Questão de Matemática — Álgebra linear avançada (vetores, matrizes e espaços vetoriais) — VUNESP 2024
Matemática›Álgebra linear avançada (vetores, matrizes e espaços vetoriais)
Código
vu206667
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CFO/QC ( )
No espaço vetorial M_2(\mathbb{R}), considere os seguintes subespaços vetoriais: E = \left\{ (xzyt) \middle| x - 2y + 3z - t = 0 \right\} F = \left[ (1002) ; (001−3) ; (0104) \right] Uma base para a soma E + F é:
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Soma de subespaços vetoriais em M₂(ℝ)
Gabarito: letra A. A soma E + F tem dimensão 4 (é o espaço inteiro M₂(ℝ)), e a alternativa A apresenta exatamente 4 matrizes linearmente independentes que geram M₂(ℝ) — logo, formam uma base para E + F. O ponto central é calcular as dimensões de E e F, a dimensão da interseção E ∩ F e aplicar a fórmula de Grassmann: dim(E + F) = dim E + dim F − dim(E ∩ F).
O que está em jogo
O espaço vetorial M₂(ℝ) é o conjunto de todas as matrizes 2×2 com entradas reais. Ele tem dimensão 4, pois uma base canônica é formada pelas matrizes com 1 em uma posição e 0 nas demais:
Um subespaço vetorial é um subconjunto que é fechado para a soma e para a multiplicação por escalar. A soma de dois subespaços E + F é o conjunto de todas as somas u + v, com u ∈ E e v ∈ F. A fórmula de Grassmann relaciona as dimensões:
Determinando as dimensões
Subespaço E: definido pela equação x − 2y + 3z − t = 0. Essa é uma equação linear homogênea em 4 variáveis (as entradas da matriz). O conjunto solução de um sistema homogêneo com 1 equação e 4 incógnitas tem dimensão 4 − 1 = 3. Portanto, dim E = 3.
Subespaço F: gerado por 3 matrizes:
Essas matrizes são linearmente independentes? Vamos verificar. Escrevendo uma combinação linear nula:
As três primeiras equações já forçam a = b = c = 0. Logo, as matrizes são linearmente independentes e dim F = 3.
Calculando a interseção
Um elemento de F é da forma:
Para estar em E, deve satisfazer x − 2y + 3z − t = 0, ou seja:
a − 2b + 3c − (2a − 3b + 4c) = 0
Simplificando: a − 2b + 3c − 2a + 3b − 4c = −a + b − c = 0, logo a = b − c.
Assim, os elementos de E ∩ F são da forma:
Podemos escrever como combinação linear:
(b−c, b, c, −b+2c) = b·(1,1,0,−1) + c·(−1,0,1,2)
Esses dois vetores são linearmente independentes (não são múltiplos). Logo, dim(E ∩ F) = 2.
Aplicando Grassmann
dim(E + F) = 3 + 3 − 2 = 4
Como M₂(ℝ) tem dimensão 4 e E + F é um subespaço de M₂(ℝ) com dimensão 4, concluímos que E + F = M₂(ℝ). Portanto, uma base para E + F é qualquer base de M₂(ℝ), ou seja, 4 matrizes linearmente independentes.
Analisando as alternativas
Subespaços vetoriais em M₂(ℝ) — só E: 1; só F: 1; E∩F: 2
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As matrizes são:
Vamos verificar se são linearmente independentes. Escrevendo a combinação linear nula:
Das três primeiras equações, a = b = c = 0, e substituindo na quarta, d = 0. Logo, são linearmente independentes. Como são 4 matrizes LI em um espaço de dimensão 4, formam uma base de M₂(ℝ) e, portanto, de E + F.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A quarta matriz é:
Vamos verificar a independência linear com as três primeiras. A combinação nula:
Da primeira, a = −d; da segunda, b = −d; da terceira, c = 0. Substituindo na quarta: (−d) − 2(−d) + 0 − d = −d + 2d − d = 0. Isso é sempre verdadeiro, independentemente de d. Portanto, existem soluções não triviais (por exemplo, d = 1, a = −1, b = −1, c = 0). As matrizes são linearmente dependentes, logo não formam uma base.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A quarta matriz é:
Vamos verificar a independência. A combinação nula:
Da primeira, a = −2d; da segunda, b = d; da terceira, c = 5d. Substituindo na quarta: (−2d) − 2(d) + 3(5d) − 11d = −2d − 2d + 15d − 11d = 0. Isso é sempre verdadeiro. Logo, há dependência linear (por exemplo, d = 1, a = −2, b = 1, c = 5). Não formam uma base.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa tem apenas 3 matrizes:
Como E + F tem dimensão 4, uma base precisa ter exatamente 4 elementos. Com apenas 3 matrizes, o conjunto não pode gerar todo o espaço E + F. Portanto, não é uma base.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As matrizes são:
A primeira e a terceira matriz são idênticas. Portanto, o conjunto tem apenas 2 matrizes distintas, claramente insuficiente para gerar um espaço de dimensão 4. Além disso, há dependência linear evidente.
Resumo do método
Para encontrar uma base da soma de subespaços, o caminho é:
Determinar dim E e dim F (contando equações independentes ou geradores independentes).
Determinar dim(E ∩ F) resolvendo as condições de pertencimento simultâneo.
Aplicar a fórmula de Grassmann para obter dim(E + F).
Se dim(E + F) = dim do espaço ambiente, então E + F é o espaço inteiro, e qualquer base do espaço serve.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre gerar o espaço e ser uma base. As alternativas B e C contêm 4 matrizes, mas uma delas é combinação linear das outras — o candidato que apenas conta o número de matrizes pode marcar errado. A alternativa D tem apenas 3 matrizes, insuficientes para um espaço de dimensão 4. A alternativa E repete uma matriz, reduzindo o conjunto a 2 elementos. A chave é sempre verificar a independência linear.