Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — VUNESP 2024
Raciocínio Lógico›Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
vu211048
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
GCM ( )
Considere as afirmações e seus respectivos valores lógicos.
I. Se Francisco não é honesto, então Geraldo é esforçado. VERDADE.
II. Se Geraldo não é esforçado, então José é trabalhador. FALSIDADE.
III. Manoel é preguiçoso e Francisco é honesto. FALSIDADE.
A partir dessas informações, é logicamente verdadeiro que
AGeraldo é esforçado.
BManoel não é preguiçoso.
CFrancisco não é honesto.
DJosé é trabalhador.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Manoel não é preguiçoso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Lógica de Argumentação: extraindo valores lógicos de premissas compostas
Gabarito: letra B. A partir das análise das premissas, conclui-se que Manoel não é preguiçoso. Isso porque a premissa II (condicional falsa) nos garante que Geraldo não é esforçado e José não é trabalhador; a premissa I (condicional verdadeira) então força Francisco a ser honesto; e a premissa III (conjunção falsa) com Francisco honesto verdadeiro nos obriga a concluir que Manoel não é preguiçoso. A resolução se dá pela aplicação direta das tabelas-verdade dos conectivos condicional e conjunção.
O coração desta questão está em saber ler uma proposição composta e, a partir do valor lógico dela, descobrir os valores das proposições simples que a compõem. Vamos revisar as duas tabelas-verdade que importam aqui, pois são elas que destravam tudo.
1. A Condicional (Se... então...) — A tabela-verdade da condicional é:
P
Q
P → Q
V
V
V
V
F
F
F
V
V
F
F
V
O ponto crucial: a condicional só é FALSA em um único caso — quando o antecedente é verdadeiro e o consequente é falso (V → F). Em todos os outros três casos ela é verdadeira. Isso significa que, se sabemos que uma condicional é falsa, podemos afirmar com certeza que o antecedente é V e o consequente é F. Por outro lado, se a condicional é verdadeira, não podemos afirmar nada com certeza sobre os valores das partes — ela pode ser verdadeira por vários motivos diferentes (inclusive com antecedente falso).
2. A Conjunção (e) — A tabela-verdade da conjunção é:
P
Q
P ∧ Q
V
V
V
V
F
F
F
V
F
F
F
F
A conjunção só é VERDADEIRA quando ambos os componentes são verdadeiros. Se sabemos que a conjunção é falsa, então pelo menos um dos componentes é falso (ou ambos). Mas se sabemos que um dos componentes é verdadeiro, o outro, obrigatoriamente, tem de ser falso para a conjunção ser falsa.
Agora, vamos aplicar isso às premissas do enunciado, passo a passo, como um detetive lógico:
Premissa II: "Se Geraldo não é esforçado, então José é trabalhador" é FALSA. Pela regra da condicional, isso só acontece se o antecedente for V e o consequente for F. Logo, Geraldo não é esforçado (V) e José é trabalhador (F). Já temos duas certezas.
Premissa I: "Se Francisco não é honesto, então Geraldo é esforçado" é VERDADEIRA. Já sabemos que "Geraldo é esforçado" é FALSO (pois "Geraldo não é esforçado" é V). Então a premissa I tem a forma: (Francisco não é honesto) → F. Para essa condicional ser verdadeira, o antecedente "Francisco não é honesto" não pode ser verdadeiro (pois V → F seria falso). Logo, o antecedente é F, ou seja, Francisco não é honesto é FALSO, o que significa que Francisco é honesto (V).
Premissa III: "Manoel é preguiçoso e Francisco é honesto" é FALSA. Já sabemos que "Francisco é honesto" é VERDADEIRO. Para a conjunção ser falsa com um dos termos verdadeiro, o outro termo "Manoel é preguiçoso" tem de ser FALSO. Portanto, Manoel não é preguiçoso (V).
Pronto! Chegamos à conclusão que buscamos. A cadeia de raciocínio foi: premissa II → premissa I → premissa III. A pegadinha clássica aqui é tentar usar a premissa I (que é verdadeira) para concluir algo sobre Francisco, sem antes descobrir o valor de "Geraldo é esforçado" pela premissa II. A ordem de análise é fundamental.
Guarde esta sequência de raciocínio: comece sempre pela premissa que é FALSA (ou pela que é uma conjunção verdadeira), pois ela te dá valores absolutos. Depois, use esses valores para desvendar as premissas verdadeiras. É exatamente esse o critério que separa as alternativas.
Condicional falsa (V → F)
1Antecedente é V
Geraldo não é esforçado
2Consequente é F
José não é trabalhador
3Condicional verdadeira
Antecedente F (evita V → F)
Francisco é honesto
4Conjunção falsa
Um termo F (com o outro V)
Manoel não é preguiçoso
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "Geraldo é esforçado". Isso é exatamente o oposto do que descobrimos. A premissa II é uma condicional FALSA, e a única forma de uma condicional ser falsa é com antecedente verdadeiro e consequente falso. Como o antecedente é "Geraldo não é esforçado", ele é verdadeiro, logo Geraldo não é esforçado. A banca inverteu o valor lógico para confundir.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "Manoel não é preguiçoso". É exatamente a conclusão a que chegamos. A premissa III é uma conjunção falsa ("Manoel é preguiçoso e Francisco é honesto"). Como já provamos que "Francisco é honesto" é verdadeiro, o outro termo da conjunção, "Manoel é preguiçoso", precisa ser falso para que a conjunção inteira seja falsa. Logo, Manoel não é preguiçoso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "Francisco não é honesto". É o contrário do que deduzimos. Pela premissa I, "Se Francisco não é honesto, então Geraldo é esforçado" é verdadeira. Como "Geraldo é esforçado" é falso, o antecedente "Francisco não é honesto" não pode ser verdadeiro (senão teríamos V → F, que é falso). Portanto, "Francisco não é honesto" é falso, e Francisco é honesto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "José é trabalhador". É o oposto do que a premissa II nos garante. Sendo a condicional "Se Geraldo não é esforçado, então José é trabalhador" falsa, o consequente "José é trabalhador" é, obrigatoriamente, falso. Logo, José não é trabalhador.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dificuldade de extrair valores lógicos de proposições simples a partir de proposições compostas. O erro mais comum é tentar analisar a premissa I (verdadeira) antes da premissa II (falsa). Lembre-se: a condicional falsa é a chave de ouro, pois ela te dá dois valores de uma vez (antecedente V e consequente F). Comece sempre por ela!