Dupla fecundação nas angiospermas
Gabarito: letra D. Na dupla fecundação, um núcleo espermático (gameta masculino, n) fecunda a oosfera (n), formando o zigoto diploide (2n), que dará origem ao embrião; o outro núcleo espermático funde-se aos dois núcleos polares da célula central, originando o endosperma triploide (3n), tecido de reserva que nutrirá o embrião. Esse é o mecanismo exclusivo das angiospermas, conforme descrito no estudo da reprodução desse grupo.
A dupla fecundação é um dos eventos mais marcantes da reprodução das angiospermas e representa uma adaptação evolutiva que as distingue de todos os outros grupos vegetais. Para entender o processo, é preciso primeiro compreender a estrutura do gametófito feminino, o saco embrionário. Ele se desenvolve a partir do megásporo funcional e, nas angiospermas, é formado por sete células haploides: a oosfera (gameta feminino), duas sinérgides, três antípodas e a célula central, que contém dois núcleos polares. Quando o grão de pólen germina no estigma, forma-se o tubo polínico, que cresce pelo estilete até o ovário, penetrando no óvulo pela micrópila. Dentro do saco embrionário, o tubo polínico libera dois núcleos espermáticos: um deles fecunda a oosfera, e o outro se funde aos dois núcleos polares da célula central. É exatamente essa dupla fusão que dá nome ao processo.
O resultado dessa dupla fecundação é a formação de duas estruturas distintas: o zigoto (2n), que se desenvolve no embrião da futura planta, e o endosperma (3n), um tecido de reserva nutritiva que alimenta o embrião durante a germinação. Nas gimnospermas, por outro lado, não há dupla fecundação: o endosperma é formado diretamente a partir do gametófito feminino, sem fusão de gametas, sendo haploide (n). Essa diferença é fundamental para distinguir os dois grupos e é um dos critérios que a banca explora.
A importância da dupla fecundação vai além da simples formação de tecidos: ela garante que o endosperma só se desenvolva quando a oosfera foi efetivamente fecundada, evitando o desperdício de recursos da planta. É uma estratégia evolutiva que confere eficiência ao processo reprodutivo das angiospermas, contribuindo para o sucesso do grupo, que domina a vegetação atual do planeta.
A pegadinha clássica desta questão é confundir os destinos dos dois núcleos espermáticos. Muitos candidatos lembram que um fecunda a oosfera, mas erram ao dizer que o outro fecunda "outra oosfera" ou "o tubo polínico". O correto é que o segundo núcleo espermático se funde aos núcleos polares da célula central, formando o endosperma triploide. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que um núcleo espermático fecunda a oosfera e o outro, o tubo polínico. O erro está no segundo destino: o tubo polínico é apenas a estrutura de transporte dos núcleos espermáticos, não um alvo de fecundação. O segundo núcleo espermático funde-se aos núcleos polares da célula central, formando o endosperma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que um núcleo espermático fecunda a primeira oosfera e o outro, a segunda oosfera. Não existem duas oosferas no saco embrionário das angiospermas — há apenas uma oosfera. O segundo núcleo espermático não fecunda outra oosfera, mas sim os núcleos polares da célula central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que dois núcleos espermáticos fecundam uma oosfera. Isso não ocorre: apenas um núcleo espermático fecunda a oosfera, formando o zigoto diploide. O outro núcleo espermático tem destino distinto, fundindo-se aos núcleos polares.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o processo: um núcleo espermático fecunda a oosfera, formando o zigoto (2n), e o outro se funde aos núcleos polares da célula central, originando o endosperma triploide (3n). Essa é a definição precisa da dupla fecundação, mecanismo exclusivo das angiospermas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que um núcleo espermático fecunda duas oosferas. Não há duas oosferas no saco embrionário; há apenas uma. O segundo núcleo espermático não fecunda outra oosfera, mas sim os núcleos polares.
A dupla fecundação é, portanto, a fusão de um gameta masculino com a oosfera e do outro com os núcleos polares, resultando em zigoto e endosperma. Esse processo é uma das principais adaptações que garantiram o sucesso reprodutivo das angiospermas, permitindo a formação de sementes com tecido de reserva eficiente.
Gabarito: letra D