Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu206141
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2024
Cargo
2º AEM ( )

MENINOS CARVOEIROS


Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.


Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem1 é toda remendada.
Os carvões caem.


(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)


— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles…
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!


— Eh, carvoero!


Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados2 nas alimárias3,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas4 como espantalhos desamparados.


(Petrópolis, 1921)
(Manuel Bandeira. O ritmo dissoluto. In: Estrela da Vida Inteira. Introdução de
Gilda e Antonio Candido Mello e Sousa. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio)


Glossário:
1 aniagem: tecido rústico de juta, fibra vegetal, entre outros materiais.
2 encarapitado: colocado em local mais elevado.
3 alimária: animal quadrúpede ou de carga.
4 cangalha: apetrecho de madeira ou ferro, encaixado no lombo dos animais para pendurar carga de ambos os lados.

Leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.

 

Para responder à questão 15, considere, além do poema “Meninos carvoeiros”, o texto a seguir.


Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP)

 

Descrição dos Trabalhos:


1. Na direção e operação de tratores, máquinas agrícolas e esmeris, quando motorizados e em movimento.
2. No processo produtivo do fumo, algodão, sisal, cana-de-açúcar e abacaxi.
3. Na colheita de cítricos, pimenta malagueta e semelhantes.
4. No beneficiamento do fumo, sisal, castanha de caju e cana-de-açúcar.
5. Na pulverização, manuseio e aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, e produtos afins, incluindo limpeza de equipamentos, descontaminação, disposição e retorno de recipientes vazios.

6. Em locais de armazenamento ou de beneficiamento em que haja livre desprendimento de poeiras de cereais e de vegetais.
7. Em estábulos, cavalariças, currais, estrebarias ou pocilgas, sem condições adequadas de higienização.
8. No interior ou junto a silos de estocagem de forragem ou grãos com atmosferas tóxicas, explosivas ou com deficiência de oxigênio.
9. Com sinalizador na aplicação aérea de produtos ou defensivos agrícolas.
10. Na extração e corte de madeira.
11. Em manguezais e lamaçais.


(Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. DECRETO Nº 6.481, DE 12 DE JUNHO DE 2008. https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/. Acesso em 08.08.2024. Adaptado)

 

Aproximando o poema do modernista Manuel Bandeira, escrito em 1921, e a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, legislação de 2008, pode-se concluir que

  1. Aos meninos carvoeiros, hoje em dia, seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, pois trabalham em condições precárias, são raquíticos e parecem, aos olhos do eu lírico, desamparados.
  2. Ba alegria e a brincadeira dos meninos carvoeiros, hoje em dia, os isentariam de integrar a lista TIP, na qual os trabalhos infantis elencados evidenciam que as crianças não podem ser felizes.
  3. Ca visão compadecida do eu lírico iguala os meninos carvoeiros e a velhinha que recolhe os carvões caídos (“dobrando-se com um gemido”), de modo que essas crianças nada teriam a ver com a lista TIP.
  4. Dos meninos carvoeiros, hoje em dia, estão em situação de conformidade com os direitos fundamentais crianças e adolescentes, já que eles trabalham, se divertem e têm pão para comer, portanto, longe da lista TIP.
  5. Eos meninos carvoeiros, hoje em dia, seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, assim como os animais, que recebem maus-tratos (são tocados por um “relho”, carregam peso, são magros e velhos).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — os meninos carvoeiros, hoje em dia, seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, pois trabalham em condições precárias, são raquíticos e parecem, aos olhos do eu lírico, desamparados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aproximação entre poema e legislação: inferência sobre trabalho infantil

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que estabelece corretamente a relação entre o poema de Manuel Bandeira e a Lista TIP, pois os meninos carvoeiros, descritos como "crianças raquíticas", que trabalham em condições precárias e parecem "desamparados", se enquadrariam nas piores formas de trabalho infantil. A questão pede uma inferência — "pode-se concluir" —, ou seja, uma dedução ancorada em pistas do texto, não uma informação literal.

O comando da questão é claro: "Aproximando o poema... e a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil... pode-se concluir que". Isso significa que a resposta não está escrita em nenhum dos dois textos, mas é uma conclusão que se extrai da comparação entre eles. O poema descreve crianças trabalhando com carvão, em condições visivelmente precárias; a Lista TIP elenca atividades consideradas as piores formas de trabalho infantil. A conclusão lógica é que essas crianças se enquadrariam nessa lista.

O poema fornece as pistas para essa conclusão. Vejamos os trechos que sustentam a alternativa A:

"Só mesmo estas crianças raquíticas / Vão bem com estes burrinhos descadeirados."

"Pequenina, ingênua miséria!"

"Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados."

