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Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2025

BiologiaGeral
Código
vu213522
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )
Uma fazenda aplicou, a cada ano, grandes quantidades de fertilizantes nitrogenados sintéticos para maximizar sua produtividade agrícola. A fim de enriquecer o solo, que é naturalmente pobre em nitrogênio, o proprietário também cultivou leguminosas entre as safras. Apesar da alta produtividade, essa prática causou impactos em um curso d´água próximo. Análises de água revelaram um aumento na proliferação de algas e queda nos níveis de oxigênio dissolvido. Além disso, os moradores locais relataram um odor forte das águas e morte de peixes.   De acordo com o ciclo do nitrogênio,
  1. Aa utilização de fertilizantes sintéticos aumenta o aporte de nitrogênio reativo no solo, que pode ser lixiviado até corpos d’água, resultando na eutrofização.
  2. Bas leguminosas plantadas entre as safras competem com as bactérias nitrificantes do solo, dificultando a ciclagem do nitrogênio.
  3. Ca morte dos peixes no curso d´água está relacionada à escassez de nitrogênio, que provoca a proliferação de algas nos corpos d´água.
  4. Do uso excessivo de fertilizantes industriais elimina as bactérias fixadoras presentes nas raízes das leguminosas.
  5. Eas leguminosas possuem nas raízes bactérias capazes de transformar o nitrato em amônia que é carreada para o curso d´água pelas chuvas.
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GabaritoA — a utilização de fertilizantes sintéticos aumenta o aporte de nitrogênio reativo no solo, que pode ser lixiviado até corpos d’água, resultando na eutrofização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ciclo do nitrogênio e eutrofização

Gabarito: letra A. O uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos aumenta o aporte de nitrogênio reativo no solo, que pode ser lixiviado até corpos d'água, resultando em eutrofização — o processo que explica a proliferação de algas, a queda de oxigênio dissolvido, o odor forte e a morte de peixes descritos no enunciado. A alternativa correta amarra exatamente essa cadeia de causa e efeito, que é o fenômeno central cobrado pela questão.

O ciclo do nitrogênio é um dos ciclos biogeoquímicos mais importantes, pois o nitrogênio é um nutriente essencial para todos os seres vivos, compondo proteínas e ácidos nucleicos. Apesar de ser abundantíssimo na atmosfera (cerca de 78% do ar é gás nitrogênio, N₂), a maioria dos organismos não consegue utilizá-lo diretamente nessa forma. As plantas, por exemplo, só absorvem nitrogênio na forma de íons amônio (NH₄⁺), nitrito (NO₂⁻) e, principalmente, nitrato (NO₃⁻). Por isso, o nitrogênio é frequentemente o nutriente limitante do crescimento vegetal em ecossistemas naturais.

Para que o N₂ atmosférico se torne disponível, ele precisa passar por processos de fixação. A fixação biológica é realizada por bactérias, como as do gênero Rhizobium, que vivem em simbiose nos nódulos das raízes de leguminosas (feijão, soja, ervilha), e por bactérias de vida livre no solo. Há também a fixação atmosférica (relâmpagos) e a fixação industrial, pelo processo de Haber-Bosch, que produz fertilizantes nitrogenados sintéticos — exatamente o que a fazenda do enunciado aplicou em grandes quantidades.

O problema surge quando esse aporte de nitrogênio é excessivo. Os fertilizantes sintéticos são ricos em formas reativas de nitrogênio (nitrato, amônio), que são solúveis em água. Quando aplicados em excesso, parte desse nitrogênio não é absorvida pelas plantas e é lixiviada — carregada pela água da chuva e pela irrigação — até rios, lagos e mares próximos. Esse enriquecimento artificial do ambiente aquático com nutrientes é o que chamamos de eutrofização cultural (ou artificial), em contraposição à eutrofização natural, que ocorre lentamente ao longo de milênios.

A eutrofização desencadeia uma cascata de efeitos: o excesso de nitrogênio (e fósforo) estimula a proliferação descontrolada de algas e cianobactérias na superfície da água, formando uma "floração". Quando essas algas morrem, são decompostas por bactérias aeróbicas, que consomem grandes quantidades de oxigênio dissolvido na água. A queda drástica de oxigênio causa a morte de peixes e outros organismos aquáticos, além de gerar odores fortes, provenientes da decomposição anaeróbica da matéria orgânica. É exatamente o cenário descrito no enunciado: aumento de algas, queda de oxigênio, odor forte e morte de peixes.

