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Questão de Português — Orações Coordenadas — VUNESP 2024

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
vu206118
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2024
Cargo
2º AEM ( )

Duvido, logo existo

 

A frase do filósofo francês René Descartes que caiu no gosto popular, “Penso, logo existo”, não é a original. Está incompleta. Há um verbo invisível aí. Um verbo queganhou, hoje, quase quatro séculos depois, uma importância vital. Em tempos de inteligência artificial e fake news, não podemos descontextualizar Descartes. Dubito, ergo cogito, ergo sum. Duvido, logo penso, logo existo. Essa era a citação em 1637.

 

Na origem da nossa existência, está a dúvida. Mais que nunca. Não apague a dúvida inicial. Ela é a certeza absoluta na lógica cartesiana. É preciso duvidar. Pesquisar. Checar. Antes de ser cúmplice de uma grande enganação. Dá trabalho existir, mas vale a pena.

 

(Ruth de Aquino. Duvido, logo existo. O Globo, Segundo Caderno, 13.09.2024, p. 6. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.   A frase original de Descartes se caracteriza como um período composto por
  1. Asubordinação, pois apresenta três orações sintaticamente dependentes, que estabelecem, entre si, uma relação adversativa.
  2. Bsubordinação, pois apresenta duas orações que estabelecem uma relação de causa e consequência.
  3. Ccoordenação e subordinação, pois contém duas orações sintaticamente independentes entre si, mas dependentes de outra oração.
  4. Dcoordenação, pois as orações que o compõem desempenham funções sintáticas e estabelecem entre si uma relação condicional.
  5. Ecoordenação, pois apresenta três orações sintaticamente independentes, entre as quais se estabelece uma relação de conclusão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — coordenação, pois apresenta três orações sintaticamente independentes, entre as quais se estabelece uma relação de conclusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Período composto por coordenação: a frase original de Descartes

Gabarito: letra E. A frase original de Descartes — "Dubito, ergo cogito, ergo sum" — é um período composto por coordenação, pois apresenta três orações sintaticamente independentes entre si, ligadas pela conjunção "ergo" (logo, portanto), que estabelece relação de conclusão. Como se lê no texto: "Dubito, ergo cogito, ergo sum. Duvido, logo penso, logo existo." — cada oração tem sentido completo sozinha, e a conjunção "ergo"/"logo" marca que a segunda e a terceira são conclusões das anteriores.

O comando da questão

O enunciado pede que você classifique o período quanto ao tipo de relação entre as orações: se é coordenação (orações independentes) ou subordinação (orações dependentes), e qual a relação semântica (adversativa, causal, condicional, conclusiva etc.). Isso é uma questão de análise sintática — você precisa identificar os verbos, contar as orações e observar os conectivos.

O texto e a frase em foco

O texto de Ruth de Aquino cita a versão completa da máxima cartesiana: "Dubito, ergo cogito, ergo sum" e a traduz como "Duvido, logo penso, logo existo". A questão pergunta especificamente sobre a frase original — ou seja, a versão latina, que também aparece traduzida. Vamos analisar a estrutura:

  • Dubito (duvido) — 1ª oração

  • ergo cogito (logo penso) — 2ª oração

  • ergo sum (logo existo) — 3ª oração

Cada uma tem verbo próprio e sentido completo quando isolada: "Duvido." é uma frase autônoma; "Penso." também; "Existo." idem. Não há uma oração que exerça função sintática dentro da outra — nenhuma é sujeito, objeto ou adjunto da outra. Portanto, são coordenadas.

A técnica: coordenação × subordinação

A distinção central é a independência sintática:

  • Coordenação: as orações são independentes — cada uma tem sentido completo e não exerce função sintática na outra. Ex.: "Estudei, logo passei."

  • Subordinação: uma oração depende da outra, exercendo função sintática (sujeito, objeto, adjunto etc.). Ex.: "Espero que você passe." — a segunda oração é objeto direto de "espero".

No período de Descartes, não há dependência: "Duvido" não precisa de "penso" para ter sentido, e vice-versa. A conjunção "ergo" (logo) apenas conclui algo a partir da oração anterior — típico das coordenadas conclusivas.

A relação de conclusão

As orações coordenadas sindéticas conclusivas são introduzidas por conjunções como logo, portanto, por isso, assim, pois (deslocado). Elas expressam uma conclusão ou consequência lógica da ideia anterior. No texto:

"Dubito, ergo cogito, ergo sum. Duvido, logo penso, logo existo."

O "logo" (ergo) indica que "penso" é a conclusão de "duvido", e "existo" é a conclusão de "penso". É uma cadeia lógica: da dúvida decorre o pensamento; do pensamento decorre a existência. Essa é exatamente a relação de conclusão.

Análise das alternativas

  1. 1Contar os verbos
  2. 2Verificar independência
  3. 3Observar o conectivo
  4. 4Classificar a relação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. A frase não é subordinada, pois as orações são independentes. Além disso, a relação não é adversativa (oposição), mas conclusiva. Não há conjunção adversativa (mas, porém, contudo) no período.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. Também afirma subordinação, o que é falso. A relação de causa e consequência não é a mesma que conclusão: na causal, a segunda oração é a causa da primeira (ex.: "passei porque estudei"); na conclusiva, a segunda é a conclusão lógica (ex.: "estudei, logo passei"). Aqui, "logo" marca conclusão, não causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. Afirma que há coordenação e subordinação ao mesmo tempo, mas não há oração subordinada no período. As três orações são todas coordenadas, sem nenhuma dependência sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e troca a relação semântica. Diz que é coordenação (correto), mas afirma que a relação é condicional — o que não ocorre. Não há conjunção condicional (se, caso) no período. A relação é de conclusão, não de condição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A frase original é um período composto por coordenação, com três orações sintaticamente independentes (Dubito / cogito / sum), e a conjunção "ergo" (logo) estabelece relação de conclusão entre elas. Isso está explícito no texto: "Dubito, ergo cogito, ergo sum. Duvido, logo penso, logo existo."

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você confundir coordenação com subordinação e trocar a relação semântica — oferece "adversativa", "condicional", "causa e consequência" para desviar da conclusiva. A chave é identificar o conectivo "logo" e a independência das orações.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar um período, primeiro conte os verbos (cada verbo = uma oração) e depois observe os conectivos. Se as orações têm sentido completo sozinhas, é coordenação; se uma depende da outra, é subordinação. Conjunções como logo, portanto, por isso indicam conclusão.

Conclusão: a resposta é a letra E, pois a frase de Descartes é um período composto por coordenação — três orações independentes unidas por "logo", que expressa conclusão. As demais alternativas erram ao classificar como subordinação ou ao atribuir relações semânticas que o texto não apresenta.

Gabarito: letra E

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