Questão de Biologia — Controle de Vetores e Zoonoses — VUNESP 2025
Biologia›Controle de Vetores e Zoonoses
Código
vu213102
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Jundiaí
Ano
2025
Cargo
Bio ( )
conhecimento sobre endemias e doenças reemergentes é fundamental para a vigilância em saúde pública. Endemias são doenças com ocorrência constante em determinada região, com padrões relativamente previsíveis. Já doenças reemergentes são aquelas que haviam sido controladas, mas voltam a representar ameaça à saúde, muitas vezes associadas a mudanças ambientais, resistência a medicamentos ou falhas em programas de vacinação. Tendo em vista essas definições e a situação atual, constata- se que
Aa malária é uma doença reemergente associada ao uso incorreto de medicamentos controlados.
Ba cólera, ao ressurgir em áreas com saneamento precário, é classificada como doença reemergente.
Ca febre amarela urbana é considerada uma endemia no Brasil por sua ocorrência contínua em grandes centros.
Da dengue é uma doença emergente de zonas temperadas brasileiras, com média incidência nacional.
Ea hanseníase, ao apresentar surtos esporádicos, é classificada como uma doença emergente viral.
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GabaritoB — a cólera, ao ressurgir em áreas com saneamento precário, é classificada como doença reemergente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Endemias, doenças emergentes e reemergentes: conceitos e exemplos
Gabarito: letra B. A cólera, ao ressurgir em áreas com saneamento precário, é corretamente classificada como doença reemergente, pois se trata de uma enfermidade que já foi controlada e voltou a representar ameaça à saúde pública. O conceito de doença reemergente — que o enunciado define como aquela que "havia sido controlada, mas volta a representar ameaça" — é o critério central que separa a alternativa correta das demais.
Para entender a questão, é preciso dominar três conceitos epidemiológicos distintos, que frequentemente se confundem: endemia, epidemia e doença emergente/reemergente. A endemia é a ocorrência habitual e constante de uma doença em determinada região, com incidência relativamente previsível ao longo do tempo — a dengue, por exemplo, é endêmica em grande parte do território brasileiro, pois circula de forma contínua. A epidemia é a elevação súbita e acima do esperado do número de casos em uma região e período específicos. Já as doenças emergentes são aquelas que surgem como problema novo de saúde pública — seja por serem recém-descobertas, seja por atingirem populações que antes não eram afetadas — enquanto as reemergentes são doenças que já existiam e foram controladas, mas voltaram a se espalhar, geralmente por fatores como falhas na vigilância sanitária, resistência a medicamentos, mudanças ambientais ou queda na cobertura vacinal.
A distinção entre emergente e reemergente é sutil, mas decisiva: a doença emergente é uma ameaça nova (como a COVID-19 em 2019/2020, ou a febre amarela silvestre se expandindo para áreas antes livres), enquanto a reemergente é uma ameaça que retorna após ter sido controlada. A cólera é o exemplo clássico de doença reemergente: doença bacteriana intestinal transmitida por água e alimentos contaminados, que foi praticamente eliminada de várias regiões com a implantação de saneamento básico, mas que ressurge quando as condições sanitárias se deterioram — exatamente o cenário descrito na alternativa B. A tuberculose e a dengue também são frequentemente citadas como doenças reemergentes, a primeira pela resistência bacteriana e a segunda pela expansão do mosquito vetor.
A pegadinha que a banca explora nesta questão é a troca de classificações epidemiológicas entre as doenças: cada alternativa distorce o conceito ao aplicar o rótulo errado à doença errada, ou ao associar a doença a um mecanismo de transmissão que não lhe corresponde. O candidato que domina apenas a definição genérica de "reemergente" pode acertar, mas quem conhece as características específicas de cada doença — agente etiológico, forma de transmissão, situação epidemiológica no Brasil — resolve a questão com muito mais segurança. Guarde o par conceito × exemplo: é exatamente nessa correspondência que as alternativas se dividem.
