” é uma metáfora que indica integração com a natureza, e não posse, apropriação ou submissão. Ao resolver questões assim, pergunte-se: o texto autoriza essa ideia, ou estou acrescentando algo de fora? A alternativa correta é sempre a que está inteiramente sustentada pelo texto.
Gabarito: letra C.