Questão de Biologia — Biogeografia: Aspectos Gerais — VUNESP 2025
Biologia›Biogeografia: Aspectos Gerais
Código
vu213202
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Doc ( )
A teoria da evolução biológica é sustentada por um conjunto diverso de evidências, como a Anatomia Comparada, a Embriologia, a Paleontologia, a Genética e a Biogeografia. Essas evidências reforçam a ideia de ancestralidade comum e de modificações ao longo do tempo. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma evidência da evolução e sua respectiva interpretação.
AA presença de fósseis de organismos extintos idênticos aos atuais comprova que as espécies sofrem poucas modificações.
BA semelhança entre estruturas análogas indica origem comum e evolução convergente entre os grupos.
CA semelhança de padrões embrionários entre vertebrados sugere ancestralidade comum e evolução divergente.
DA distribuição geográfica de espécies com semelhanças morfológicas, mas isoladas entre continentes, sustenta a seleção artificial como mecanismo de especiação.
EA existência de órgãos vestigiais funcionais indica adaptação ativa de estruturas às novas funções adquiridas.
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GabaritoC — A semelhança de padrões embrionários entre vertebrados sugere ancestralidade comum e evolução divergente.
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Evidências da evolução biológica
Gabarito: letra C. A semelhança de padrões embrionários entre vertebrados é uma evidência clássica de ancestralidade comum, indicando que grupos que compartilham estágios iniciais de desenvolvimento provavelmente descendem de um ancestral comum e, a partir dele, divergiram — é exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais como homologia, analogia, seleção artificial e órgãos vestigiais.
A evolução biológica é sustentada por um conjunto de evidências que, juntas, reforçam a ideia de que todos os seres vivos compartilham um ancestral comum e se modificam ao longo do tempo. Essas evidências vêm de áreas como a Paleontologia (fósseis), a Anatomia Comparada (estudo de estruturas homólogas e análogas), a Embriologia (comparação de padrões de desenvolvimento), a Genética (semelhanças moleculares) e a Biogeografia (distribuição geográfica das espécies).
A Embriologia Comparada é uma das evidências mais poderosas: durante o desenvolvimento embrionário, muitos grupos de animais apresentam estágios iniciais muito semelhantes, mesmo que os adultos sejam completamente diferentes. Por exemplo, embriões de vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) possuem, em fases iniciais, estruturas como fendas faringianas e cauda, que depois se desenvolvem de formas distintas em cada grupo. Essa semelhança inicial é explicada pela ancestralidade comum: quanto mais próximos evolutivamente, mais semelhantes são os padrões embrionários. A partir desse ancestral comum, os grupos divergiram, acumulando diferenças que resultam na diversidade atual — o que chamamos de evolução divergente.
É importante distinguir os conceitos de homologia e analogia, que são frequentemente confundidos. Estruturas homólogas são aquelas que têm a mesma origem embrionária, mas podem ter funções diferentes (como o braço humano e a asa do morcego) — elas indicam ancestralidade comum e evolução divergente. Já as estruturas análogas têm funções semelhantes, mas origens embrionárias diferentes (como a asa de um inseto e a asa de uma ave) — elas indicam evolução convergente, ou seja, adaptação a modos de vida semelhantes, sem necessariamente compartilhar um ancestral comum recente.
Os fósseis são outra evidência crucial: eles mostram que organismos do passado eram diferentes dos atuais e que houve uma sequência de modificações ao longo do tempo geológico. A comparação entre fósseis e seres atuais revela tanto semelhanças quanto diferenças, fortalecendo a ideia de que as espécies mudam. Os órgãos vestigiais (como o apêndice humano ou os ossos da bacia em baleias) são estruturas que, em ancestrais, tinham função, mas que nos atuais são reduzidas ou sem função aparente — são evidências de que a evolução não cria estruturas perfeitas, mas modifica o que já existe.
