Questão de Biologia — Características dos Vírus — VUNESP 2025
Biologia›Características dos Vírus
Código
vu213097
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan
Ano
2025
Cargo
Pesq Cie I ( )
recente emergência de infecções humanas pelo vírus influenza H5N1 intensificou o debate sobre os fatores moleculares que determinam a adaptação de vírus aviários ao trato respiratório humano. Com base nesse cenário, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o papel do reconhecimento do ácido siálico pelas hemaglutininas virais nesse processo.
AA especificidade da hemaglutinina por α-2,3-sialilglicanos, presentes predominantemente no epitélio intestinal de aves, é mantida durante a adaptação a humanos e favorece a infecção nas vias aéreas superiores.
BA adaptação do H5N1 à transmissão eficiente entre humanos requer mutações que aumentem a afinidade da hemaglutinina por α-2,6-sialil-glicanos, mais abundantes no trato respiratório superior humano.
CA capacidade do H5N1 de infectar humanos independe da especificidade de ligação ao ácido siálico, sendo regulada principalmente por fatores do hospedeiro como expressão de IFN-λ.
DO tropismo do H5N1 por humanos depende da perda da função da neuraminidase, o que favorece o acúmulo de receptores no epitélio respiratório.
EA ligação ao ácido siálico α-2,6 é característica exclusiva de vírus influenza humanos sazonais, estando ausente em qualquer subtipo H5.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — A ligação ao ácido siálico α-2,6 é característica exclusiva de vírus influenza humanos sazonais, estando ausente em qualquer subtipo H5.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vírus influenza: hemaglutinina e reconhecimento do ácido siálico
Gabarito: letra B. A adaptação do H5N1 à transmissão eficiente entre humanos requer mutações que aumentem a afinidade da hemaglutinina por α-2,6-sialilglicanos, mais abundantes no trato respiratório superior humano. Essa é a base molecular do salto de espécie: vírus aviários reconhecem preferencialmente α-2,3, enquanto vírus humanos reconhecem α-2,6 — e a troca de especificidade é o que permite a infecção e a transmissão entre pessoas.
O vírus influenza possui duas glicoproteínas de superfície essenciais: a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N). A hemaglutinina é a "chave" que permite ao vírus se ligar a receptores específicos na superfície da célula hospedeira — os ácidos siálicos. Essa ligação é o primeiro passo da infecção viral, e é altamente específica: funciona como um encaixe chave-fechadura. A especificidade da hemaglutinina determina quais células o vírus consegue infectar e, portanto, quais espécies ele pode contaminar.
Os ácidos siálicos estão presentes em diferentes tipos de ligação glicosídica: α-2,3 e α-2,6. A distribuição desses receptores varia entre espécies e entre tecidos. Nas aves, o epitélio intestinal é rico em α-2,3-sialilglicanos, o que explica o tropismo dos vírus aviários pelo trato gastrointestinal das aves. Já no trato respiratório superior humano, predominam os α-2,6-sialilglicanos. Essa diferença é a barreira molecular que impede a maioria dos vírus aviários de infectar humanos de forma eficiente.
A adaptação do H5N1 ao hospedeiro humano envolve, portanto, mutações na hemaglutinina que alteram sua especificidade de ligação: de α-2,3 (aviário) para α-2,6 (humano). Essa mudança é um dos fatores críticos para a transmissão sustentada entre humanos, pois permite que o vírus se ligue e entre nas células do trato respiratório superior humano, onde os receptores α-2,6 são abundantes. O contexto menciona que "recentes estudos genéticos da hemaglutinina do vírus da gripe aviária asiática mostraram que bastaria uma única mutação para permitir que esse vírus adquirisse a capacidade de se ligar a receptores humanos e, assim, ser transmitido de uma pessoa para outra." Isso reforça a importância da especificidade da hemaglutinina no salto de espécie.
