Pular para o conteúdo principal

Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025

BiologiaGeral
Código
vu213214
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CFO/QC ( )

Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, cientistas observaram uma mudança interessante na população de mariposas da espécie Biston betularia. Antes da industrialização, a maioria das mariposas era de coloração clara, o que lhes permitia camuflar-se nos troncos de árvores cobertos por líquens. No entanto, com o aumento da poluição e da fuligem sobre as árvores, as mariposas escuras passaram a ser mais frequentes.

 

A partir dos princípios da seleção natural propostos por Charles Darwin, a explicação para esse ocorrido é que as mariposas

  1. Aclaras e escuras sofreram uma seleção natural do tipo disruptiva.
  2. Bclaras se metamorfosearam em mariposas escuras para se adaptarem.
  3. Cclaras tiveram seus fenótipos transformados por mutação.
  4. Descuras foram mais preservadas e se reproduziram mais.
  5. Eescuras foram artificialmente selecionadas pelos humanos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — escuras foram mais preservadas e se reproduziram mais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Seleção natural e o melanismo industrial da Biston betularia

Gabarito: letra D. A explicação darwinista para o aumento das mariposas escuras é que, com os troncos enegrecidos pela fuligem, as formas melânicas passaram a ser menos visíveis aos predadores, sobrevivendo mais e se reproduzindo mais — exatamente o que a alternativa D afirma. Esse é o mecanismo central da seleção natural: a sobrevivência diferencial e a reprodução dos indivíduos mais adaptados ao ambiente.

O caso das mariposas da espécie Biston betularia durante a Revolução Industrial é o exemplo clássico de seleção natural observada em tempo real, conhecido como melanismo industrial. Antes da industrialização, os troncos das árvores eram cobertos por líquens claros, e as mariposas de coloração clara se camuflavam bem, enquanto as escuras eram facilmente vistas e predadas por pássaros. Com a poluição, a fuligem escureceu os troncos e destruiu os líquens, invertendo a situação: agora as mariposas escuras se camuflavam, e as claras se tornaram alvos fáceis.

É fundamental entender que a seleção natural não age sobre o indivíduo, mas sobre a população, atuando na variação que já existe entre os indivíduos. A mutação que originou a forma melânica ocorreu de forma aleatória e espontânea, antes mesmo da poluição — não foi "provocada" pelo ambiente. O que a seleção natural fez foi favorecer os indivíduos portadores dessa variação, que passaram a sobreviver mais e deixar mais descendentes. Com o tempo, a frequência do alelo para coloração escura aumentou na população.

A confusão mais comum neste tema é atribuir ao ambiente um papel transformador (como se as mariposas mudassem de cor para se adaptar), quando na verdade o ambiente atua como seletor de variações preexistentes. Essa distinção é o coração da teoria de Darwin e separa a seleção natural do lamarckismo — que defendia o uso e desuso e a herança de características adquiridas. A alternativa B, por exemplo, cai exatamente nessa armadilha ao dizer que as mariposas "se metamorfosearam para se adaptar".

Outro ponto importante: a seleção natural atua sobre o fenótipo (a característica visível), mas o que é transmitido às gerações seguintes é o genótipo (a informação genética). As mariposas escuras não "passaram" sua cor para as filhas por um esforço próprio; elas sobreviveram mais, reproduziram-se mais e, por isso, seus genes — incluindo o alelo para a coloração escura — tornaram-se mais frequentes na população. É esse processo de reprodução diferencial que a alternativa D captura com precisão.

Guarde o critério decisivo para esta questão: a seleção natural preserva e favorece variações que aumentam a sobrevivência e a reprodução no ambiente atual — ela não cria, não transforma e não é dirigida por necessidade. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

1Variação preexiste
Mutação aleatória e espontânea
Ambiente não transforma
2Ambiente seleciona
Favorece os mais adaptados
Sobrevivem e reproduzem mais
3Atua na população
Fenótipo selecionado
Genótipo transmitido
4Tipos
Direcional (favorece 1 extremo)
Disruptiva (favorece 2 extremos)
Estabilizadora (favorece intermediário)
Seleção natural (Darwin)
LEVELsoulevel.com.br
Seleção natural (Darwin): Variação preexiste (Mutação aleatória e espontânea, Ambiente não transforma); Ambiente seleciona (Favorece os mais adaptados, Sobrevivem e reproduzem mais); Atua na população (Fenótipo selecionado, Genótipo transmitido); Tipos (Direcional (favorece 1 extremo), Disruptiva (favorece 2 extremos), Estabilizadora (favorece intermediário))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A seleção disruptiva favorece os dois extremos de uma característica e desfavorece a forma intermediária. No caso das mariposas, houve favorecimento de um extremo (o escuro) em detrimento do outro (o claro) nas áreas poluídas — o que caracteriza a seleção direcional, não a disruptiva. A seleção disruptiva seria observada, por exemplo, se tanto as formas muito claras quanto as muito escuras fossem favorecidas em detrimento das intermediárias.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esta alternativa reflete uma visão lamarckista (ou teleológica) do processo: a ideia de que o organismo "se transforma" para se adaptar ao ambiente. Na seleção natural darwiniana, as mariposas não mudam individualmente; a variação (a forma escura) já existia na população e foi selecionada pelo ambiente. A adaptação é um processo populacional, que ocorre ao longo de gerações, e não uma mudança individual dirigida pela necessidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mutação é a fonte da variação genética, mas ela ocorre de forma aleatória e espontânea, não como resposta ao ambiente. As mariposas claras não tiveram seus fenótipos "transformados por mutação" por causa da poluição — a mutação que originou a forma melânica já existia na população (estima-se que tenha ocorrido por volta de 1819, antes do auge da poluição). O que a seleção natural fez foi aumentar a frequência dessa variação na população, não criá-la.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve com precisão o mecanismo da seleção natural: as mariposas escuras, por serem menos visíveis nos troncos enegrecidos, sofreram menor predação pelos pássaros, sobreviveram mais e, consequentemente, se reproduziram mais, transmitindo seus genes — incluindo o alelo para a coloração escura — às gerações seguintes. É a sobrevivência e reprodução diferenciais que explicam o aumento da frequência das mariposas escuras na população, exatamente como proposto por Darwin.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A seleção artificial é aquela dirigida pelo ser humano, que escolhe quais indivíduos se reproduzem com base em características desejadas (como na domesticação de animais e plantas). No caso das mariposas, a seleção foi natural, exercida pelos pássaros predadores, que capturavam preferencialmente as formas mais visíveis — primeiro as escuras (em troncos claros) e depois as claras (em troncos escuros). Não houve intervenção humana deliberada na reprodução das mariposas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel do ambiente na seleção natural e no lamarckismo. As alternativas B e C apresentam o ambiente como causa da mudança (transformação ou mutação dirigida), quando na verdade ele atua como seletor de variações preexistentes. A alternativa A, por sua vez, troca o tipo de seleção: o caso é direcional (favorece um extremo), não disruptiva (favorece os dois extremos). Reconhecer que a variação precede a seleção é a chave para não cair nessas armadilhas.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de seleção natural, pergunte-se sempre: o que o ambiente está fazendo? Se ele está favorecendo uma variação que já existia, é seleção natural. Se ele está causando a mudança no indivíduo, é lamarckismo. E para identificar o tipo de seleção, observe quantos extremos são favorecidos: um = direcional; dois = disruptiva; o intermediário = estabilizadora.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/vu213214