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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217543
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
ASJ ( )

Uma nova era para a China

 

A China encerrou 2024 com dois feitos notáveis. O primeiro: o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu no ano passado os 5% que o governo tinha como meta, ligeiramente abaixo dos 5,2% de 2023. Trata-se de crescimento invejável para a maioria dos países, mas muito aquém daquele que o gigante asiático já produziu em um passado não tão distante.

 

Reproduzir tal façanha nos próximos anos, contudo, parece cada vez mais improvável. Oficialmente, o governo chinês ainda sonha com crescimento de 5% no futuro próximo, mas tal desempenho exigirá bem mais que os estímulos dados por Pequim e que garantiram o cumprimento da meta de crescimento em 2024.

 

Desafios como a queda dos preços das casas no obscuro mercado imobiliário chinês, desemprego acima de dois dígitos entre os mais jovens e consumo interno fraco são problemas estruturais com os quais Pequim vem tentando lidar com o gradualismo que lhe é característico.

 

Outro ponto de atenção é o encolhimento populacional, mesmo para um país com mais de 1 bilhão de habitantes.

A China registrou declínio de população nos últimos três anos, indicativo de que os chineses, que contam com aparato muito reduzido de proteção social, têm optado por não ter filhos, ou seja, cai o número de trabalhadores e consumidores tão necessários a uma economia que precisará fortalecer cada vez mais a demanda interna.

 

Isto porque o segundo feito notável conquistado pela China no ano passado, o superávit comercial de quase US$ 1 trilhão (mais de R$ 6 trilhões), não apenas não deve se repetir, como certamente será utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como mais um argumento para limitar as importações norte-americanas de produtos chineses.

 

A China sabe que precisa calibrar sua política econômica porque o modelo atual, em grande parte bem-sucedido até aqui, pode enfraquecer ainda mais seu mercado doméstico. Os Estados Unidos sabem que precisam diminuir seu déficit comercial gigantesco, pois ele elimina empregos bem remunerados para os norte-americanos, entre outros problemas.

 

Uma nova era se anuncia para a China. Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais.

 

(O Estado de S.Paulo, Opinião, “Uma nova era para a China”, 19.01.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/ uma-nova-era-para-a-china/. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.   Na análise que faz das relações comerciais entre China e Estados Unidos, o editorial pondera que o jogo de interesses econômicos entre eles
  1. Acria para o mundo um cenário de limitadas expectativas, o que decorre da previsão de aumento do PIB chinês, contrastando com a redução de importações e com o enfraquecimento dos mercados domésticos das duas potências.
  2. Bretira o Brasil de negociações vantajosas, o que deve levar o país a aumentar as tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, medida indispensável para fazer frente às duas potências globais.
  3. Ccoloca o Brasil em uma situação delicada, o que justifica a sua necessidade de fortalecer a racionalidade nos negócios para que não seja prejudicado devido às dissensões entre as duas potências globais.
  4. Ddeixa o Brasil em posição estratégica, o que permitirá expectativa de aumento do PIB nacional e racionalidade nas definições de tarifas de importação de produtos oriundos das duas potências globais.
  5. Egarante ao Brasil condições espetaculares de negociações, o que permitirá equilíbrio em sua participação em negociações internacionais, com o cumprimento da meta de crescimento, de forma a equiparar o país às duas potências globais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — coloca o Brasil em uma situação delicada, o que justifica a sua necessidade de fortalecer a racionalidade nos negócios para que não seja prejudicado devido às dissensões entre as duas potências globais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O jogo de interesses China-EUA e a posição do Brasil

Gabarito: letra C. O editorial pondera que o jogo de interesses econômicos entre China e EUA coloca o Brasil em situação delicada, exigindo racionalidade para não ser prejudicado. Isso está explícito no último parágrafo: "Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais." A alternativa C é uma paráfrase fiel dessa passagem.

O comando pede compreensão ("o editorial pondera que"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, não deduzida de fora. A tarefa é identificar a relação de causa e consequência que o autor estabelece: o conflito China-EUA (causa) → situação delicada para o Brasil (consequência) → necessidade de racionalidade (recomendação).

O texto desenvolve a tese de que a China enfrenta desafios estruturais (queda dos preços das casas, desemprego jovem, consumo fraco, encolhimento populacional) e que o superávit comercial não deve se repetir, sendo usado por Trump para limitar importações. No último parágrafo, o autor aplica essa análise ao Brasil: o país, que já resistiu à Nova Rota da Seda e aumentou tarifas sobre veículos elétricos chineses, precisará de "ainda mais racionalidade" para não sair "chamuscado" na disputa entre as duas potências.

A técnica central é parafrasear sem extrapolar: a alternativa correta deve reescrever com outras palavras exatamente o que o texto diz, sem acrescentar ideias novas. As distratoras, em geral, extrapolam — trazem informações que não estão no texto (como "aumento do PIB chinês" ou "condições espetaculares de negociações") ou restringem o alcance do que foi dito (como "medida indispensável").

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros que o texto não menciona. Por exemplo, a alternativa A fala em "aumento do PIB chinês" — o texto diz que o PIB cresceu 5% em 2024, mas não prevê aumento futuro; a alternativa B diz que aumentar tarifas é "medida indispensável", mas o texto apenas afirma que o Brasil "vem aumentando tarifas", sem juízo de indispensabilidade.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "o editorial pondera que" pede compreensão, não inferência. A resposta deve estar literalmente no texto, apenas reescrita. Desconfie de alternativas que tragam palavras como "sempre", "apenas", "indispensável" — elas costumam restringir ou exagerar o que o texto diz.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o jogo de interesses "cria para o mundo um cenário de limitadas expectativas, o que decorre da previsão de aumento do PIB chinês". O texto não fala em "previsão de aumento do PIB chinês" — pelo contrário, diz que "reproduzir tal façanha nos próximos anos, contudo, parece cada vez mais improvável". Além disso, o texto não menciona "enfraquecimento dos mercados domésticos das duas potências" — fala apenas do mercado doméstico chinês. A alternativa acrescenta informações que não estão no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e opinião embutida. A alternativa diz que o Brasil deve aumentar tarifas como "medida indispensável para fazer frente às duas potências globais". O texto afirma que o Brasil "vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses", mas não diz que isso é "indispensável" — essa é uma opinião que não está no texto. Além disso, a alternativa fala em "retirar o Brasil de negociações vantajosas", o que não é dito em nenhum momento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O último parágrafo diz: "Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais." A alternativa C reescreve exatamente isso: o Brasil está em "situação delicada" (sairá chamuscado), precisa de "racionalidade nos negócios" (ainda mais racionalidade) e pode ser prejudicado pelas "dissensões entre as duas potências" (guerra entre as duas potências). Nenhuma informação foi acrescentada ou suprimida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o Brasil está em "posição estratégica" e que isso "permitirá expectativa de aumento do PIB nacional". O texto não fala em "posição estratégica" nem em "aumento do PIB nacional" — pelo contrário, alerta que o Brasil pode sair "chamuscado". A alternativa inverte o sentido do texto, transformando uma situação de risco em uma oportunidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e opinião embutida. A alternativa fala em "condições espetaculares de negociações" e "equilíbrio em sua participação em negociações internacionais, com o cumprimento da meta de crescimento". Nada disso está no texto. O texto não menciona "condições espetaculares" nem "equilíbrio" — apenas alerta para a necessidade de racionalidade. A alternativa inventa benefícios que o autor não afirma.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra C, pois parafraseia o último parágrafo sem acrescentar ou contradizer nada. As demais ou extrapolam (A, B, E) ou contradizem o texto (D).

Gabarito: letra C

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