A alternativa A é a única que descreve corretamente essa cadeia causal completa. As demais alternativas contêm erros conceituais graves sobre o ciclo do nitrogênio, que serão analisados individualmente. A pegadinha central da questão está em confundir o papel das leguminosas e das bactérias associadas a elas, além de inverter relações de causa e efeito no processo de eutrofização.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os diferentes grupos de bactérias do ciclo do nitrogênio e seus papéis. As leguminosas fixam nitrogênio atmosférico (N₂ → NH₃) por meio de bactérias do gênero Rhizobium em seus nódulos radiculares — elas não competem com bactérias nitrificantes, não são eliminadas por fertilizantes e não transformam nitrato em amônia. Além disso, a morte dos peixes não é causada por escassez de nitrogênio, mas sim pela falta de oxigênio resultante da decomposição das algas. Fique atento a essas inversões de papéis e relações de causa e efeito.

  1. 1Excesso de N no solo
  2. 2Lixiviação até rios/lagos
  3. 3Proliferação de algas
  4. 4Decomposição consome O₂
  5. 5Morte de peixes e odor
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o mecanismo da eutrofização: os fertilizantes sintéticos adicionam nitrogênio reativo (nitrato, amônio) ao solo; o excesso não absorvido pelas plantas é lixiviado pela água da chuva até os corpos d'água; esse aporte extra de nutrientes estimula a proliferação de algas, que, ao morrerem e serem decompostas, consomem o oxigênio dissolvido, causando a morte de peixes e o odor forte. É exatamente a sequência de eventos descrita no enunciado, e o termo técnico que nomeia esse processo é eutrofização.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as leguminosas competem com as bactérias nitrificantes do solo, dificultando a ciclagem do nitrogênio. Isso é um erro conceitual: as leguminosas não competem com bactérias nitrificantes. Elas estabelecem uma relação de mutualismo com bactérias fixadoras de N₂ (do gênero Rhizobium), que vivem em seus nódulos radiculares e convertem o N₂ atmosférico em amônia (NH₃), enriquecendo o solo com nitrogênio. As bactérias nitrificantes (como Nitrosomonas e Nitrobacter) atuam no solo convertendo amônia em nitrito e nitrato, um processo que não é prejudicado pelas leguminosas. A confusão aqui é entre os diferentes grupos bacterianos e seus papéis no ciclo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a morte dos peixes está relacionada à escassez de nitrogênio, que provoca a proliferação de algas. Há dois erros graves: (1) a morte dos peixes não é causada por escassez de nitrogênio, mas sim pela queda de oxigênio dissolvido na água, consequência da decomposição das algas; (2) a proliferação de algas é causada pelo excesso de nitrogênio (eutrofização), não pela escassez. A alternativa inverte completamente a relação de causa e efeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o uso excessivo de fertilizantes industriais elimina as bactérias fixadoras presentes nas raízes das leguminosas. Não há fundamento biológico para essa afirmação. Os fertilizantes nitrogenados podem reduzir a necessidade da simbiose com Rhizobium (já que a planta tem nitrogênio disponível no solo), mas não "eliminam" as bactérias dos nódulos. A relação simbiótica é regulada pela planta, e a presença de nitrogênio no solo pode inibir a formação de novos nódulos, mas não elimina as bactérias já existentes. A alternativa confunde o efeito fisiológico (menor nodulação) com uma eliminação total das bactérias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as leguminosas possuem nas raízes bactérias capazes de transformar nitrato em amônia, que é carreada para o curso d'água pelas chuvas. Há dois erros: (1) as bactérias dos nódulos de leguminosas (Rhizobium) realizam fixação de nitrogênio (N₂ → NH₃), e não a transformação de nitrato em amônia (que seria uma forma de redução, não típica dessas bactérias); (2) a amônia produzida é utilizada pela própria planta, não sendo "carreada" para corpos d'água em quantidades significativas. O nitrogênio que chega aos rios e causa eutrofização vem principalmente dos fertilizantes sintéticos lixiviados, não da amônia fixada pelas leguminosas.

Gabarito: letra A

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