Doença
Agente Etiológico
Transmissão
Classificação Epidemiológica (no Brasil)
Malária
Protozoário (Plasmodium)
Picada do mosquito Anopheles
Endêmica (região amazônica)
Cólera
Bactéria (Vibrio cholerae)
Água e alimentos contaminados
Reemergente (associada a saneamento precário)
Febre amarela urbana
Vírus
Mosquito Aedes aegypti
Erradicada desde 1942 (não endêmica)
Dengue
Vírus
Mosquito Aedes aegypti
Endêmica (ocorrência contínua)
Hanseníase
Bactéria (Mycobacterium leprae)
Vias respiratórias (contato prolongado)
Endêmica (não emergente, não viral)
Doenças (classificação epidemiológica): Endemia (Ocorrência constante e previsível, Ex.: dengue, malária (Amazônia)); Epidemia (Elevação súbita de casos); Emergente (Ameaça nova, Ex.: COVID-19); Reemergente (Controlada, mas voltou, Ex.: cólera, tuberculose)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A malária é uma doença parasitária (causada por protozoários do gênero Plasmodium), transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, e não uma doença associada ao uso incorreto de medicamentos controlados. Além disso, a malária é considerada endêmica na região amazônica brasileira, e não uma doença reemergente. A alternativa erra duplamente: no agente/forma de transmissão e na classificação epidemiológica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cólera é uma doença bacteriana intestinal (causada pelo Vibrio cholerae) transmitida por água e alimentos contaminados, diretamente associada à falta de saneamento básico. Historicamente controlada em diversas regiões, ela ressurge quando as condições sanitárias se deterioram — exatamente o cenário descrito na alternativa. Isso a enquadra perfeitamente na definição de doença reemergente apresentada no enunciado: "haviam sido controladas, mas voltam a representar ameaça à saúde". A alternativa está correta porque aplica o conceito ao exemplo adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A febre amarela urbana não é considerada endêmica no Brasil — na verdade, o ciclo urbano da doença (transmitido pelo Aedes aegypti) está erradicado no país desde 1942. O que existe hoje é a febre amarela silvestre (transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes), que ocorre em áreas de mata e pode se expandir para regiões de transição. A alternativa erra ao afirmar que a forma urbana é endêmica em grandes centros.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e não uma doença "emergente de zonas temperadas". No Brasil, a dengue é endêmica — ocorre de forma contínua em praticamente todo o território nacional, com picos epidêmicos sazonais — e não uma doença restrita a zonas temperadas ou de surgimento recente. A alternativa erra na classificação epidemiológica e na distribuição geográfica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hanseníase é uma doença bacteriana crônica (causada pelo Mycobacterium leprae), e não uma doença viral. Além disso, ela não é classificada como doença emergente — é uma doença endêmica em algumas regiões do Brasil, com ocorrência contínua, e não uma doença que surgiu recentemente. A alternativa erra no agente etiológico (bactéria, não vírus) e na classificação epidemiológica (endêmica, não emergente).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar as classificações epidemiológicas entre as doenças para confundir o candidato. Nesta questão, cada alternativa errada aplica um rótulo incorreto: a malária não é reemergente (é endêmica na Amazônia), a febre amarela urbana não é endêmica (está erradicada), a dengue não é emergente de zonas temperadas (é endêmica no Brasil) e a hanseníase não é viral (é bacteriana). A única que acerta a correspondência conceito × exemplo é a cólera como reemergente. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de epidemiologia, monte um quadro mental com quatro colunas: doença → agente etiológico → forma de transmissão → classificação epidemiológica no Brasil. Preencha com as doenças mais cobradas (dengue, malária, febre amarela, cólera, tuberculose, hanseníase, leptospirose, zika, chikungunya). Quando a alternativa misturar esses elementos, você identifica o erro na hora.