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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu217482
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pres Prudente
Ano
2025
Cargo
Age (Pres Prudente)

A tragédia das crianças sem saneamento 

 

A falta de saneamento básico no Brasil faz com que 6,6 milhões de crianças de zero a seis anos, a chamada primeira infância, afastem-se de suas atividades, de acordo com o estudo Futuro em risco: efeitos da falta de saneamento na vida de grávidas, crianças e adolescentes, divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil. Esse contingente de crianças, que equivale à população do Paraguai, segue sendo negligenciado na fase da vida que é, segundo múltiplas evidências nacionais e internacionais, determinante para um futuro digno. 

 

Sem acesso a esgoto tratado e a creches, ou às vezes sem poder frequentar a creche, quando esta existe, justa- mente porque falta saneamento na região em que vivem, parte significativa das crianças brasileiras cresce com uma herança nefasta, traduzida por uma renda 46,1% menor na idade adulta, de acordo com o estudo. Considerando-se um período de 35 anos de atuação profissional, a diferença de renda entre quem conta e quem não conta com saneamento básico é de mais de R$ 126 mil, montante nada trivial em um país tão desigual quanto o Brasil. 

 

O estudo do Trata Brasil radiografa uma série de efeitos nefastos que vão se acumulando na vida de quem não conta com saneamento na primeira infância. Sem água tratada ou banheiro, crianças de 11 anos têm dificuldade para identificar as horas em um relógio ou para calcular o valor de um troco, habilidades básicas e extremamente necessárias no dia a dia. E esse é apenas um exemplo do quanto a falta do mínimo trava a capacidade de aprendizado e, por consequência, de ascensão social. Crianças que viveram a primeira infância em condições precárias de saneamento chegam à segunda infância (7 a 11 anos) com sequelas no desenvolvimento e têm notas sensivelmente mais baixas em avaliações como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Não é surpresa, então, que jovens de 19 anos sem acesso a saneamento tenham, em média, atraso de 1,8 ano na escolaridade.

 

Garantir acesso à água e ao esgoto tratados, bem como à educação, é o melhor investimento que o País pode fazer em nome do bem-estar da população brasileira e de seu próprio futuro. Sem esgoto tratado, milhões de brasileiros estão expostos a enfermidades que deveriam pertencer ao passa- do, sobrecarregando e onerando o sistema de saúde, faltam às aulas (quando e se há escola), aprendem pouco ou qua- se nada, como demonstram indicadores nacionais e internacionais de educação, e tornam-se adultos despreparados e dependentes de ajuda governamental.

 

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.10.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

Um contingente expressivo de crianças de zero a seis anos, no Brasil,                    sem esgoto tratado e creches, devido                   falta de saneamento na região em que vivem, e estarão sujeitas                  uma herança nefasta. Em um período de 35 anos de atuação profissional,                     que mais de R$ 126 mil é a diferença de renda entre quem conta e quem não conta com saneamento básico. 

 

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:

  1. Asegue ... a ... à ... são estimados
  2. Bseguem ... à ... à ... são estimados
  3. Csegue ... a ... à ... estimam-se
  4. Dseguem ... a ... a ... é estimado
  5. Esegue ... à ... a ... estima-se
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — segue ... à ... a ... estima-se

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância, crase e locução verbal no texto sobre saneamento

Gabarito: letra E. A sequência correta é segue ... à ... a ... estima-se. A primeira lacuna exige o verbo seguir no singular (segue), porque o sujeito é o núcleo "contingente" (singular), apesar de vir seguido de "de crianças". A segunda exige à (crase), pois "devido" pede preposição a e o substantivo "falta" admite artigo a — fusão que gera crase. A terceira exige a sem crase, pois "sujeitas" rege apenas preposição a, sem artigo. A quarta exige a forma estima-se (singular), pois o sujeito é a oração subordinada "que mais de R$ 126 mil é a diferença..." — e o verbo "estimar" concorda com esse sujeito oracional, ficando no singular.

O comando da questão

A questão pede que você preencha as lacunas "em conformidade com a norma-padrão". Isso significa que você deve aplicar regras de concordância verbal, crase e locução verbal — não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao trecho. O comando é direto: identificar a sequência que respeita a norma culta.

O texto e o trecho lacunado

O texto trata da falta de saneamento básico e seus efeitos na primeira infância. O trecho lacunado é uma adaptação do segundo parágrafo:

"Um contingente expressivo de crianças de zero a seis anos, no Brasil, segue sem esgoto tratado e creches, devido à falta de saneamento na região em que vivem, e estarão sujeitas a uma herança nefasta. Em um período de 35 anos de atuação profissional, estima-se que mais de R$ 126 mil é a diferença de renda entre quem conta e quem não conta com saneamento básico."

