Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2024
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu206168
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2024
Cargo
3º AEM ( )
Leia as estrofes iniciais do poema “Saudades”, de Álvares de Azevedo, para responder à questão.
Foi por ti que num sonho de ventura A flor da mocidade consumi, E às primaveras disse adeus tão cedo E na idade do amor envelheci!
Vinte anos! derramei-os gota a gota Num abismo de dor e esquecimento… De fogosas visões nutri meu peito… Vinte anos!… não vivi um só momento! Contudo, no passado uma esperança!
Tanto amor e ventura prometia, E uma virgem tão doce, tão divina Nos sonhos junto a mim adormecia!…
(Álvares de Azevedo. Lira dos Vinte Anos. 1994)
Nos versos – Foi por ti que num sonho de ventura… – e – Contudo, no passado uma esperança! –, as expressões destacadas veiculam, correta e respectivamente, sentidos de
Ameio e conclusão.
Bcompanhia e explicação.
Cmodo e conclusão.
Dfinalidade e oposição.
Ecausa e oposição.
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GabaritoE — causa e oposição.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sentido de conectivos: causa e oposição no poema
Gabarito: letra E. A questão pede o sentido das expressões destacadas "por ti" e "Contudo" nos versos citados. No primeiro caso, "por" expressa causa (o motivo pelo qual o eu lírico consumiu a flor da mocidade); no segundo, "Contudo" introduz oposição (uma ressalva ao que foi dito antes). A passagem que ancora a resposta está nos versos: "Foi por ti que num sonho de ventura / A flor da mocidade consumi" — o "por ti" indica o agente causador do desgaste — e "Contudo, no passado uma esperança!" — que contrapõe a desesperança anterior à existência de uma esperança.
O comando: o que a banca pede
O enunciado pergunta: "as expressões destacadas veiculam, correta e respectivamente, sentidos de". Isso é uma questão de semântica contextual: não se pergunta a classe gramatical, mas o valor semântico que "por" e "Contudo" assumem naquele contexto específico. A palavra "respectivamente" exige que você analise na ordem: primeiro "por ti", depois "Contudo". É uma questão de compreensão (o sentido está explícito no texto, basta reconhecer a relação lógica), não de inferência.
O texto: o movimento argumentativo
O poema de Álvares de Azevedo é uma lamentação romântica: o eu lírico diz que, por causa de um amor ("por ti"), desperdiçou a juventude ("consumi a flor da mocidade"), envelheceu precocemente ("na idade do amor envelheci") e viveu vinte anos sem aproveitar um só momento ("não vivi um só momento!"). Até aqui, tudo é negatividade, desesperança. Aí entra o "Contudo": ele quebra essa sequência de lamentos para introduzir uma ressalva — "no passado uma esperança!". Ou seja, apesar de tudo, havia uma esperança. Essa é a relação de oposição (adversativa) que o conectivo estabelece.
A técnica: como identificar o sentido de "por" e "Contudo"
1. "Por ti" — sentido de causa.
A preposição "por" é polissêmica: pode indicar causa, meio, lugar, finalidade, etc. Para decidir, pergunte: "por que motivo?" ou "por causa de quê?". No verso, o eu lírico consumiu a juventude por causa de "ti" (a pessoa amada). A relação é de causa e efeito: "ti" é a causa; "consumir a flor da mocidade" é o efeito. Não é meio (não é "através de ti"), não é companhia (não é "junto contigo"), não é modo (não é "de que maneira"), não é finalidade (não é "para ti").
"Foi por ti que num sonho de ventura / A flor da mocidade consumi"
Aqui, "por ti" = "por causa de ti". O amor é o motivo do sofrimento. Isso elimina as alternativas A, B, C e D, que trazem "meio", "companhia", "modo" e "finalidade" — todas incompatíveis com a leitura causal.
2. "Contudo" — sentido de oposição.
"Contudo" é uma conjunção coordenativa adversativa, assim como "mas", "porém", "todavia", "entretanto". Ela liga duas orações ou períodos estabelecendo contraste, ressalva, oposição. No texto, o eu lírico vinha descrevendo um passado de dor e esquecimento ("derramei-os gota a gota / Num abismo de dor e esquecimento"), e então afirma: "Contudo, no passado uma esperança!". O "Contudo" sinaliza que, apesar de todo o sofrimento, existia uma esperança. É uma quebra de expectativa, típica da adversativa.
"Contudo, no passado uma esperança!"
Se fosse "portanto" (conclusão), o sentido seria: "já que sofri, logo havia esperança" — o que não faz sentido. Se fosse "porque" (explicação), seria: "havia esperança porque sofri" — também não. A única leitura coerente é a de oposição: o sofrimento passado contrasta com a existência de uma esperança.
Análise das alternativas
"por ti"
1Causa
"por causa de ti"
Amor = motivo do sofrimento
2"Contudo"
Oposição
Conjunção adversativa
"mas", "porém"
Quebra de expectativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Meio e conclusão. "Por ti" não indica meio (instrumento, caminho), e "Contudo" não é conclusivo. Erro: troca de sentido — atribui a "por" valor de meio e a "contudo" valor de conclusão, quando o texto exige causa e oposição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Companhia e explicação. "Por ti" não indica companhia (seria "contigo"), e "Contudo" não explica (seria "pois"). Erro: troca de sentido — confunde a preposição "por" com "com" e a conjunção adversativa com explicativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Modo e conclusão. "Por ti" não indica modo (seria "de que maneira"), e "Contudo" não é conclusivo. Erro: troca de sentido — novamente, o valor de "por" é causal, não modal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Finalidade e oposição. Aqui a segunda parte está correta ("Contudo" é oposição), mas a primeira falha: "por ti" não expressa finalidade (seria "para ti"). Erro: troca de sentido — a banca tenta confundir causa com finalidade, que são relações próximas, mas distintas: finalidade responde a "para quê?", causa responde a "por quê?".
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Causa e oposição. Exatamente o que o texto autoriza: "por ti" = "por causa de ti" (causa); "Contudo" = "mas", "porém" (oposição). A passagem que prova:
"Foi por ti que num sonho de ventura / A flor da mocidade consumi"
"Contudo, no passado uma esperança!"
No primeiro, o amor é a causa do desperdício da juventude; no segundo, o conectivo introduz uma ressalva que contrasta com o lamento anterior. Nenhuma outra alternativa combina os dois sentidos corretamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia de "por" (causa × meio × finalidade) e a diferença entre "contudo" (adversativa) e "portanto" (conclusiva). A alternativa D é a mais traiçoeira, pois acerta a oposição, mas erra a causa, trocando-a por finalidade.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o sentido de uma preposição ou conjunção, substitua por um sinônimo e veja se a frase continua coerente: "por ti" → "por causa de ti" (causa); "contudo" → "mas" (oposição). Se a substituição mantém o sentido, você acertou.
Conclusão: a questão testa a semântica dos conectivos no contexto poético. A regra de ouro: o sentido de uma palavra é dado pelo contexto, não pelo dicionário isolado. Ao analisar "por" e "Contudo", pergunte sempre: que relação lógica eles estabelecem entre as ideias? No poema, a resposta é causa (o amor como motivo do sofrimento) e oposição (a esperança que contrasta com a dor).