Questão de Biologia — Filogenia e Cladogramas — VUNESP 2025
Biologia›Filogenia e Cladogramas
Código
vu213116
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC SP
Ano
2025
Cargo
Prof EFM ( )
A partir de estudos que comparam as diversas características evolutivas apresentadas pelos seres vivos, os pesquisadores elaboram árvores filogenéticas, também denominadas cladogramas, que mostram as relações evolutivas entre eles. A ilustração a seguir mostra uma árvore filogenética que representa uma das hipóteses sobre as relações evolutivas, relacionadas ao desenvolvimento embrionário, entre os principais grupos de animais. Os números nessa árvore filogenética representam novidades evolutivas, sendo que o número
A1 corresponde à simetria radial e 3 a animais acelomados.
B2 corresponde a animais diblásticos e 4 à presença de mesoderme.
C1 corresponde à presença de tecidos verdadeiros e 2 à simetria bilateral.
D3 corresponde a animais com celoma e 5 a esquizocelomados.
E5 corresponde a animais deuterostômios e 6 a enterocelomados.
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GabaritoC — 1 corresponde à presença de tecidos verdadeiros e 2 à simetria bilateral.
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Filogenia e novidades evolutivas nos animais
Gabarito: letra C. Em uma árvore filogenética, cada ramificação (nó) representa uma novidade evolutiva compartilhada por todos os grupos que descendem daquele ponto. Na árvore que relaciona os principais filos animais, o número 1 marca a origem dos tecidos verdadeiros (animais eumetazoários, como cnidários e todos os demais), e o número 2 marca a origem da simetria bilateral (grupo Bilateria). A alternativa C é a única que associa corretamente os números às novidades evolutivas.
Para entender a questão, é preciso dominar o conceito de árvore filogenética (ou cladograma). Ela é um diagrama que representa hipóteses de parentesco evolutivo entre grupos de seres vivos. Cada ponto de ramificação (nó) indica um ancestral comum hipotético, e as características que surgem nesse ancestral e são transmitidas a todos os seus descendentes são chamadas de novidades evolutivas (ou sinapomorfias). Ao longo do tronco principal da árvore, essas novidades vão se acumulando: quanto mais próximo do topo, mais características o grupo possui.
No caso dos animais, a sequência clássica de aquisições evolutivas, do ancestral mais antigo para os grupos mais derivados, é:
Tecidos verdadeiros (Eumetazoa): surge nos cnidários e está presente em todos os animais, exceto poríferos.
Simetria bilateral (Bilateria): surge nos platelmintos e está presente em todos os animais com simetria bilateral (incluindo moluscos, anelídeos, artrópodes, equinodermos e cordados).
Celoma (Celomados): cavidade corporal revestida por mesoderme, presente em moluscos, anelídeos, artrópodes, equinodermos e cordados.
Deuterostomia: grupo que inclui equinodermos e cordados, caracterizado pelo desenvolvimento embrionário em que o blastóporo origina o ânus.
A pegadinha da banca está em associar os números da árvore a características que não correspondem à posição em que eles aparecem. Por exemplo, a simetria radial é uma característica dos cnidários, mas ela não é uma novidade evolutiva que define um grande grupo na árvore — é uma condição ancestral dos eumetazoários, não uma sinapomorfia de um clado. Já a presença de mesoderme (animais triblásticos) surge junto com a simetria bilateral, mas a alternativa B a coloca no número 4, que na árvore corresponde ao celoma.
Guarde a sequência das novidades evolutivas na ordem em que aparecem na árvore: tecidos verdadeiros → simetria bilateral → celoma → deuterostomia. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam confundir.
1Tecidos verdadeiros
2Simetria bilateral
3Celoma
4Deuterostomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que 1 corresponde à simetria radial e 3 a animais acelomados. O número 1, na base da árvore, marca o surgimento dos tecidos verdadeiros (Eumetazoa), não a simetria radial. A simetria radial é uma característica dos cnidários, mas não é uma novidade evolutiva que define um clado na árvore — é uma condição ancestral dos eumetazoários. Já o número 3, que aparece após a simetria bilateral, corresponde ao celoma (animais celomados), não a animais acelomados. Os acelomados (como platelmintos) não possuem celoma e estão representados antes do número 3.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que 2 corresponde a animais diblásticos e 4 à presença de mesoderme. O número 2 marca o surgimento da simetria bilateral (Bilateria), não de animais diblásticos. Animais diblásticos (com dois folhetos embrionários: ectoderme e endoderme) são os cnidários, que aparecem antes do número 2. A presença de mesoderme (animais triblásticos) surge junto com a simetria bilateral, mas o número 4, na árvore, corresponde ao celoma (cavidade corporal revestida por mesoderme), não à mesoderme em si. A mesoderme já está presente nos animais triblásticos, que incluem os acelomados (platelmintos) e pseudocelomados (nematódeos), antes do número 4.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que 1 corresponde à presença de tecidos verdadeiros e 2 à simetria bilateral. Isso está correto. O número 1, na base da árvore, marca o surgimento dos tecidos verdadeiros (Eumetazoa), característica presente em todos os animais, exceto poríferos. O número 2 marca o surgimento da simetria bilateral (Bilateria), característica presente em todos os animais com simetria bilateral, incluindo platelmintos, moluscos, anelídeos, artrópodes, equinodermos e cordados. A alternativa espelha exatamente a sequência de novidades evolutivas na árvore.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que 3 corresponde a animais com celoma e 5 a esquizocelomados. O número 3, de fato, corresponde ao celoma (animais celomados), o que está correto. No entanto, o número 5, que aparece após o celoma, corresponde à deuterostomia (grupo que inclui equinodermos e cordados), não a esquizocelomados. Esquizocelomados são animais em que o celoma se forma por esquizocelia (como moluscos, anelídeos e artrópodes), mas essa não é uma novidade evolutiva que define um clado na árvore — é um tipo de desenvolvimento do celoma dentro dos protostômios. A alternativa erra ao associar o número 5 a esquizocelomados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que 5 corresponde a animais deuterostômios e 6 a enterocelomados. O número 5, de fato, corresponde à deuterostomia (grupo que inclui equinodermos e cordados), o que está correto. No entanto, o número 6, que aparece após a deuterostomia, corresponde ao surgimento de características específicas dos cordados (como a notocorda), não a enterocelomados. Enterocelomados são animais em que o celoma se forma por enterocelia (como equinodermos e cordados), mas essa não é uma novidade evolutiva que define um clado na árvore — é um tipo de desenvolvimento do celoma dentro dos deuterostômios. A alternativa erra ao associar o número 6 a enterocelomados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar as novidades evolutivas de posição na árvore. Aqui, ela coloca a simetria radial no lugar dos tecidos verdadeiros (alternativa A), a mesoderme no lugar do celoma (alternativa B), e os esquizocelomados/enterocelomados no lugar da deuterostomia (alternativas D e E). A chave é lembrar a ordem: tecidos verdadeiros → simetria bilateral → celoma → deuterostomia. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