Cruzamento interespecífico é o processo de reprodução entre indivíduos de espécies diferentes, resultando em descendentes que apresentam características de ambos os progenitores. A ilustração a seguir mostra um exemplo de um cruzamento interespecífico, originando um híbrido: Considerando a ilustração, verifica-se que o híbrido
Aapresenta mais cromossomos em suas células do que as espécies parentais.
Bapresenta em suas células dois lotes cromossômicos, sendo 2n = 4.
Cé capaz de formar gametas com pares de cromossomos das duas espécies.
Dé incapaz de gerar gametas viáveis por falta de pares de cromossomos homólogos.
Eproduz células poliploides porque os cromossomos não se duplicam.
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GabaritoD — é incapaz de gerar gametas viáveis por falta de pares de cromossomos homólogos.
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Cruzamento interespecífico e esterilidade do híbrido
Gabarito: letra D. O híbrido resultante do cruzamento entre espécies diferentes é, em regra, estéril porque seus cromossomos, provenientes de espécies distintas, não possuem homólogos para parear durante a meiose, impedindo a formação de gametas viáveis — conceito central de isolamento reprodutivo pós-zigótico. A ilustração mostra exatamente essa situação: um híbrido com cromossomos de duas espécies parentais que não conseguem se parear.
O cruzamento interespecífico ocorre quando indivíduos de espécies diferentes se reproduzem, gerando um híbrido. Embora o híbrido possa ser viável (sobreviver e se desenvolver), ele frequentemente é estéril, ou seja, incapaz de produzir descendentes. A razão está na meiose: para que os gametas sejam formados corretamente, os cromossomos precisam se parear em pares de homólogos. No híbrido interespecífico, os cromossomos herdados de cada espécie parental são diferentes entre si — não são homólogos —, de modo que não há pareamento adequado e a meiose não se completa, resultando em gametas inviáveis ou na ausência total de gametas.
Esse fenômeno é um mecanismo clássico de isolamento reprodutivo pós-zigótico, que impede o fluxo gênico entre as espécies. A esterilidade do híbrido é uma barreira que mantém as espécies separadas, mesmo que o cruzamento ocorra. Um exemplo clássico é a mula, híbrido entre égua e jumento, que é estéril justamente por essa razão.
É importante distinguir o híbrido interespecífico estéril do alopoliploide fértil. Quando o híbrido estéril sofre uma duplicação cromossômica (poliploidia), cada cromossomo ganha um homólogo, permitindo o pareamento na meiose e restaurando a fertilidade. Esse processo é comum em plantas e deu origem a novas espécies, como o trigo e o algodão. A colchicina é usada artificialmente para induzir essa duplicação.
A pegadinha da questão está em confundir o número total de cromossomos com a capacidade de pareamento. O híbrido pode ter um número total de cromossomos igual à soma das espécies parentais (por exemplo, 2n = 4 se cada parental contribui com 2), mas isso não significa que haja pares de homólogos — os cromossomos são de origens diferentes e não se pareiam. A alternativa B, que afirma "dois lotes cromossômicos, sendo 2n = 4", pode até descrever o número, mas não implica fertilidade; a alternativa D captura a consequência funcional: a falta de homólogos impede a gametogênese.
Guarde a distinção entre número de cromossomos e pareamento de homólogos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Híbrido interespecífico: Origem (Cruzamento entre espécies diferentes, Viável, mas em regra estéril); Causa da esterilidade (Cromossomos de espécies distintas, Sem homólogos para parear, Meiose não se completa, Gametas inviáveis); Isolamento reprodutivo (Pós-zigótico, Ex.: mula (égua × jumento)); Exceção: alopoliploide fértil (Duplicação cromossômica, Restaura homólogos e fertilidade, Ex.: trigo, algodão)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o híbrido apresenta mais cromossomos que as espécies parentais. Isso não é regra: o híbrido tem a soma dos genomas parentais (por exemplo, se a espécie 1 tem 2n=2 e a espécie 2 tem 2n=2, o híbrido tem 2n=4), mas não necessariamente "mais" que cada parental individualmente — na verdade, tem exatamente a soma. O problema não é a quantidade, mas a falta de homologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o híbrido apresenta dois lotes cromossômicos, sendo 2n = 4. Embora o número possa estar correto (dependendo da figura), a afirmação é incompleta e enganosa: ter dois lotes não significa que sejam homólogos entre si. O híbrido tem um lote de cada espécie, mas esses lotes não são homólogos, então a meiose falha. A alternativa não aborda a consequência funcional da falta de pareamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o híbrido é capaz de formar gametas com pares de cromossomos das duas espécies. Isso é exatamente o oposto do que ocorre: o híbrido não forma gametas viáveis justamente porque não há pares de homólogos entre os cromossomos das duas espécies. A meiose não consegue segregar cromossomos não homólogos corretamente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a correta. O híbrido é incapaz de gerar gametas viáveis por falta de pares de cromossomos homólogos. Os cromossomos de espécies diferentes não são homólogos, então não pareiam na meiose, impedindo a formação de gametas funcionais. Isso resulta em esterilidade, um mecanismo de isolamento reprodutivo pós-zigótico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o híbrido produz células poliploides porque os cromossomos não se duplicam. Há dois erros: (1) o híbrido não é poliploide por definição — ele tem a soma dos genomas, mas não a duplicação de um mesmo genoma; (2) a esterilidade não decorre da falta de duplicação, mas da falta de pareamento de homólogos. A poliploidia, quando ocorre, pode até restaurar a fertilidade, mas não é o caso do híbrido simples.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre quantidade de cromossomos e capacidade de pareamento. O candidato vê "2n = 4" e pensa que há pares, mas os cromossomos são de espécies diferentes e não são homólogos. Lembre-se: o que importa para a fertilidade é o pareamento na meiose, não o número total.
Gabarito: letra D — o híbrido interespecífico é estéril por falta de pares de cromossomos homólogos, impedindo a formação de gametas viáveis.