O lóbulo da orelha pode ser aderido ou solto. Essa característica é determinada por um par de genes, localizado em um par de cromossomos autossomos. O heredograma representado a seguir apresenta a herança dessa característica em três gerações de uma mesma família. Os símbolos preenchidos indicam as pessoas que têm o lóbulo da orelha aderido.
De acordo com as informações desse heredograma, é correto afirmar que
Aa característica lóbulo solto é recessiva.
Bo indivíduo II 2 é heterozigoto.
Co indivíduo III 1 é homozigoto.
Dse os indivíduos III 2 e III 6 se casarem, terão 1/4 de chance de gerar criança com o lóbulo solto.
Ea característica lóbulo aderido é recessiva.
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GabaritoE — a característica lóbulo aderido é recessiva.
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Heredograma e padrões de herança autossômica
Gabarito: letra E. No heredograma, pais sem a característica (lóbulo aderido) geram filhos com ela, o que é a assinatura clássica de um alelo recessivo: o fenótipo "pula" uma geração e aparece na prole de genitores fenotipicamente normais, mas portadores (heterozigotos). Como o gene está em autossomo, a herança é autossômica recessiva — exatamente o que a alternativa E afirma.
Para entender por que a resposta é essa, é preciso dominar a lógica de leitura de heredogramas. Um heredograma é a representação gráfica das relações de parentesco e da transmissão de uma característica ao longo das gerações: quadrados representam homens, círculos representam mulheres, o traço horizontal une o casal e os traços verticais ligam os filhos. Os símbolos preenchidos indicam os indivíduos que manifestam o fenótipo em estudo — aqui, o lóbulo da orelha aderido.
O ponto central é descobrir se a característica preenchida é dominante ou recessiva. A regra de ouro: se dois indivíduos que NÃO apresentam a característica (não preenchidos) têm um filho que A apresenta (preenchido), a característica é recessiva. Isso ocorre porque, para um filho manifestar um alelo recessivo (aa), ele precisa receber um alelo recessivo (a) de cada genitor — e, se os genitores não manifestam o fenótipo, eles só podem ser heterozigotos (Aa), carregando o alelo recessivo sem expressá-lo. Se a característica fosse dominante, pelo menos um dos genitores teria de carregar e expressar o alelo dominante, ou seja, seria preenchido.
No heredograma da questão, vemos exatamente esse padrão: indivíduos não preenchidos (lóbulo solto) geram filhos preenchidos (lóbulo aderido). Isso só é possível se o lóbulo aderido for recessivo (aa) e os pais não preenchidos forem heterozigotos (Aa). O lóbulo solto, por sua vez, é dominante (AA ou Aa). Essa é a mesma lógica usada para o albinismo, a fibrose cística e a fenilcetonúria — todas heranças autossômicas recessivas em que o fenótipo aparece na prole de pais normais portadores.
A pegadinha da banca está em inverter os conceitos: muitos candidatos assumem que a característica mais "rara" ou "marcada" no heredograma é dominante, mas o que decide é o padrão de transmissão, não a frequência. A presença de filhos afetados com pais não afetados é o critério decisivo — e é nele que as alternativas se dividem.
Heredograma: lóbulo aderido: Padrão de herança (Pais não afetados → filho afetado, Característica recessiva (aa), Lóbulo solto dominante (AA/Aa)); Genótipos (Afetado (aderido): aa, Não afetado (solto): AA ou Aa); Cruzamento Aa × Aa (3/4 lóbulo solto, 1/4 lóbulo aderido)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o lóbulo solto é recessivo. É o inverso do que o heredograma mostra: o lóbulo solto é o fenótipo dominante. Os indivíduos não preenchidos (lóbulo solto) podem ser AA ou Aa, e são eles que, ao cruzarem entre si, geram filhos com lóbulo aderido (aa). Se o lóbulo solto fosse recessivo, dois indivíduos de lóbulo solto (aa) só gerariam filhos de lóbulo solto (aa) — nunca um filho com lóbulo aderido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o indivíduo II-2 é heterozigoto. Sem a figura, não é possível confirmar o genótipo exato de II-2: ele pode ser homozigoto dominante (AA) ou heterozigoto (Aa), dependendo de sua posição no heredograma e dos genótipos de seus ascendentes e descendentes. A alternativa erra ao afirmar com certeza um genótipo que não é dedutível apenas com as informações dadas. O que se pode afirmar com segurança é que os pais de um filho afetado (como os que geram III-1) são heterozigotos — mas isso não se aplica automaticamente a II-2 sem a confirmação visual.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o indivíduo III-1 é homozigoto. Como III-1 apresenta o fenótipo recessivo (lóbulo aderido), seu genótipo é aa — ou seja, ele é homozigoto recessivo, não apenas "homozigoto" de forma genérica. A alternativa está tecnicamente incompleta/incorreta porque não especifica o tipo de homozigose: o correto seria afirmar que III-1 é homozigoto recessivo (aa). Além disso, sem a figura não dá para confirmar se III-1 é mesmo afetado; a leitura do heredograma é essencial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o cruzamento entre III-2 e III-6 teria 1/4 de chance de gerar criança com lóbulo solto. Sem conhecer os genótipos exatos de III-2 e III-6 (que dependem da figura), não é possível calcular essa probabilidade. Se ambos fossem heterozigotos (Aa), a chance de filho com lóbulo solto (AA ou Aa) seria de 3/4, e a de lóbulo aderido (aa) seria de 1/4. A alternativa inverte a probabilidade ou assume genótipos que não estão confirmados. O cálculo correto exige a análise do heredograma completo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a característica lóbulo aderido é recessiva. É exatamente o que o padrão do heredograma demonstra: pais com lóbulo solto (não preenchidos) geram filhos com lóbulo aderido (preenchidos). Para que isso ocorra, o alelo do lóbulo aderido deve ser recessivo (a), e os pais devem ser heterozigotos (Aa). O lóbulo solto é dominante (A), e o aderido é recessivo (aa). Essa é a leitura correta e a única que explica a transmissão observada.
Gabarito: letra E — a característica lóbulo aderido é recessiva, conforme o padrão de herança autossômica recessiva evidenciado pelo heredograma.