Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025
- Código
- vu213320
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNICAMP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Prof AU ( )
- ACatalítico.
- BCumulase.
- CFosfolipase C-zeta.
- DHidroxietil-piperazina.
- EHTF.
GabaritoC — Fosfolipase C-zeta.
Gabarito: letra C. O fator espermático liberado no ooplasma após a fusão das membranas do espermatozoide e do óvulo é a Fosfolipase C-zeta (PLCζ), uma enzima que desencadeia as oscilações de cálcio intracelular responsáveis pela ativação do óvulo e pelo início do desenvolvimento embrionário. As demais alternativas não correspondem a fatores espermáticos reconhecidos nesse contexto.
A fecundação é o processo em que o espermatozoide penetra o óvulo, culminando na fusão dos pronúcleos (cariogamia) e na formação do zigoto. Para que isso ocorra, o espermatozoide precisa ultrapassar as barreiras que envolvem o óvulo: a corona radiata (células foliculares) e a zona pelúcida (camada glicoproteica). A cabeça do espermatozoide contém o acrossomo, uma vesícula que libera enzimas hidrolíticas para digerir essas barreiras. Após vencer essas camadas, as membranas plasmáticas dos dois gametas se fundem, e o conteúdo do espermatozoide — núcleo, mitocôndrias e flagelo — é incorporado ao citoplasma do óvulo.
É nesse momento que entra o fator espermático mencionado na questão. A Fosfolipase C-zeta (PLCζ) é uma isoforma específica de fosfolipase C presente no espermatozoide. Quando liberada no ooplasma, ela cliva o fosfatidilinositol 4,5-bifosfato (PIP₂) em inositol trifosfato (IP₃) e diacilglicerol (DAG). O IP₃, por sua vez, liga-se a receptores no retículo endoplasmático, promovendo a liberação de íons cálcio (Ca²⁺) no citoplasma. Essas oscilações de cálcio são o sinal primordial para a ativação do óvulo: elas induzem a exocitose dos grânulos corticais (formando a membrana de fecundação, que impede a polispermia), a retomada e conclusão da meiose II (formação do segundo glóbulo polar e do óvulo propriamente dito) e o início das divisões mitóticas do zigoto.
A importância da PLCζ é tão central que sua ausência ou disfunção está associada a casos de infertilidade masculina por falha na ativação do óvulo, mesmo quando a fertilização in vitro (FIV) é realizada. Nesses casos, técnicas como a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) com ativação artificial do óvulo (usando ionóforos de cálcio) podem ser empregadas para contornar o problema.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o fator espermático não é uma enzima acrossômica (como a hialuronidase ou a acrosina, que atuam na digestão da corona radiata e da zona pelúcida), mas sim uma molécula que age após a fusão das membranas, diretamente no ooplasma. A banca explora essa distinção ao oferecer alternativas que parecem plausíveis, mas que não correspondem ao fator específico cobrado.
Guarde o critério decisivo: o fator espermático liberado no ooplasma é a Fosfolipase C-zeta, responsável pelas oscilações de cálcio que ativam o óvulo. É exatamente essa especificidade que separa a alternativa correta das demais.
Catalítico não é o nome de um fator espermático. O termo "catalítico" refere-se à capacidade de uma substância de acelerar reações químicas, mas não identifica nenhuma molécula específica liberada pelo espermatozoide no ooplasma. A banca utiliza esse termo genérico para confundir o candidato, que pode associá-lo à atividade enzimática da PLCζ, mas não corresponde ao nome do fator.
Cumulase não é um fator espermático reconhecido na literatura científica. O termo pode remeter à ideia de "acumular" ou "cumular", mas não existe uma molécula com essa denominação envolvida na ativação do óvulo. É um distrator inventado pela banca.
A Fosfolipase C-zeta (PLCζ) é o fator espermático liberado no ooplasma após a fusão das membranas. Ela cliva o PIP₂ em IP₃ e DAG, desencadeando as oscilações de cálcio que ativam o óvulo, promovem a exocitose dos grânulos corticais e a conclusão da meiose II. É a resposta correta por ser a molécula específica e reconhecida nesse papel.
Hidroxietil-piperazina é um composto químico utilizado como tampão em meios de cultura celular (como o HEPES), não um fator espermático. A banca insere esse nome técnico para confundir o candidato, que pode associá-lo a substâncias presentes em laboratórios de reprodução assistida, mas ele não tem relação com a ativação do óvulo.
HTF é a sigla para Human Tubal Fluid, um meio de cultura utilizado em laboratórios de fertilização in vitro para manter gametas e embriões. Não é um fator espermático liberado no ooplasma. A banca utiliza essa sigla para testar se o candidato conhece a diferença entre meios de cultura e fatores biológicos.
A banca explora a confusão entre o fator espermático que age após a fusão das membranas (PLCζ) e as enzimas acrossômicas que agem antes (hialuronidase, acrosina). Além disso, insere termos técnicos de laboratório (HEPES, HTF) para desviar a atenção. Lembre-se: a PLCζ é a molécula que desencadeia as oscilações de cálcio no ooplasma, ativando o óvulo.
Para questões sobre fecundação, organize mentalmente as etapas: 1) Capacitação espermática; 2) Reação acrossômica (liberação de enzimas para digerir a corona radiata e a zona pelúcida); 3) Fusão das membranas; 4) Liberação da PLCζ no ooplasma; 5) Oscilações de cálcio e ativação do óvulo. Associe cada etapa às moléculas envolvidas para não se confundir.
Gabarito: letra C — Fosfolipase C-zeta.
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