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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu217546
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
ASJ ( )

Uma nova era para a China

 

A China encerrou 2024 com dois feitos notáveis. O primeiro: o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu no ano passado os 5% que o governo tinha como meta, ligeiramente abaixo dos 5,2% de 2023. Trata-se de crescimento invejável para a maioria dos países, mas muito aquém daquele que o gigante asiático já produziu em um passado não tão distante.

 

Reproduzir tal façanha nos próximos anos, contudo, parece cada vez mais improvável. Oficialmente, o governo chinês ainda sonha com crescimento de 5% no futuro próximo, mas tal desempenho exigirá bem mais que os estímulos dados por Pequim e que garantiram o cumprimento da meta de crescimento em 2024.

 

Desafios como a queda dos preços das casas no obscuro mercado imobiliário chinês, desemprego acima de dois dígitos entre os mais jovens e consumo interno fraco são problemas estruturais com os quais Pequim vem tentando lidar com o gradualismo que lhe é característico.

 

Outro ponto de atenção é o encolhimento populacional, mesmo para um país com mais de 1 bilhão de habitantes.

A China registrou declínio de população nos últimos três anos, indicativo de que os chineses, que contam com aparato muito reduzido de proteção social, têm optado por não ter filhos, ou seja, cai o número de trabalhadores e consumidores tão necessários a uma economia que precisará fortalecer cada vez mais a demanda interna.

 

Isto porque o segundo feito notável conquistado pela China no ano passado, o superávit comercial de quase US$ 1 trilhão (mais de R$ 6 trilhões), não apenas não deve se repetir, como certamente será utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como mais um argumento para limitar as importações norte-americanas de produtos chineses.

 

A China sabe que precisa calibrar sua política econômica porque o modelo atual, em grande parte bem-sucedido até aqui, pode enfraquecer ainda mais seu mercado doméstico. Os Estados Unidos sabem que precisam diminuir seu déficit comercial gigantesco, pois ele elimina empregos bem remunerados para os norte-americanos, entre outros problemas.

 

Uma nova era se anuncia para a China. Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais.

 

(O Estado de S.Paulo, Opinião, “Uma nova era para a China”, 19.01.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/ uma-nova-era-para-a-china/. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.   A tipologia textual predominante no texto é a
  1. Aexpositiva, pois tem como objetivo a explicação dos impactos mundiais das medidas protetivas comerciais do Brasil.
  2. Binjuntiva, pois tem como objetivo a interlocução direta com o leitor para que entenda o contexto da economia chinesa.
  3. Cnarrativa, pois tem como objetivo o relato pormenorizado das relações comerciais entre a China e os Estados Unidos.
  4. Ddescritiva, pois tem como objetivo a apresentação das características da conjuntura atual chinesa e os desafios que o país enfrenta.
  5. Eargumentativa, pois tem como objetivo a análise da conjuntura econômica atual e sua relação com os Estados Unidos e o Brasil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — argumentativa, pois tem como objetivo a análise da conjuntura econômica atual e sua relação com os Estados Unidos e o Brasil.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o texto é argumentativo

Gabarito: letra E. O texto é argumentativo porque o autor defende uma tese — a de que a China enfrenta desafios estruturais e que o Brasil precisa de "ainda mais racionalidade" diante da disputa entre as potências — e busca convencer o leitor por meio de uma linha de raciocínio consistente, como se vê no trecho final: "Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais." A tipologia se define pela intenção do autor (convencer), não pela presença de dados ou descrições.

O comando: identificar a tipologia predominante

A questão pede que você reconheça a tipologia textual predominante — ou seja, o tipo de texto que estrutura a organização discursiva como um todo. Não se trata de identificar um trecho isolado, mas de perceber qual é a finalidade comunicativa que domina o texto. Para isso, o caminho é perguntar: o autor quer informar, instruir, narrar, descrever ou convencer? A resposta está na intenção global, não em características superficiais como a presença de números ou de adjetivos.

O texto: tese e argumentos

O texto, publicado como artigo de opinião no jornal O Estado de S. Paulo, analisa a conjuntura econômica chinesa e seus desdobramentos para os Estados Unidos e o Brasil. O autor parte de dados (crescimento do PIB, superávit comercial, declínio populacional) e, a partir deles, constrói uma tese: a China precisa calibrar sua política econômica, e o Brasil deve agir com racionalidade para não sair prejudicado na disputa entre as potências. Essa tese é defendida com argumentos — os desafios estruturais, o encolhimento populacional, a ameaça de Trump — e culmina em uma recomendação ao Brasil. Esse movimento de defender um ponto de vista é a marca do texto dissertativo-argumentativo.

