A perda auditiva afeta pelo menos 10 milhões de brasileiros, o equivalente a 5% da população, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, esse número é subdimensionado. Estima-se que o contingente seja de 20 milhões de pessoas. Isso porque o número do IBGE é um dado autodeclarado pelo entrevistado, mas muita gente não se reconhece com deficiência auditiva ou ainda não foi diagnosticada. Entre os jovens, a principal causa para a perda auditiva é o uso excessivo de fones de ouvido em alto volume por tempo prolongado. (https://saude.abril.com.br, 05.07.2024. Adaptado.) A perda auditiva em jovens, descrita no excerto, está relacionada
Aa lesões permanentes nas células ciliadas da cóclea.
Bà perda da mobilidade dos três ossículos da orelha média.
Cà destruição do nervo vestibular, que conduz impulsos ao cérebro.
Dao movimento irregular do líquido contido no interior da tuba auditiva.
Eà perda de flexibilidade do tímpano, localizado na tuba auditiva.
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GabaritoA — a lesões permanentes nas células ciliadas da cóclea.
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Perda auditiva induzida por ruído: células ciliadas da cóclea
Gabarito: letra A. A perda auditiva em jovens, causada pelo uso excessivo de fones de ouvido em alto volume, está relacionada a lesões permanentes nas células ciliadas da cóclea, pois o som intenso danifica mecanicamente essas células sensoriais, que não se regeneram. As demais alternativas descrevem estruturas ou mecanismos que não correspondem a essa causa específica.
A audição humana depende de uma cadeia de estruturas que transformam ondas sonoras em impulsos nervosos. O som entra pela orelha externa, faz vibrar o tímpano (membrana timpânica), que transmite a vibração aos três ossículos da orelha média (martelo, bigorna e estribo), e estes a conduzem à cóclea, na orelha interna. Dentro da cóclea, as células ciliadas (células sensoriais com microvilosidades) convertem a vibração mecânica em sinais elétricos, que seguem pelo nervo coclear até o cérebro.
O ruído excessivo — como o de fones de ouvido em volume alto por tempo prolongado — provoca um estresse mecânico e metabólico sobre as células ciliadas da cóclea. Essas células são extremamente sensíveis e, uma vez lesadas, não se regeneram em humanos, resultando em perda auditiva permanente (perda auditiva neurossensorial). Esse é exatamente o mecanismo descrito no excerto: a exposição prolongada a sons intensos danifica as células da orelha interna, e não as estruturas da orelha média ou externa.
A banca explora a confusão entre as três porções da orelha: enquanto a lesão por ruído atinge a cóclea (orelha interna), as alternativas incorretas apontam para estruturas da orelha média (ossículos, tímpano) ou para estruturas relacionadas ao equilíbrio (nervo vestibular) e à tuba auditiva. É fundamental distinguir a via de condução do som (orelha externa e média) da via de transdução (orelha interna), pois é nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A alternativa está correta porque o uso excessivo de fones de ouvido em alto volume expõe as células ciliadas da cóclea a vibrações intensas, causando lesões mecânicas e metabólicas que levam à morte celular. Como essas células não se regeneram, a perda auditiva é permanente. Esse é o mecanismo clássico da perda auditiva induzida por ruído (PAIR), que afeta principalmente as frequências altas, justamente as regiões da cóclea mais sensíveis ao trauma sonoro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A perda da mobilidade dos três ossículos da orelha média (martelo, bigorna e estribo) caracteriza uma perda auditiva condutiva, geralmente causada por otite média, otosclerose ou trauma, e não por exposição a ruído. O ruído intenso não afeta primariamente a mobilidade dos ossículos; ele lesa as células sensoriais da cóclea. A banca troca a orelha média pela orelha interna, confundindo o local da lesão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O nervo vestibular conduz impulsos relacionados ao equilíbrio, não à audição. A destruição do nervo vestibular causaria tontura, vertigem e desequilíbrio, mas não perda auditiva. A via auditiva é o nervo coclear, que transmite os impulsos gerados pelas células ciliadas da cóclea. A alternativa confunde o nervo vestibular com o nervo coclear, além de apontar uma estrutura que não é a principal afetada pelo ruído.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O movimento irregular do líquido contido no interior da tuba auditiva não é um mecanismo de perda auditiva. A tuba auditiva (trompa de Eustáquio) conecta a orelha média à faringe e tem função de equalizar a pressão, não contém líquido que participe da transdução sonora. O líquido que importa para a audição é a endolinfa e a perilinfa da cóclea, e o movimento irregular delas não é a causa descrita. A alternativa mistura estruturas e funções.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A perda de flexibilidade do tímpano causaria perda auditiva condutiva, mas o tímpano não está localizado na tuba auditiva — ele está na orelha média, separando-a do meato acústico externo. Além disso, o ruído intenso não causa primariamente perda de flexibilidade do tímpano; a lesão principal é nas células ciliadas da cóclea. A alternativa erra tanto a localização anatômica quanto o mecanismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar a orelha interna pela orelha média. Aqui, a lesão por ruído é na cóclea (células ciliadas), mas as alternativas B e E apontam para ossículos e tímpano — estruturas de condução, não de transdução. Lembre-se: ruído alto = lesão neurossensorial na cóclea, não condutiva na orelha média.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de perda auditiva, identifique primeiro se a causa é condutiva (orelha externa/média: tímpano, ossículos) ou neurossensorial (orelha interna: cóclea, nervo coclear). Ruído intenso e envelhecimento são causas neurossensoriais; infecções e obstruções são condutivas. Essa distinção resolve a maioria das questões.