Esses versos mostram que as crianças são raquíticas (sinal de desnutrição), vivem em miséria e parecem desamparadas — características de quem exerce trabalho infantil em condições degradantes, o que se enquadra no conceito de piores formas de trabalho infantil. A Lista TIP, por sua vez, elenca atividades que, por sua natureza ou pelas condições em que são exercidas, são prejudiciais à saúde, à segurança e à moralidade da criança. O trabalho dos meninos carvoeiros, descrito no poema, envolve transporte de carga pesada ("Cada um leva seis sacos de carvão de lenha"), em animais magros e velhos, em condições precárias — tudo isso configura uma atividade que, hoje, seria considerada TIP.

A alternativa A é a única que capta essa relação de forma completa: ela afirma que os meninos seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, porque trabalham em condições precárias, são raquíticos e parecem desamparados. Essa é uma inferência legítima, pois se apoia em pistas concretas do poema.

As demais alternativas cometem erros típicos de interpretação:

  • B generaliza indevidamente: afirma que a alegria e a brincadeira isentariam as crianças da lista TIP, mas o texto não diz que a felicidade exclui o trabalho infantil. Além disso, a Lista TIP não se baseia na felicidade da criança, mas nas condições do trabalho.

  • C faz uma comparação equivocada: iguala os meninos à velhinha, mas o poema não estabelece essa igualdade; a velhinha é uma figura que recolhe os carvões caídos, não uma criança trabalhadora. Além disso, a alternativa conclui que as crianças "nada teriam a ver com a lista TIP", o que contradiz as evidências de precariedade.

  • D contradiz o texto: afirma que os meninos estão em conformidade com os direitos fundamentais, mas o poema descreve condições de miséria e exploração, não conformidade.

  • E extrapola: menciona maus-tratos aos animais, mas o poema não trata disso como foco; a alternativa desvia a atenção para os animais, enquanto a questão é sobre as crianças.

Portanto, a resposta correta é a letra A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que os meninos carvoeiros, hoje, seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, pois trabalham em condições precárias, são raquíticos e parecem desamparados. Isso é uma inferência legítima a partir do poema. O texto descreve:

"Só mesmo estas crianças raquíticas / Vão bem com estes burrinhos descadeirados."

"Pequenina, ingênua miséria!"

"Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados."

Esses versos evidenciam a precariedade: crianças raquíticas (desnutridas), em situação de miséria, desamparadas. A Lista TIP elenca as piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades em condições degradantes. O trabalho dos meninos — transporte de carvão em animais, em condições precárias — se enquadraria nessa lista. A alternativa A é a única que estabelece essa relação de forma completa e ancorada no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a alegria e a brincadeira dos meninos os isentariam da lista TIP, pois os trabalhos elencados evidenciam que as crianças não podem ser felizes. Isso é uma generalização indevida e uma extrapolação. O poema mostra as crianças brincando ("Apostando corrida", "Dançando"), mas isso não elimina as condições precárias de trabalho. A Lista TIP não se baseia na felicidade da criança, mas nas condições do trabalho. Além disso, o texto não afirma que as crianças não podem ser felizes; essa é uma opinião embutida na alternativa, não presente no poema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a visão compadecida do eu lírico iguala os meninos carvoeiros e a velhinha que recolhe os carvões caídos, de modo que essas crianças nada teriam a ver com a lista TIP. Isso é um erro de comparação e uma contradição com o texto. O poema não estabelece igualdade entre os meninos e a velhinha; a velhinha é uma figura que aparece "dobrando-se com um gemido", mas não é uma criança trabalhadora. Além disso, a conclusão de que as crianças "nada teriam a ver com a lista TIP" contradiz as evidências de precariedade e miséria presentes no poema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que os meninos carvoeiros estão em situação de conformidade com os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, já que trabalham, se divertem e têm pão para comer. Isso contradiz o texto. O poema descreve condições de miséria e exploração: crianças raquíticas, burros magros e velhos, carvão caindo, "Pequenina, ingênua miséria!". Não há conformidade com direitos fundamentais; há, ao contrário, violação deles. A alternativa tenta justificar o trabalho infantil pela presença de pão e diversão, o que é uma opinião embutida e uma extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que os meninos carvoeiros seriam considerados crianças que exercem uma atividade TIP, assim como os animais, que recebem maus-tratos (são tocados por um "relho", carregam peso, são magros e velhos). Essa alternativa tangencia o tema ao desviar o foco para os animais. O poema menciona os animais, mas a questão é sobre as crianças. Além disso, a alternativa não explica por que as crianças seriam TIP; ela apenas compara com os animais, o que não é suficiente para sustentar a conclusão. A alternativa A é mais completa e direta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a visão lírica (que idealiza a infância) e a realidade objetiva das condições de trabalho. Alternativas como B e D usam a alegria das crianças para justificar o trabalho, mas o texto mostra precariedade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte-se: "o texto autoriza essa conclusão?" A alternativa correta é a que se apoia em pistas concretas, sem extrapolar.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu206141