A técnica: intenção > forma

A tipologia textual se define pela intenção do autor, não pela forma. O texto pode conter trechos descritivos (como a caracterização dos desafios) ou expositivos (como a apresentação de dados), mas o que predomina é a argumentação: o autor não apenas informa, ele opina e tenta persuadir. Observe o uso de expressões avaliativas como "crescimento invejável", "problemas estruturais", "sabiamente resistiu" e "será necessária ainda mais racionalidade" — todas revelam um juízo de valor, típico do texto argumentativo. Já o texto expositivo seria neutro, sem defesa de tese; o injuntivo daria ordens ou instruções; o narrativo contaria uma história com personagens e enredo; o descritivo se limitaria a caracterizar, sem avançar uma opinião.

Análise das alternativas

Tipologia textual
  • 1Define-se pela intenção do autor
    • Informar → expositivo
    • Instruir → injuntivo
    • Narrar → narrativo
    • Caracterizar → descritivo
    • Convencer → argumentativo
  • 2Argumentativo
    • Defende tese
    • Usa argumentos
    • Emite juízo de valor
    • Pode conter trechos descritivos/expositivos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que o texto é expositivo e que tem como objetivo "a explicação dos impactos mundiais das medidas protetivas comerciais do Brasil". Há dois erros: primeiro, o texto não é meramente expositivo, pois defende uma tese e emite opiniões (ex.: "será necessária ainda mais racionalidade"); segundo, o foco não são as "medidas protetivas comerciais do Brasil", mas a conjuntura chinesa e suas relações com os EUA e o Brasil. A alternativa tangencia o tema e restringe o alcance do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que o texto é injuntivo e que tem como objetivo "a interlocução direta com o leitor para que entenda o contexto da economia chinesa". O texto não dá instruções, ordens ou conselhos — não há verbos no imperativo nem prescrições de procedimentos. A menção ao Brasil no último parágrafo é uma recomendação dentro da argumentação, não uma instrução direta ao leitor. A alternativa confunde a tipologia injuntiva com a argumentativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o texto é narrativo e que tem como objetivo "o relato pormenorizado das relações comerciais entre a China e os Estados Unidos". O texto não conta uma história com personagens, enredo, tempo e espaço; ele analisa uma conjuntura. Não há progressão temporal de eventos, mas uma exposição de ideias e argumentos. A alternativa extrapola ao tratar o texto como um relato, quando na verdade é uma análise opinativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o texto é descritivo e que tem como objetivo "a apresentação das características da conjuntura atual chinesa e os desafios que o país enfrenta". Embora o texto mencione características e desafios (queda dos preços das casas, desemprego, consumo fraco), isso não é a finalidade principal. A descrição é um recurso a serviço da argumentação, não o objetivo do texto. A alternativa restringe o texto a uma de suas partes e ignora a tese e a defesa de ponto de vista.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que o texto é argumentativo e que tem como objetivo "a análise da conjuntura econômica atual e sua relação com os Estados Unidos e o Brasil". Isso está correto: o autor analisa a conjuntura (crescimento do PIB, superávit, desafios) e defende uma posição — a de que o Brasil precisa de racionalidade diante da disputa entre as potências. O texto é um artigo de opinião, gênero típico do tipo argumentativo, com tese, argumentos e conclusão. A alternativa sintetiza com precisão a intenção predominante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre descrever e argumentar. O texto contém dados e características, mas eles são usados como argumentos para defender uma tese, não como fim em si mesmos. Desconfie de alternativas que citam apenas o conteúdo ("características", "relato") sem mencionar a intenção de convencer.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte: "o autor quer informar, instruir, narrar, descrever ou convencer?" Se houver opinião e defesa de ponto de vista, é argumentativo, mesmo que haja trechos descritivos ou expositivos.

Conclusão: a tipologia predominante é a argumentativa, pois o texto defende uma tese e busca persuadir o leitor. As demais alternativas ou descrevem tipologias que não correspondem à intenção global, ou reduzem o texto a aspectos secundários. Gabarito: letra E.

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