Há 15 anos, quem visitava o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis (SC), encontrava muitos pinheiros (Pinus spp.) espalhados pela paisagem arenosa. O cenário, apesar de belo, representava um problema ecológico: essas árvores, nativas da América do Norte, se dispersam facilmente e, naquela área de restinga, consomem muita água, afetam as propriedades do solo e prejudicam a vegetação nativa, que não se adapta à sua sombra.
(https://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em 07/09/2025. Adaptado)
Segundo as informações do texto, os pinheiros encontrados em Florianópolis são considerados uma espécie
Aexótica invasora que, por competição interespecífica, sobrepõe-se ao nicho ecológico das espécies nativas.
Bnativa que, por parasitismo, reduz a disponibilidade de recursos no solo para as espécies brasileiras.
Cexótica que, por formação de colônias, invade o habitat e o nicho ecológico das espécies brasileiras.
Dexótica invasora que, por competição intraespecífica, avança sobre o habitat das espécies nativas.
Enativa que, por inquilinismo, amplia a área de ocupação e obtém nutrientes das espécies brasileiras.
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GabaritoA — exótica invasora que, por competição interespecífica, sobrepõe-se ao nicho ecológico das espécies nativas.
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Espécies exóticas invasoras e relações ecológicas
Gabarito: letra A. Os pinheiros (Pinus spp.) são espécies exóticas invasoras — nativas da América do Norte, foram introduzidos no Brasil — e prejudicam a vegetação nativa por competição interespecífica, disputando recursos como água, nutrientes e luz, e sobrepondo-se ao nicho ecológico das espécies locais. A alternativa correta combina os dois conceitos: exótica invasora + competição interespecífica.
O texto descreve um problema ecológico clássico: a introdução de uma espécie fora de sua área de distribuição natural. Espécies exóticas são aquelas que ocorrem fora de sua região de origem, geralmente por ação humana (intencional ou acidental). Quando uma espécie exótica se estabelece, se reproduz e se dispersa no novo ambiente, causando danos ecológicos, econômicos ou à saúde humana, ela é classificada como invasora. O Pinus é um exemplo paradigmático: plantado para fins comerciais (madeira, celulose), escapou do cultivo e invadiu áreas de restinga, campos e até unidades de conservação, como o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.
O mecanismo de dano descrito é a competição interespecífica, que ocorre entre indivíduos de espécies diferentes que disputam um recurso limitado do ambiente — no caso, água, nutrientes do solo e luz. O texto é explícito: os pinheiros "consomem muita água, afetam as propriedades do solo e prejudicam a vegetação nativa, que não se adapta à sua sombra". Ou seja, eles competem diretamente com as espécies nativas por recursos, reduzindo a disponibilidade destes e alterando as condições do ambiente (sombreamento, propriedades do solo), o que configura a sobreposição ao nicho ecológico das espécies nativas.
É importante distinguir a competição interespecífica da intraespecífica: esta ocorre entre indivíduos da mesma espécie. Como o problema é entre os pinheiros e as espécies nativas (espécies diferentes), a relação é interespecífica. Também é preciso diferenciar competição de outras relações ecológicas como parasitismo (um organismo vive às custas de outro, retirando nutrientes), inquilinismo (uma espécie usa a outra como abrigo, sem prejudicá-la) e formação de colônias (indivíduos da mesma espécie vivem juntos, com divisão de trabalho). Nenhuma dessas se aplica ao caso: os pinheiros não parasitam as nativas, não as usam como abrigo e não formam colônias no sentido biológico — eles simplesmente competem por recursos.
A pegadinha da banca está em trocar o tipo de relação ecológica e a classificação da espécie. O candidato que sabe que o Pinus é exótico pode marcar a alternativa C (exótica + colônias) sem perceber que "formação de colônias" não é o mecanismo descrito. Ou pode confundir competição interespecífica com intraespecífica (alternativa D). A chave é ler o texto com atenção: ele descreve a disputa entre os pinheiros e a vegetação nativa — espécies diferentes —, o que configura competição interespecífica. Guarde a fronteira entre os tipos de relação ecológica e a classificação da espécie: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Espécies exóticas invasoras
1Exótica
Fora da área de origem
Introdução por ação humana
2Invasora
Estabelece e se reproduz
Causa danos ecológicos
3Mecanismo de dano
Competição interespecífica
Espécies diferentes
Disputa por recurso limitado
Água, nutrientes, luz
Não é intraespecífica
Não é parasitismo
Não é inquilinismo
Não é formação de colônias
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque combina os dois elementos centrais do texto: (1) os pinheiros são exóticos invasores — nativos da América do Norte, foram introduzidos no Brasil e se dispersam facilmente, causando danos ecológicos; (2) o mecanismo de dano é a competição interespecífica — os pinheiros disputam água, nutrientes e luz com as espécies nativas, sobrepondo-se ao nicho ecológico delas. O texto descreve exatamente isso: "consomem muita água, afetam as propriedades do solo e prejudicam a vegetação nativa, que não se adapta à sua sombra".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar os pinheiros como espécie nativa — o texto afirma que são "nativas da América do Norte", portanto exóticas no Brasil. Além disso, o mecanismo descrito não é parasitismo: o parasitismo é uma relação em que uma espécie (parasita) vive às custas de outra (hospedeiro), retirando nutrientes e causando dano, mas sem matá-lo imediatamente. Os pinheiros não parasitam as espécies nativas; eles competem com elas por recursos do ambiente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa acerta ao classificar os pinheiros como exóticos, mas erra ao afirmar que o mecanismo é a "formação de colônias". Formação de colônias é uma relação ecológica intraespecífica (entre indivíduos da mesma espécie) em que há união física e divisão de trabalho, como em corais e caravelas. Os pinheiros não formam colônias; eles competem com as espécies nativas por recursos — o que caracteriza competição interespecífica, não formação de colônias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a competição é intraespecífica. A competição intraespecífica ocorre entre indivíduos da mesma espécie (por exemplo, dois pinheiros disputando água). No caso descrito, a disputa é entre os pinheiros e as espécies nativas — espécies diferentes —, o que configura competição interespecífica. A classificação como exótica invasora está correta, mas o tipo de relação ecológica está errado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra duplamente: (1) classifica os pinheiros como nativos, quando o texto afirma que são originários da América do Norte; (2) descreve o mecanismo como inquilinismo, que é uma relação em que uma espécie usa a outra como abrigo ou suporte, sem causar dano (como bromélias em árvores). Os pinheiros não usam as espécies nativas como abrigo — eles competem com elas por recursos, o que é competição interespecífica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tipo de relação ecológica para confundir: competição interespecífica (entre espécies diferentes) vira intraespecífica (entre a mesma espécie), e parasitismo/inquilinismo/colônias aparecem como distratores. A dica é identificar os participantes da relação: se são espécies diferentes disputando o mesmo recurso, é competição interespecífica. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