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Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025

BiologiaGeral
Código
vu213403
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

A convivência de 15 mil anos entre humanos e lobos, que levou à domesticação de lobos cinzentos (Canis lupus) e o surgimento do Canis lupus familiaris, criou condições para se produzir as 400 raças diferentes de cães que existem atualmente. Um estudo publicado em 2017 na revista científica Cell Reports concluiu que todas essas raças se originaram de apenas 23 tipos genéticos iniciais. Essa informação, somada aos registros históricos das grandes migrações humanas e civilizações, nos permite ver com maior clareza como, onde e por quê surgiram as diversas raças caninas.

 

(https://revistagalileu.globo.com. Adaptado.)

 

O grande número de raças de cães que existe atualmente é um exemplo do fenômeno que, na teoria de Charles Darwin, é chamado de

  1. Alei do uso e desuso.
  2. Bderiva genética.
  3. Cseleção natural.
  4. Dseleção artificial.
  5. Eespeciação alopátrica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — seleção artificial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Seleção artificial e a origem das raças caninas

Gabarito: letra D. O grande número de raças de cães é resultado da seleção artificial, mecanismo em que o ser humano escolhe, de forma intencional, quais características deseja perpetuar nos organismos — diferentemente da seleção natural, em que o ambiente atua sem intenção. O texto de apoio confirma essa leitura ao afirmar que "os agricultores selecionaram diferentes características dessas plantas e realizaram cruzamentos seletivos", e que "na seleção artificial, por outro lado, há uma intenção, uma finalidade".

A seleção artificial é um conceito central na teoria evolutiva de Charles Darwin. Ela parte da observação de que, ao longo de gerações, criadores de animais e agricultores escolhem os indivíduos com características desejáveis para reprodução, intensificando essas características na população. No caso dos cães, a domesticação do lobo cinzento (Canis lupus) há cerca de 15 mil anos permitiu que o ser humano selecionasse, geração após geração, os animais com temperamento mais dócil, habilidades específicas (caça, pastoreio, guarda) e características físicas variadas, resultando nas mais de 400 raças atuais.

A distinção fundamental entre seleção natural e artificial está na intencionalidade do agente seletor. Na seleção natural, o ambiente atua como filtro, favorecendo os organismos mais aptos a sobreviver e se reproduzir em determinado contexto — não há um objetivo ou finalidade. Na seleção artificial, o ser humano é o agente seletor, escolhendo deliberadamente quais características perpetuar. Essa diferença é crucial para a questão, pois o enunciado descreve exatamente um processo de escolha humana sobre os lobos, o que caracteriza a seleção artificial.

É importante também diferenciar a seleção artificial de outros mecanismos evolutivos. A deriva genética é a mudança aleatória nas frequências alélicas de uma população, sem relação com adaptação ou intencionalidade. A especiação alopátrica é a formação de novas espécies devido ao isolamento geográfico. A lei do uso e desuso é um conceito de Lamarck, não de Darwin, e propõe que características adquiridas pelo uso ou desuso seriam transmitidas aos descendentes. Nenhum desses mecanismos explica a diversidade de raças caninas, que é fruto direto da ação humana seletiva.

A pegadinha desta questão está em confundir seleção artificial com seleção natural. O candidato pode ler o texto e pensar que a diversidade de raças é um exemplo de seleção natural, pois ambas envolvem a seleção de características. No entanto, a presença da ação humana intencional — "criou condições para se produzir as 400 raças diferentes" — é o indicativo claro de seleção artificial. A seleção natural ocorreria se o ambiente, sem intervenção humana, favorecesse determinados lobos em detrimento de outros.

Guarde a fronteira entre seleção natural e artificial: a presença de um agente seletor intencional (o ser humano) define a artificial. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

1Seleção natural
Ambiente como agente seletor
Sem intencionalidade
2Seleção artificial
Ser humano como agente seletor
Com intencionalidade
Ex.: raças de cães
3Deriva genética
Mudança aleatória nas frequências alélicas
4Especiação alopátrica
Isolamento geográfico
5Lei do uso e desuso (Lamarck)
Características adquiridas
Mecanismos evolutivos
LEVELsoulevel.com.br
Mecanismos evolutivos: Seleção natural (Ambiente como agente seletor, Sem intencionalidade); Seleção artificial (Ser humano como agente seletor, Com intencionalidade, Ex.: raças de cães); Deriva genética (Mudança aleatória nas frequências alélicas); Especiação alopátrica (Isolamento geográfico); Lei do uso e desuso (Lamarck) (Características adquiridas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A lei do uso e desuso é um conceito de Lamarck, não de Darwin. Lamarck propôs que o uso frequente de um órgão o desenvolveria e o desuso o atrofiaria, e que essas características adquiridas seriam transmitidas aos descendentes. A diversidade de raças caninas não é explicada por esse mecanismo, pois envolve seleção de características por cruzamentos seletivos, não o uso e desuso de órgãos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A deriva genética é a mudança aleatória nas frequências alélicas de uma população, causada por eventos ao acaso, como efeito fundador ou gargalo populacional. Não há intencionalidade nem seleção de características. A diversidade de raças caninas é resultado de um processo direcionado pelo ser humano, não de flutuações aleatórias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A seleção natural é o mecanismo em que o ambiente atua como agente seletor, favorecendo organismos mais aptos a sobreviver e se reproduzir. No caso dos cães, o agente seletor foi o ser humano, que escolheu intencionalmente as características desejadas. A seleção natural não envolve intencionalidade, enquanto a seleção artificial sim — e é essa intencionalidade que caracteriza o processo descrito no enunciado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A seleção artificial é o mecanismo em que o ser humano escolhe, de forma intencional, quais características deseja perpetuar nos organismos, realizando cruzamentos seletivos. O texto de apoio confirma: "os agricultores selecionaram diferentes características dessas plantas e realizaram cruzamentos seletivos" e "na seleção artificial, por outro lado, há uma intenção, uma finalidade". A domesticação do lobo e a produção de centenas de raças de cães é um exemplo clássico desse processo, pois o ser humano selecionou, geração após geração, os animais com características desejáveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A especiação alopátrica é a formação de novas espécies devido ao isolamento geográfico, que impede o fluxo gênico entre populações. As raças de cães não são espécies distintas — todas pertencem à mesma espécie, Canis lupus familiaris — e sua diversidade não decorre de isolamento geográfico, mas de seleção artificial promovida pelo ser humano.

A regra de ouro para a prova: quando o enunciado descreve a ação humana escolhendo características para reprodução, o fenômeno é seleção artificial. A seleção natural ocorre quando o ambiente, sem intenção, favorece determinados organismos. Essa distinção é a chave para resolver questões sobre mecanismos evolutivos.

Gabarito: letra D

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