Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos. (Franz Kafka. A metamorfose, 1997.) No excerto, a “couraça” e as “numerosas pernas”, com as quais a personagem se depara ao se transformar em um inseto, referem-se, respectivamente, ao
Aendoesqueleto de calcário e à presença de três pares de pernas.
Bendoesqueleto de queratina e à presença de quatro pares de pernas.
Cendoesqueleto de quitina e à presença de quatro pares de pernas.
Dexoesqueleto de queratina e à presença de três pares pernas.
Eexoesqueleto de quitina e à presença de três pares de pernas.
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GabaritoE — exoesqueleto de quitina e à presença de três pares de pernas.
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Artrópodes: exoesqueleto de quitina e o plano corporal dos insetos
Gabarito: letra E. A "couraça" descrita por Kafka corresponde ao exoesqueleto — esqueleto externo, rígido e não celular — e sua composição química é a quitina, um polissacarídeo nitrogenado; já as "numerosas pernas" do inseto são, anatomicamente, três pares de pernas articuladas, característica diagnóstica da classe Insecta (Hexapoda). A alternativa E é a única que combina corretamente os dois elementos.
O trecho de A Metamorfose é um pretexto literário para cobrar a morfologia dos artrópodes, especificamente dos insetos. O primeiro passo é entender o que é o exoesqueleto: trata-se de um revestimento externo, rígido e resistente, que dá suporte ao corpo, protege contra predadores e dessecação e serve de ponto de fixação para os músculos. Nos artrópodes, esse esqueleto externo é formado por quitina, um polissacarídeo que contém nitrogênio em sua composição, frequentemente associado a proteínas e, em alguns grupos, impregnado de carbonato de cálcio (como nos crustáceos). A quitina é secretada pela epiderme subjacente e, por ser rígida, impõe a necessidade de mudas periódicas (ecdise) para que o animal cresça.
O segundo elemento é o número de pernas. Os insetos pertencem ao grupo dos hexápodes (do grego hexa, seis, e podos, pé), ou seja, possuem três pares de pernas articuladas, todas localizadas no tórax, que é formado por três segmentos (metâmeros), cada um portando um par de pernas. Essa é uma característica distintiva fundamental: nenhum outro artrópode tem exatamente três pares de pernas no tórax. Os aracnídeos, por exemplo, têm quatro pares; os crustáceos, número variável; e os miriápodes (lacraias e piolhos-de-cobra), muitos pares.
A pegadinha da questão está em dois níveis: primeiro, confundir exoesqueleto com endoesqueleto — o endoesqueleto é interno, como o esqueleto ósseo dos vertebrados, e não se aplica aos insetos; segundo, trocar a composição química, pois a quitina é o material correto, não a queratina (proteína presente em pelos, unhas e chifres de vertebrados) nem o calcário (carbonato de cálcio, presente em conchas de moluscos e em alguns exoesqueletos de crustáceos, mas não como componente principal do exoesqueleto dos insetos). Além disso, o número de pernas é outro ponto de confusão: quatro pares é característica de aracnídeos, não de insetos.
Guarde a tríade que decide a questão: exoesqueleto + quitina + três pares de pernas. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais, que erram em um ou mais desses três elementos.
Artrópodes: Insetos (Hexápodes) (Exoesqueleto de quitina, 3 pares de pernas, 1 par de antenas); Aracnídeos (4 pares de pernas, Sem antenas); Crustáceos (Exoesqueleto com calcário, 2 pares de antenas); Miriápodes (Muitos pares de pernas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a "couraça" é um endoesqueleto de calcário. O endoesqueleto é interno (como o esqueleto dos vertebrados), e o calcário (carbonato de cálcio) não é o principal componente do exoesqueleto dos insetos — embora apareça em crustáceos, não é a regra para insetos. Além disso, a alternativa acerta o número de pernas (três pares), mas o erro no esqueleto já a invalida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra duplamente: primeiro, classifica a "couraça" como endoesqueleto de queratina — o exoesqueleto dos insetos é externo e composto de quitina, não de queratina (proteína de vertebrados); segundo, afirma que há quatro pares de pernas, o que é característica de aracnídeos, não de insetos, que têm três pares.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acerta a composição química (quitina), mas erra ao chamar a estrutura de endoesqueleto — ela é externa, portanto exoesqueleto. Também erra no número de pernas: quatro pares é de aracnídeos; insetos têm três pares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra na composição química: o exoesqueleto dos insetos é de quitina, não de queratina. A queratina é uma proteína encontrada em estruturas de vertebrados (pelos, unhas, chifres). Acerta, porém, no número de pernas (três pares), mas o erro no material já a torna incorreta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única que combina corretamente os três elementos: a "couraça" é o exoesqueleto (estrutura externa rígida) composto de quitina (polissacarídeo nitrogenado), e as "numerosas pernas" correspondem aos três pares de pernas articuladas, típicos dos insetos (hexápodes). A descrição de Kafka — costas duras como couraça, ventre dividido por nervuras e pernas finas — é uma representação fiel da morfologia externa de um inseto.
NÃO CAIA NESSA!
Para não errar em questões sobre artrópodes, monte uma tabela mental com os grupos e suas características: insetos (3 pares de pernas, exoesqueleto de quitina, 1 par de antenas), aracnídeos (4 pares de pernas, sem antenas, corpo dividido em cefalotórax e abdome), crustáceos (exoesqueleto muitas vezes impregnado de calcário, 2 pares de antenas) e miriápodes (muitos pares de pernas). Na prova, a banca costuma trocar o número de pernas ou a composição do exoesqueleto entre os grupos — fique atento a essas inversões.