A Biogeografia também fornece evidências: espécies com semelhanças morfológicas, mas isoladas geograficamente (como em continentes diferentes), sugerem que compartilham um ancestral comum e que a separação geográfica levou à especiação. Esse processo é natural, não artificial — a seleção natural atua sobre a variabilidade genética, enquanto a seleção artificial é um processo conduzido pelo ser humano, como na domesticação de plantas e animais.
A pegadinha desta questão está em inverter os conceitos de homologia/analogia e de evolução convergente/divergente, além de atribuir mecanismos errados (como seleção artificial) a processos naturais. Guarde a fronteira entre homologia (origem comum → divergência) e analogia (função semelhante → convergência): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Evidência
Interpretação correta
Conceito-chave
Semelhança de padrões embrionários entre vertebrados
Ancestralidade comum e evolução divergente
Embriologia Comparada
Estruturas homólogas (ex.: braço humano e asa de morcego)
Origem embrionária comum, funções diferentes
Ancestralidade comum e evolução divergente
Estruturas análogas (ex.: asa de inseto e asa de ave)
Funções semelhantes, origens embrionárias diferentes
Evolução convergente
Fósseis de organismos extintos
Organismos do passado diferentes dos atuais; sequência de modificações
Paleontologia
Órgãos vestigiais (ex.: apêndice humano, bacia em baleias)
Estruturas reduzidas, sem função aparente; herança de ancestrais
Ancestralidade comum
Distribuição geográfica de espécies semelhantes isoladas
Ancestral comum e especiação por isolamento geográfico
Biogeografia e seleção natural
Evidências da evolução: Embriologia Comparada (Padrões semelhantes entre vertebrados, Ancestralidade comum → divergência); Anatomia Comparada (Homólogas: mesma origem → divergência, Análogas: mesma função → convergência); Paleontologia (Fósseis mostram mudança ao longo do tempo); Biogeografia (Isolamento geográfico → especiação natural); Órgãos vestigiais (Reduzidos, sem função aparente, Indicam ancestralidade comum)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que fósseis de organismos extintos idênticos aos atuais comprovam que as espécies sofrem poucas modificações. Isso é o oposto do que a Paleontologia demonstra: os fósseis mostram que os organismos do passado eram diferentes dos atuais, evidenciando que as espécies se modificam ao longo do tempo. A existência de fósseis idênticos aos atuais seria uma exceção (espécies que mudaram pouco), não a regra, e certamente não "comprova" poucas modificações — a evidência fóssil, na verdade, sustenta a mudança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que estruturas análogas indicam origem comum e evolução convergente. Há um erro duplo: estruturas análogas têm origens embrionárias diferentes (não origem comum) e indicam evolução convergente (adaptação a modos de vida semelhantes). A origem comum é indicada por estruturas homólogas, que compartilham a mesma origem embrionária e indicam evolução divergente. A banca troca os conceitos de homologia e analogia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a semelhança de padrões embrionários entre vertebrados sugere ancestralidade comum e evolução divergente. Isso está correto: a Embriologia Comparada mostra que embriões de grupos diferentes compartilham estágios iniciais semelhantes, o que é explicado pela ancestralidade comum. A partir desse ancestral, os grupos divergiram, acumulando diferenças — evolução divergente. É a interpretação correta da evidência embrionária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a distribuição geográfica de espécies com semelhanças morfológicas, mas isoladas entre continentes, sustenta a seleção artificial como mecanismo de especiação. O erro está em atribuir à seleção artificial um processo que é natural. A Biogeografia, nesse caso, sustenta a seleção natural e a especiação por isolamento geográfico (especiação alopátrica), não a seleção artificial, que é conduzida pelo ser humano.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que órgãos vestigiais funcionais indicam adaptação ativa de estruturas às novas funções. Há dois erros: órgãos vestigiais são, por definição, estruturas reduzidas e sem função aparente (ou com função muito reduzida) — não são funcionais. Além disso, a evolução não é um processo "ativo" de adaptação; ela ocorre por seleção natural sobre a variabilidade genética, sem intencionalidade. Órgãos vestigiais indicam ancestralidade comum, não adaptação ativa.