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Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025

BiologiaGeral
Código
vu213087
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan
Ano
2025
Cargo
Pesq Cie I ( )
46. As vacinas recombinantes representam um avanço significativo na biotecnologia e na imunologia, utilizando tecnologias de DNA recombinante para expressar antígenos específicos que induzem resposta imune protetora. Assinale a alternativa correta acerca do desenvolvimento e funcionamento dessas vacinas.
  1. AUtilizam sempre vírus inteiros atenuados para estimular a resposta imunológica.
  2. BSão incapazes de induzir imunidade celular, dependendo exclusivamente da resposta humoral.
  3. CPodem utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse para indução da resposta imune.
  4. DRequerem obrigatoriamente a administração de adjuvantes para se tornarem eficazes.
  5. ENão podem ser adaptados rapidamente para responder a novas variantes de patógenos emergentes.
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GabaritoC — Podem utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse para indução da resposta imune.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vacinas recombinantes e a biotecnologia da imunização

Gabarito: letra C. As vacinas recombinantes podem, de fato, utilizar vetores virais modificados para introduzir genes que codificam antígenos de interesse, induzindo resposta imune protetora — essa é a essência da tecnologia de DNA recombinante aplicada à imunização. As demais alternativas apresentam erros conceituais: não usam "sempre" vírus atenuados, não dependem exclusivamente da resposta humoral, não exigem obrigatoriamente adjuvantes e podem ser adaptadas rapidamente a novas variantes.

Para entender a questão, é preciso compreender o que são vacinas recombinantes. Elas fazem parte da biotecnologia moderna, que utiliza técnicas de engenharia genética para produzir imunizantes mais seguros e específicos. Diferentemente das vacinas clássicas, que usam o patógeno inteiro (atenuado ou inativado), as recombinantes inserem apenas o material genético que codifica um antígeno específico — ou seja, uma "parte" do microrganismo — em um sistema de expressão, como células de levedura, bactérias ou vetores virais.

O princípio básico é o DNA recombinante: um gene de interesse (por exemplo, o gene que codifica a proteína Spike do SARS-CoV-2) é isolado e inserido em um vetor — que pode ser um plasmídeo bacteriano ou um vírus modificado. Esse vetor é então usado para produzir o antígeno em larga escala ou para ser administrado diretamente no organismo, onde as células passam a produzir o antígeno e desencadeiam a resposta imune. É exatamente isso que a alternativa C descreve: vetores virais modificados carregando genes de antígenos.

Um exemplo clássico é a vacina contra a hepatite B, produzida com o antígeno de superfície do vírus (HBsAg) expresso em leveduras. Outro exemplo recente são as vacinas de vetor viral contra a COVID-19, como a da AstraZeneca (ChAdOx1) e a da Janssen, que utilizam adenovírus modificados para entregar o gene da proteína Spike. Essas vacinas induzem tanto resposta humoral (produção de anticorpos) quanto celular (ativação de linfócitos T), o que derruba a alternativa B.

A alternativa A erra ao afirmar que "sempre" utilizam vírus inteiros atenuados — isso é característica de vacinas atenuadas clássicas, não das recombinantes. A alternativa D erra ao dizer que adjuvantes são "obrigatórios" — embora muitos imunizantes os utilizem para potencializar a resposta, não é um requisito absoluto. A alternativa E erra ao afirmar que não podem ser adaptadas rapidamente — na verdade, uma das grandes vantagens das vacinas recombinantes é justamente a rapidez com que podem ser ajustadas a novas variantes, bastando trocar o gene codificador do antígeno.

A pegadinha da banca está em generalizações absolutas ("sempre", "obrigatoriamente", "não podem") e em confundir as diferentes plataformas vacinais. Guarde a distinção: vacinas atenuadas usam o patógeno vivo enfraquecido; inativadas usam o patógeno morto; recombinantes usam apenas partes genéticas do patógeno, podendo ser produzidas por vetores virais, por DNA/RNA ou por proteínas recombinantes. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as vacinas recombinantes "utilizam sempre vírus inteiros atenuados". Isso é falso: o uso de vírus atenuados é característico das vacinas atenuadas clássicas (como a tríplice viral), não das recombinantes. As recombinantes utilizam apenas o material genético que codifica um antígeno, não o vírus inteiro. O termo "sempre" torna a afirmação ainda mais incorreta, pois há diversas plataformas recombinantes que não envolvem vírus atenuados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que as vacinas recombinantes "são incapazes de induzir imunidade celular, dependendo exclusivamente da resposta humoral". Isso é um erro conceitual grave: as vacinas recombinantes, especialmente as de vetor viral e as de mRNA, induzem tanto a resposta humoral (anticorpos) quanto a celular (linfócitos T citotóxicos). A imunidade celular é essencial para eliminar células infectadas e é ativamente estimulada por essas plataformas. A afirmação de dependência "exclusiva" da resposta humoral é incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta: as vacinas recombinantes podem utilizar vetores virais modificados (como adenovírus) para introduzir genes que codificam antígenos de interesse. O vetor viral atua como um "cavalo de Troia" benigno: ele carrega o gene do antígeno até as células do hospedeiro, que passam a produzir o antígeno e a apresentá-lo ao sistema imunológico, induzindo resposta imune protetora. É exatamente o mecanismo das vacinas de vetor viral contra a COVID-19 e de diversas vacinas em desenvolvimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que as vacinas recombinantes "requerem obrigatoriamente a administração de adjuvantes para se tornarem eficazes". Isso é falso: embora adjuvantes sejam frequentemente usados para potencializar a resposta imune (como o hidróxido de alumínio em algumas vacinas), não são um requisito obrigatório. Muitas vacinas recombinantes são eficazes sem adjuvantes, especialmente as de vetor viral e as de mRNA, que já possuem propriedades imunoestimulantes intrínsecas. O termo "obrigatoriamente" torna a afirmação incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que as vacinas recombinantes "não podem ser adaptados rapidamente para responder a novas variantes de patógenos emergentes". Isso é o oposto da realidade: uma das principais vantagens das vacinas recombinantes é a rapidez de adaptação. Como basta trocar o gene que codifica o antígeno no vetor, é possível atualizar a vacina em questão de semanas ou meses, como ocorreu com as vacinas de mRNA contra as variantes da COVID-19. A afirmação é totalmente contrária ao conhecimento científico atual.

Gabarito: letra C

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