Analise o heredograma que ilustra a transmissão de uma característica genética condicionada por apenas um par de alelos autossômicos. Os indivíduos portadores dessa característica estão representados em escuro:
Considerando que a característica representada é , então o indivíduo possui, certamente, o genótipo para a mesma.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
Arecessiva ... II.1 ... homozigoto dominante
Brecessiva ... II.4 ... heterozigoto
Cdominante ... I.2 ... homozigoto dominante
Ddominante ... III.2 ... heterozigoto
Edominante ...II.2 ... heterozigoto
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GabaritoE — dominante ...II.2 ... heterozigoto
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Heredogramas: análise de padrões de herança autossômica
Gabarito: letra E. A característica é dominante, e o indivíduo II.2 possui, certamente, o genótipo heterozigoto. A análise do heredograma mostra que pais não afetados (I.1 e I.2) geram filha afetada (II.3), o que exclui a herança recessiva — se fosse recessiva, os pais não afetados seriam portadores e a filha afetada seria homozigota recessiva, mas a presença de um filho afetado (III.1) filho de pais não afetados (II.1 e II.2) confirma o padrão dominante, onde o alelo dominante se manifesta em heterozigose.
O heredograma é uma representação gráfica das relações de parentesco e da transmissão de características ao longo das gerações. Nele, quadrados representam indivíduos do sexo masculino, círculos representam o sexo feminino, e os símbolos preenchidos (escuros) indicam os portadores da característica em estudo. A análise de um heredograma busca identificar o padrão de herança — se a característica é dominante ou recessiva, autossômica ou ligada ao sexo — e, a partir disso, deduzir os genótipos dos indivíduos.
Para distinguir herança dominante de recessiva, o ponto-chave é observar se a característica "pula gerações". Em heranças recessivas, é comum que filhos afetados nasçam de pais não afetados (que são heterozigotos, portadores do alelo recessivo). Já em heranças dominantes, todo indivíduo afetado tem, em regra, pelo menos um dos pais afetado — a característica não "pula" gerações, pois o alelo dominante se expressa mesmo em heterozigose. No heredograma da questão, observamos que o casal I.1 (normal) e I.2 (normal) teve uma filha afetada (II.3). Isso, isoladamente, sugere herança recessiva. Porém, o casal II.1 (normal) e II.2 (normal) teve um filho afetado (III.1). Se a herança fosse recessiva, ambos os pais (II.1 e II.2) seriam heterozigotos (Aa), e o filho afetado seria aa. Mas, para que II.2 fosse heterozigota (Aa), ela precisaria ter recebido um alelo recessivo 'a' de um dos pais. Como seus pais (I.1 e I.2) são normais e tiveram uma filha afetada (II.3), ambos são heterozigotos (Aa). Assim, II.2 poderia ser AA ou Aa. Se II.2 fosse AA, e II.1 fosse Aa, o filho III.1 não poderia ser afetado (aa), pois receberia um alelo dominante A de II.2. Como III.1 é afetado, II.2 necessariamente é heterozigota (Aa), e II.1 também é heterozigoto (Aa). Isso confirma que a característica é dominante: o alelo que causa a característica é dominante (A), e os indivíduos afetados podem ser AA ou Aa. Indivíduos não afetados são homozigotos recessivos (aa).
A pegadinha clássica desta questão é confundir o padrão de herança. Ao ver pais não afetados com filho afetado, muitos candidatos assumem automaticamente herança recessiva. No entanto, a análise completa do heredograma — incluindo a geração seguinte — revela que a característica é dominante. A chave está em verificar se a característica "pula" gerações: se um filho afetado tem pais não afetados, e a característica é dominante, então ambos os pais são heterozigotos (Aa), e o filho afetado pode ser AA ou Aa. Mas, se a característica fosse recessiva, os pais seriam heterozigotos (Aa) e o filho afetado seria aa. A distinção crucial é que, na herança dominante, a característica não "pula" gerações — todo afetado tem um pai afetado, exceto em casos de mutação nova ou penetrância incompleta, que não são considerados em questões básicas de heredograma. Neste caso, a presença de II.3 (afetada) filha de pais não afetados (I.1 e I.2) já indica que a característica é dominante, pois se fosse recessiva, os pais seriam portadores (Aa) e a filha afetada seria aa — mas isso não explicaria por que II.2 (irmã de II.3) é normal e tem um filho afetado com um homem normal (II.1). A única explicação consistente é a herança dominante, onde II.2 é heterozigota (Aa) e transmitiu o alelo dominante A para III.1.
Guarde o critério decisivo: em herança dominante, a característica não pula gerações; em herança recessiva, ela pode pular. E, para determinar o genótipo de um indivíduo, analise seus pais e seus filhos — se um indivíduo não afetado tem filho afetado, ele é obrigatoriamente heterozigoto (Aa) em herança dominante.
Heredograma
1Padrão de herança
Dominante
Não pula gerações
Afetado tem pai afetado
Recessiva
Pula gerações
Filho afetado de pais normais
2Genótipo obrigatório
Não afetado (aa)
Afetado (AA ou Aa)
Pais normais com filho afetado
Ambos heterozigotos (Aa)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a característica é recessiva e que II.1 é homozigoto dominante. Se a característica fosse recessiva, II.1 (normal) poderia ser AA ou Aa, mas como seu filho III.1 é afetado, II.1 seria obrigatoriamente heterozigoto (Aa), não homozigoto dominante. Além disso, a característica é dominante, não recessiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a característica é recessiva e que II.4 é heterozigoto. A característica é dominante, não recessiva. Além disso, o indivíduo II.4 não é mencionado no heredograma como tendo filhos afetados que exijam heterozigose obrigatória — a análise correta aponta II.2 como heterozigoto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a característica é dominante e que I.2 é homozigoto dominante. Embora a característica seja dominante, I.2 não pode ser homozigoto dominante (AA), pois teve uma filha afetada (II.3) com I.1 (normal, aa). Para ter filha afetada, I.2 deve ser heterozigota (Aa), transmitindo o alelo dominante A.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a característica é dominante e que III.2 é heterozigoto. A característica é dominante, mas III.2 é um indivíduo não afetado (representado em branco), portanto seu genótipo é homozigoto recessivo (aa), não heterozigoto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A característica é dominante, e o indivíduo II.2 possui, certamente, o genótipo heterozigoto (Aa). Isso é deduzido porque II.2 é normal (não afetado), mas tem um filho afetado (III.1) com II.1 (também normal). Se a característica é dominante, um indivíduo normal é homozigoto recessivo (aa). Para ter um filho afetado (que pode ser AA ou Aa), II.2 precisa transmitir o alelo dominante A, o que só é possível se ela for heterozigota (Aa). Além disso, a análise da geração anterior confirma: I.1 e I.2 são normais, mas tiveram filha afetada (II.3), o que só é possível se ambos forem heterozigotos (Aa) — reforçando que a característica é dominante.