Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, cientistas observaram uma mudança interessante na população de mariposas da espécie Biston betularia. Antes da industrialização, a maioria das mariposas era de coloração clara, o que lhes permitia camuflar-se nos troncos de árvores cobertos por líquens. No entanto, com o aumento da poluição e da fuligem sobre as árvores, as mariposas escuras passaram a ser mais frequentes.
A partir dos princípios da seleção natural propostos por Charles Darwin, a explicação para esse ocorrido é que as mariposas
Aclaras e escuras sofreram uma seleção natural do tipo disruptiva.
Bclaras se metamorfosearam em mariposas escuras para se adaptarem.
Cclaras tiveram seus fenótipos transformados por mutação.
Descuras foram mais preservadas e se reproduziram mais.
Eescuras foram artificialmente selecionadas pelos humanos.
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GabaritoD — escuras foram mais preservadas e se reproduziram mais.
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Seleção natural e o melanismo industrial da Biston betularia
Gabarito: letra D. A explicação darwinista para o aumento das mariposas escuras é que, com os troncos enegrecidos pela fuligem, as formas melânicas passaram a ser menos visíveis aos predadores, sobrevivendo mais e se reproduzindo mais — exatamente o que a alternativa D afirma. Esse é o mecanismo central da seleção natural: a sobrevivência diferencial e a reprodução dos indivíduos mais adaptados ao ambiente.
O caso das mariposas da espécie Biston betularia durante a Revolução Industrial é o exemplo clássico de seleção natural observada em tempo real, conhecido como melanismo industrial. Antes da industrialização, os troncos das árvores eram cobertos por líquens claros, e as mariposas de coloração clara se camuflavam bem, enquanto as escuras eram facilmente vistas e predadas por pássaros. Com a poluição, a fuligem escureceu os troncos e destruiu os líquens, invertendo a situação: agora as mariposas escuras se camuflavam, e as claras se tornaram alvos fáceis.
É fundamental entender que a seleção natural não age sobre o indivíduo, mas sobre a população, atuando na variação que já existe entre os indivíduos. A mutação que originou a forma melânica ocorreu de forma aleatória e espontânea, antes mesmo da poluição — não foi "provocada" pelo ambiente. O que a seleção natural fez foi favorecer os indivíduos portadores dessa variação, que passaram a sobreviver mais e deixar mais descendentes. Com o tempo, a frequência do alelo para coloração escura aumentou na população.
A confusão mais comum neste tema é atribuir ao ambiente um papel transformador (como se as mariposas mudassem de cor para se adaptar), quando na verdade o ambiente atua como seletor de variações preexistentes. Essa distinção é o coração da teoria de Darwin e separa a seleção natural do lamarckismo — que defendia o uso e desuso e a herança de características adquiridas. A alternativa B, por exemplo, cai exatamente nessa armadilha ao dizer que as mariposas "se metamorfosearam para se adaptar".
Outro ponto importante: a seleção natural atua sobre o fenótipo (a característica visível), mas o que é transmitido às gerações seguintes é o genótipo (a informação genética). As mariposas escuras não "passaram" sua cor para as filhas por um esforço próprio; elas sobreviveram mais, reproduziram-se mais e, por isso, seus genes — incluindo o alelo para a coloração escura — tornaram-se mais frequentes na população. É esse processo de reprodução diferencial que a alternativa D captura com precisão.
Guarde o critério decisivo para esta questão: a seleção natural preserva e favorece variações que aumentam a sobrevivência e a reprodução no ambiente atual — ela não cria, não transforma e não é dirigida por necessidade. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Seleção natural (Darwin): Variação preexiste (Mutação aleatória e espontânea, Ambiente não transforma); Ambiente seleciona (Favorece os mais adaptados, Sobrevivem e reproduzem mais); Atua na população (Fenótipo selecionado, Genótipo transmitido); Tipos (Direcional (favorece 1 extremo), Disruptiva (favorece 2 extremos), Estabilizadora (favorece intermediário))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A seleção disruptiva favorece os dois extremos de uma característica e desfavorece a forma intermediária. No caso das mariposas, houve favorecimento de um extremo (o escuro) em detrimento do outro (o claro) nas áreas poluídas — o que caracteriza a seleção direcional, não a disruptiva. A seleção disruptiva seria observada, por exemplo, se tanto as formas muito claras quanto as muito escuras fossem favorecidas em detrimento das intermediárias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa reflete uma visão lamarckista (ou teleológica) do processo: a ideia de que o organismo "se transforma" para se adaptar ao ambiente. Na seleção natural darwiniana, as mariposas não mudam individualmente; a variação (a forma escura) já existia na população e foi selecionada pelo ambiente. A adaptação é um processo populacional, que ocorre ao longo de gerações, e não uma mudança individual dirigida pela necessidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mutação é a fonte da variação genética, mas ela ocorre de forma aleatória e espontânea, não como resposta ao ambiente. As mariposas claras não tiveram seus fenótipos "transformados por mutação" por causa da poluição — a mutação que originou a forma melânica já existia na população (estima-se que tenha ocorrido por volta de 1819, antes do auge da poluição). O que a seleção natural fez foi aumentar a frequência dessa variação na população, não criá-la.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve com precisão o mecanismo da seleção natural: as mariposas escuras, por serem menos visíveis nos troncos enegrecidos, sofreram menor predação pelos pássaros, sobreviveram mais e, consequentemente, se reproduziram mais, transmitindo seus genes — incluindo o alelo para a coloração escura — às gerações seguintes. É a sobrevivência e reprodução diferenciais que explicam o aumento da frequência das mariposas escuras na população, exatamente como proposto por Darwin.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A seleção artificial é aquela dirigida pelo ser humano, que escolhe quais indivíduos se reproduzem com base em características desejadas (como na domesticação de animais e plantas). No caso das mariposas, a seleção foi natural, exercida pelos pássaros predadores, que capturavam preferencialmente as formas mais visíveis — primeiro as escuras (em troncos claros) e depois as claras (em troncos escuros). Não houve intervenção humana deliberada na reprodução das mariposas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papel do ambiente na seleção natural e no lamarckismo. As alternativas B e C apresentam o ambiente como causa da mudança (transformação ou mutação dirigida), quando na verdade ele atua como seletor de variações preexistentes. A alternativa A, por sua vez, troca o tipo de seleção: o caso é direcional (favorece um extremo), não disruptiva (favorece os dois extremos). Reconhecer que a variação precede a seleção é a chave para não cair nessas armadilhas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de seleção natural, pergunte-se sempre: o que o ambiente está fazendo? Se ele está favorecendo uma variação que já existia, é seleção natural. Se ele está causando a mudança no indivíduo, é lamarckismo. E para identificar o tipo de seleção, observe quantos extremos são favorecidos: um = direcional; dois = disruptiva; o intermediário = estabilizadora.