A pegadinha da banca está em inverter a especificidade: apresentar a ligação α-2,3 como se fosse a adaptação necessária para humanos, quando na verdade é a α-2,6. Além disso, a alternativa E tenta generalizar de forma incorreta, afirmando que a ligação α-2,6 é exclusiva de vírus humanos sazonais, o que não é verdade — alguns vírus aviários, como certos H5, já apresentam afinidade por α-2,6, e a evolução pode selecionar essa característica. A alternativa D confunde o papel da neuraminidase, que é clivar o ácido siálico para liberar os novos vírus, e não acumular receptores. A alternativa C nega a importância da especificidade, o que contraria o mecanismo molecular básico da infecção.
Guarde a fronteira entre α-2,3 e α-2,6: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A correta é a que associa a adaptação ao reconhecimento de α-2,6 no trato respiratório superior humano.
Hemaglutinina (H)
1Reconhece ácido siálico
α-2,3 (aviário)
Epitélio intestinal das aves
α-2,6 (humano)
Trato respiratório superior
2Adaptação do H5N1 a humanos
Manter α-2,3 (não adapta)
Mutações para α-2,6 (transmissão eficiente)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a especificidade por α-2,3-sialilglicanos é mantida durante a adaptação a humanos e favorece a infecção nas vias aéreas superiores. Isso está invertido: os α-2,3-sialilglicanos predominam no epitélio intestinal das aves, não no trato respiratório superior humano. A adaptação ao hospedeiro humano exige justamente a troca para α-2,6, não a manutenção de α-2,3. A alternativa confunde o receptor aviário com o humano, errando o sentido da adaptação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a adaptação do H5N1 à transmissão eficiente entre humanos requer mutações que aumentem a afinidade da hemaglutinina por α-2,6-sialilglicanos, mais abundantes no trato respiratório superior humano. Isso é exatamente o que a literatura científica descreve: a mudança de especificidade de α-2,3 para α-2,6 é um passo crucial para o vírus aviário conseguir infectar e se transmitir entre humanos. O contexto reforça que uma única mutação na hemaglutinina poderia permitir a ligação a receptores humanos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a capacidade do H5N1 de infectar humanos independe da especificidade de ligação ao ácido siálico, sendo regulada principalmente por fatores do hospedeiro como IFN-λ. Isso é falso: a especificidade da hemaglutinina é um determinante molecular fundamental do tropismo viral. Sem a ligação adequada ao receptor, o vírus não consegue entrar na célula. Embora fatores do hospedeiro influenciem a resposta imune, eles não substituem a necessidade do reconhecimento do ácido siálico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o tropismo do H5N1 por humanos depende da perda da função da neuraminidase, o que favoreceria o acúmulo de receptores no epitélio respiratório. Isso é um erro conceitual: a neuraminidase é a enzima que cliva o ácido siálico, permitindo a liberação dos novos vírus da célula infectada. A perda de sua função dificultaria a disseminação viral, não a favoreceria. O tropismo é determinado pela hemaglutinina, não pela neuraminidase.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a ligação ao ácido siálico α-2,6 é característica exclusiva de vírus influenza humanos sazonais, estando ausente em qualquer subtipo H5. Isso é uma generalização incorreta. Embora a preferência por α-2,6 seja típica de vírus adaptados a humanos, alguns vírus aviários, incluindo certos subtipos H5, já apresentam afinidade por α-2,6 ou podem adquiri-la por mutação. A exclusividade absoluta não existe, e a evolução pode selecionar essa característica em linhagens aviárias.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a especificidade dos receptores: apresenta α-2,3 como se fosse a adaptação para humanos, quando na verdade é α-2,6. Fique atento: aves = α-2,3 (intestino); humanos = α-2,6 (trato respiratório superior). A adaptação do H5N1 exige a troca para α-2,6. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe: "Ave come α-2,3 no intestino; Humano respira α-2,6 no pulmão." Quando a questão falar de adaptação de vírus aviário a humanos, a resposta quase sempre envolve a mudança de α-2,3 para α-2,6 na hemaglutinina.