Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025
- Código
- vu213473
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMERP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )
- Ao retículo endoplasmático agranular.
- Ba mitocôndria.
- Co complexo golgiense.
- Do envelope nuclear.
- Eo lisossomo.
GabaritoA — o retículo endoplasmático agranular.
Gabarito: letra A. O consumo excessivo de medicamentos estimula, nas células hepáticas, o aumento da superfície das membranas do retículo endoplasmático agranular (liso), pois é nessa organela que ocorre a metabolização e a detoxificação de substâncias lipossolúveis, como os benzodiazepínicos. As demais organelas citadas — mitocôndria, complexo golgiense, envelope nuclear e lisossomo — não são as responsáveis diretas por esse processo de biotransformação de xenobióticos.
O fígado é o principal órgão responsável pela metabolização de fármacos e toxinas. Quando uma pessoa consome medicamentos em excesso, como os ansiolíticos benzodiazepínicos, as células hepáticas (hepatócitos) precisam aumentar sua capacidade de processar essas substâncias. Esse processamento envolve enzimas da família do citocromo P450, que estão ancoradas nas membranas do retículo endoplasmático agranular (também chamado de retículo endoplasmático liso).
O retículo endoplasmático agranular é uma organela formada por túbulos e vesículas membranosas que não possuem ribossomos aderidos. Suas principais funções incluem a síntese de lipídios, o metabolismo de carboidratos e, crucialmente, a detoxificação de drogas e toxinas. Quando há um aumento na demanda por essa detoxificação, as células hepáticas respondem aumentando a quantidade de membranas dessa organela, um processo conhecido como proliferação do retículo endoplasmático liso. Esse é um mecanismo adaptativo que visa aumentar a capacidade de metabolização de substâncias exógenas.
Para entender melhor, vamos comparar as funções das principais organelas citadas nas alternativas:
Organela | Função principal | Relação com detoxificação |
|---|---|---|
Retículo endoplasmático agranular | Síntese de lipídios, metabolismo de carboidratos, detoxificação de drogas | Direta — contém enzimas do citocromo P450 |
Mitocôndria | Produção de ATP (respiração celular) | Indireta — fornece energia, mas não metaboliza drogas |
Complexo golgiense | Modificação, empacotamento e secreção de proteínas e lipídios | Indireta — não participa da detoxificação |
Envelope nuclear | Separa o núcleo do citoplasma, controla o tráfego de moléculas | Nenhuma |
Lisossomo | Digestão intracelular (autofagia, heterofagia) | Indireta — digere organelas danificadas, mas não metaboliza drogas |
A pegadinha desta questão está em associar a detoxificação a uma organela que não é a correta. Muitos alunos podem pensar na mitocôndria por ser uma organela "energética" ou no lisossomo por estar envolvido na digestão de substâncias. No entanto, a detoxificação de xenobióticos é uma função específica do retículo endoplasmático agranular. É importante lembrar que o retículo endoplasmático granuloso (rugoso) está associado à síntese de proteínas, enquanto o agranular (liso) está associado à síntese de lipídios e à detoxificação.
Um exemplo prático: quando uma pessoa faz uso prolongado de medicamentos como os benzodiazepínicos, os hepatócitos aumentam a produção de enzimas do citocromo P450, o que leva à proliferação do retículo endoplasmático liso. Esse fenômeno é conhecido como indução enzimática e pode levar ao aumento da tolerância ao medicamento, exigindo doses maiores para o mesmo efeito. Esse é um exemplo clássico de adaptação celular ao estresse metabólico.
Guarde a fronteira entre as funções das organelas: a detoxificação de drogas é função do retículo endoplasmático agranular, enquanto a produção de energia é função da mitocôndria, a secreção é função do complexo golgiense e a digestão intracelular é função do lisossomo. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
O retículo endoplasmático agranular (liso) é a organela responsável pela detoxificação de substâncias exógenas, como medicamentos. As enzimas do citocromo P450, que metabolizam os benzodiazepínicos, estão localizadas nas membranas dessa organela. O aumento do consumo de medicamentos estimula a proliferação dessas membranas, aumentando a superfície disponível para a metabolização. É exatamente isso que o enunciado descreve.
A mitocôndria é a organela responsável pela produção de ATP através da respiração celular. Embora forneça energia para os processos celulares, não participa diretamente da detoxificação de drogas. A banca pode tentar confundir o aluno associando a "atividade" hepática ao metabolismo energético, mas a função de metabolizar xenobióticos é exclusiva do retículo endoplasmático agranular.
O complexo golgiense é responsável pela modificação, empacotamento e secreção de proteínas e lipídios. Ele não está envolvido na detoxificação de substâncias exógenas. A confusão pode surgir porque o complexo golgiense trabalha em conjunto com o retículo endoplasmático na via secretora, mas suas funções são distintas.
O envelope nuclear é a dupla membrana que envolve o núcleo celular, controlando o tráfego de moléculas entre o núcleo e o citoplasma. Não possui função de detoxificação. A banca pode tentar confundir o aluno com a ideia de que o núcleo controla a síntese de enzimas, mas a organela onde essas enzimas atuam é o retículo endoplasmático agranular.
O lisossomo é responsável pela digestão intracelular, degradando materiais capturados pela célula e organelas danificadas (autofagia). Embora seja importante para a reciclagem celular, não participa da metabolização de drogas. A confusão pode surgir porque os lisossomos também "eliminam" substâncias, mas de forma diferente — eles digerem, não metabolizam quimicamente como o retículo endoplasmático agranular.
A regra de ouro para esta questão: quando o assunto for detoxificação de drogas, toxinas ou metabolismo de xenobióticos, a organela é sempre o retículo endoplasmático agranular. Memorize essa associação — ela é recorrente em provas de biologia celular.
Gabarito: letra A
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