Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025
- Código
- vu213388
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- HCFMUSP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Res ( )
- AWestern blot.
- Bimunofenotipagem.
- Cimunohistoquímica.
- Dcolorimetria de PAS.
- Ecromatografia de proteínas.
GabaritoC — imunohistoquímica.
Gabarito: letra C. A imunohistoquímica (IHQ) é o método complementar da anatomia patológica que utiliza anticorpos para detectar antígenos específicos em cortes de tecido, permitindo avaliar a expressão, distribuição e localização de biomarcadores proteicos, com análise semiquantitativa. O princípio antígeno-anticorpo é a base dessa técnica, que se diferencia das demais por ser aplicada diretamente sobre o tecido preservado, mantendo a morfologia celular.
A imunohistoquímica é uma técnica que combina princípios da imunologia com a histologia. O termo pode ser decomposto: "imuno" refere-se ao uso de anticorpos (moléculas do sistema imunológico), "histo" refere-se ao tecido, e "química" refere-se à reação de detecção. Na prática, um anticorpo específico é aplicado sobre um corte histológico (obtido de biópsia ou peça cirúrgica) e se liga ao antígeno-alvo presente nas células. Essa ligação é visualizada por meio de um sistema de detecção que gera um produto colorido ou fluorescente, revelando a localização exata da proteína dentro do tecido.
A grande vantagem da IHQ no diagnóstico de neoplasias é a capacidade de correlacionar a expressão de biomarcadores com a morfologia celular. Por exemplo, ao analisar um tumor de origem desconhecida, o patologista pode testar a expressão de citoqueratinas (marcadores de origem epitelial) ou de vimentina (marcador de origem mesenquimal). Se as células tumorais expressam citoqueratina, isso sugere um carcinoma; se expressam vimentina, sugere um sarcoma. Essa informação é crucial para definir o diagnóstico, o prognóstico e a terapia-alvo.
A análise semiquantitativa mencionada no enunciado refere-se à avaliação da intensidade da coloração (fraca, moderada, forte) e da porcentagem de células positivas, que são correlacionadas com a expressão da proteína. Isso difere de técnicas quantitativas como o Western blot, que mede a quantidade total de proteína em um extrato celular, sem preservar a informação de localização tecidual.
A pegadinha da questão está em distinguir a IHQ de outras técnicas que também usam anticorpos, como o Western blot e a imunofenotipagem. O Western blot separa proteínas por eletroforese em gel e as transfere para uma membrana, onde são detectadas por anticorpos — mas não preserva a arquitetura do tecido. A imunofenotipagem é aplicada a células em suspensão (como células sanguíneas ou de medula óssea) e analisadas por citometria de fluxo, também sem preservar a morfologia tecidual. A IHQ é a única que combina a detecção de antígenos com a preservação do tecido, sendo a técnica de escolha na anatomia patológica para avaliar biomarcadores em seu contexto histológico.
Guarde a fronteira: a imunohistoquímica é a técnica que une o princípio antígeno-anticorpo à preservação do tecido, permitindo localizar a proteína no seu contexto morfológico. É exatamente essa combinação que as alternativas tentam confundir.
O Western blot é uma técnica de biologia molecular que detecta proteínas específicas em uma amostra homogeneizada, após separação por eletroforese em gel e transferência para membrana. Embora use anticorpos (princípio antígeno-anticorpo), ele não preserva a arquitetura do tecido e não permite avaliar a localização da proteína nas células. A amostra é destruída no processo de extração, perdendo-se a informação morfológica.
A imunofenotipagem é uma técnica que utiliza anticorpos para identificar e quantificar populações celulares, geralmente por citometria de fluxo, em células em suspensão (sangue, medula óssea, líquidos biológicos). Ela não é aplicada em cortes de tecido e não preserva a morfologia, sendo usada principalmente para classificar leucemias e linfomas, não para avaliar a expressão de biomarcadores em tecidos sólidos.
A imunohistoquímica é exatamente o método descrito: baseia-se no princípio antígeno-anticorpo, é aplicada em cortes de tecido (anatomia patológica), permite a análise semiquantitativa de proteínas-alvo e avalia sua expressão, distribuição e localização. É a técnica padrão para determinar biomarcadores em neoplasias, como receptores hormonais em câncer de mama (ER, PR, HER2) e marcadores de proliferação (Ki-67).
A colorimetria de PAS (Ácido Periódico de Schiff) é uma técnica histoquímica que detecta carboidratos e glicoproteínas, como glicogênio e mucinas, corando-os em magenta. Não utiliza anticorpos e não é específica para proteínas-alvo, sendo usada para identificar substâncias como glicogênio em tumores, mas não para avaliar biomarcadores por princípio antígeno-anticorpo.
A cromatografia de proteínas é um método bioquímico de separação e purificação de proteínas com base em suas propriedades físico-químicas (tamanho, carga, afinidade). Não utiliza anticorpos e não é aplicada em cortes de tecido, sendo uma técnica de bancada para análise de amostras homogeneizadas, sem preservar a localização tecidual.
A banca explora a confusão entre técnicas que usam anticorpos. O Western blot (A) e a imunofenotipagem (B) também se baseiam no princípio antígeno-anticorpo, mas não preservam o tecido. A palavra-chave do enunciado é "anatomia patológica" e "localização" — isso aponta diretamente para a imunohistoquímica, que é aplicada em cortes de tecido. Lembre-se: IHQ = tecido preservado + anticorpo.
Para diferenciar as técnicas, foque no material de partida: tecido preservado (imunohistoquímica), extrato proteico (Western blot), células em suspensão (imunofenotipagem). Essa distinção resolve a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra C
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