Perceba que o sujeito de "seguir" é "Um contingente expressivo" — núcleo singular. A expressão "de crianças" é apenas um complemento, não altera a concordância. Por isso, o verbo fica no singular: segue.

A técnica que decide cada lacuna

1ª lacuna — concordância verbal: O sujeito é "Um contingente expressivo de crianças". O núcleo é "contingente" (singular). Mesmo com o adjunto "de crianças" no plural, o verbo concorda com o núcleo: segue. Alternativas com "seguem" (B e D) erram a concordância.

2ª lacuna — crase: A expressão é "devido à falta de saneamento". O adjetivo "devido" exige a preposição a (devido a algo). O substantivo "falta" é feminino e admite o artigo a. Preposição + artigo = à (crase). Portanto, a forma correta é à. Alternativas com "a" sem crase (A, C, D) erram.

3ª lacuna — crase (regência nominal): A expressão é "sujeitas a uma herança nefasta". O adjetivo "sujeitas" rege a preposição a (sujeitas a algo). O termo seguinte é "uma herança" — o artigo indefinido "uma" impede a fusão com a preposição, pois não há artigo definido "a" para formar crase. Portanto, a forma correta é a (sem crase). Alternativas com "à" (A, B) erram.

4ª lacuna — locução verbal e concordância: A forma "estima-se" é uma locução verbal com o verbo auxiliar "estimar" na voz passiva sintética (com o pronome apassivador "se"). O sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva "que mais de R$ 126 mil é a diferença...". Quando o sujeito é uma oração, o verbo fica no singular: estima-se. Alternativas com "são estimados" (A, B) erram, pois o sujeito não é "R$ 126 mil" (que é parte da oração), mas a oração inteira. A alternativa D usa "é estimado", mas sem o pronome "se", o que não se encaixa na estrutura "estima-se que".

Análise das alternativas

11ª: "segue"
Sujeito: "contingente" (singular)
"de crianças" não altera
22ª: "à" (crase)
"devido a" + "a falta"
33ª: "a" (sem crase)
"sujeitas a" + "uma herança"
"uma" impede fusão
44ª: "estima-se"
Sujeito oracional
Verbo no singular
Lacunas do texto
LEVELsoulevel.com.br
Lacunas do texto: 1ª: "segue" (Sujeito: "contingente" (singular), "de crianças" não altera); 2ª: "à" (crase) ("devido a" + "a falta"); 3ª: "a" (sem crase) ("sujeitas a" + "uma herança", "uma" impede fusão); 4ª: "estima-se" (Sujeito oracional, Verbo no singular)

Alternativa A — ❌ Incorreta

segue ... a ... à ... são estimados — Erra na segunda lacuna (deveria ser à, não a) e na quarta (deveria ser estima-se, não são estimados). A primeira está correta (segue), mas as demais comprometem a norma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

seguem ... à ... à ... são estimados — Erra na primeira (deveria ser segue, pois o sujeito é singular) e na quarta (são estimados em vez de estima-se). A segunda e a terceira estão corretas, mas a primeira e a quarta invalidam a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

segue ... a ... à ... estimam-se — Erra na segunda (deveria ser à) e na terceira (deveria ser a, sem crase). A primeira está correta, mas a segunda e a terceira estão trocadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

seguem ... a ... a ... é estimado — Erra na primeira (seguem em vez de segue), na segunda (a em vez de à) e na quarta (é estimado sem o pronome "se", o que não forma a voz passiva sintética adequada). A terceira está correta, mas as demais erram.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

segue ... à ... a ... estima-se — Todas as lacunas preenchidas conforme a norma-padrão: segue (concordância com o núcleo singular "contingente"), à (crase em "devido à falta"), a (sem crase em "sujeitas a uma herança") e estima-se (locução verbal com sujeito oracional).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "devido a" e "devido à" (crase) e entre "sujeitas a" e "sujeitas à" (regência nominal). Lembre-se: a crase ocorre quando há fusão de preposição + artigo. Em "devido à falta", há preposição (devido a) + artigo (a falta). Em "sujeitas a uma herança", há apenas preposição (sujeitas a), pois "uma" é artigo indefinido, não definido.

PEGA ESSA DICA!

Para a crase, teste: substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Ex.: "devido ao problema" → "devido à falta" (crase). "sujeitas ao problema" → "sujeitas à falta" (crase), mas "sujeitas a um problema" → "sujeitas a uma herança" (sem crase, pois "um/uma" impede a fusão).

Conclusão: A questão testa três habilidades: concordância verbal (sujeito singular), crase (preposição + artigo) e locução verbal (sujeito oracional). A alternativa E é a única que respeita todas as regras. Gabarito: letra E.

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