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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2025

PortuguêsConjunção
Código
vu217560
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
PsiJ ( )

Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é — creio bem — uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.

 

Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos musicais, e contudo pensar. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso.

 

[...]

 

Creio bem que, num mundo civilizado perfeito, não haveria outra arte que não a prosa. Deixaríamos os poentes aos mesmos poentes, cuidando apenas, em arte, de os compreender verbalmente, assim os transmitindo em música inteligível de cor. Não faríamos escultura dos corpos, que guardariam próprios, vistos e tocados, o seu relevo móbil e o seu morno suave. Faríamos casas só para morar nelas, que é, enfim, o para que elas são. A poesia ficaria para as crianças se aproximarem da prosa futura; que a poesia é, por certo, qualquer coisa de infantil, de mnemônico, de auxiliar e inicial.

 

(Fernando Pessoa; Bernardo Soares. Livro do Desassossego. 2013. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão abaixo.

 

Na passagem do texto – Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo. –, as expressões destacadas contribuem para a progressão textual, estabelecendo entre as orações, correta e respectivamente, relações de sentido de:

  1. Aconformidade, causa e conclusão.
  2. Bconformidade, causa e oposição.
  3. Ccomparação, finalidade e causa.
  4. Dcausa, condição e conclusão.
  5. Ecomparação, oposição e oposição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — comparação, oposição e oposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas entre orações: como, ainda que e todavia

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que identifica corretamente as três relações de sentido estabelecidas pelas expressões destacadas no trecho: "Como a música" introduz uma comparação; "ainda que não sejam as leis rígidas" estabelece uma oposição (concessão); e "todavia" também marca oposição (adversidade). A passagem que ancora essa leitura é o trecho citado no enunciado, em que o autor compara o verso à música e, em seguida, ressalva que, mesmo sem as leis rígidas, existem coações — e, por fim, contrapõe essa ideia ao que se esperaria.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifiquem as relações de sentido que as expressões destacadas estabelecem entre as orações, "correta e respectivamente". Isso significa que devemos analisar cada conectivo em seu contexto, percebendo o valor semântico que ele assume ali — não o valor que teria em outro contexto. É uma questão de semântica dos conectivos, que exige atenção ao sentido que cada um carrega no trecho específico.

O texto e o trecho analisado

No trecho, o autor (Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa) discute a natureza do verso em relação à prosa. Ele afirma que o verso é limitado por leis rítmicas, mas que essas leis, ainda que não sejam as rígidas do verso regular, existem como "resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo". A ideia central é que o verso, mesmo sem as leis rígidas, ainda sofre limitações — e isso é uma concessão (oposição entre o que se esperaria e o que ocorre). Em seguida, o autor usa "todavia" para introduzir uma adversidade (oposição direta) entre a ideia de que o verso é limitado e a ideia de que, na prosa, falamos livres.

A técnica que decide

Para resolver, é preciso reconhecer o valor semântico de cada conectivo no contexto:

  • "Como a música": estabelece uma comparação entre o verso e a música. O verso é comparado à música, pois ambos são limitados por leis rítmicas.

  • "ainda que não sejam as leis rígidas": estabelece uma concessão (oposição). A oração introduzida por "ainda que" admite uma objeção (não são as leis rígidas), mas não impede a afirmação principal (existem como resguardos). É uma oposição entre o que se esperaria (sem leis rígidas, sem limitação) e o que ocorre (ainda há limitação).

  • "todavia": estabelece uma adversidade (oposição). A conjunção "todavia" é coordenativa adversativa, indicando contraste entre a oração anterior (o verso é limitado) e a seguinte (na prosa falamos livres).

Portanto, a sequência correta é: comparação, oposição e oposição.

Análise das alternativas

1"Como a música"
Comparação
2"ainda que não sejam as leis rígidas"
Concessão (oposição)
Admite objeção sem impedir a afirmação
3"todavia"
Adversidade (oposição)
Contraste direto entre orações
Conectivos no trecho
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Conectivos no trecho: "Como a música" (Comparação); "ainda que não sejam as leis rígidas" (Concessão (oposição), Admite objeção sem impedir a afirmação); "todavia" (Adversidade (oposição), Contraste direto entre orações)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que as relações são de conformidade, causa e conclusão. Isso está errado porque:

  • "Como a música" não indica conformidade (que seria "conforme", "segundo"), mas sim comparação.

  • "ainda que" não indica causa, mas concessão (oposição).

  • "todavia" não indica conclusão, mas adversidade (oposição).

A alternativa A extrapola o sentido dos conectivos, atribuindo-lhes valores que não têm no contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que as relações são de conformidade, causa e oposição. Isso está errado porque:

  • "Como a música" não indica conformidade, mas comparação.

  • "ainda que" não indica causa, mas concessão (oposição).

  • "todavia" indica oposição (adversidade), o que está correto.

A alternativa B troca o conceito de "como" (comparação) por "conformidade" e de "ainda que" (concessão) por "causa".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que as relações são de comparação, finalidade e causa. Isso está errado porque:

  • "Como a música" indica comparação, o que está correto.

  • "ainda que" não indica finalidade (que seria "para que"), mas concessão (oposição).

  • "todavia" não indica causa, mas adversidade (oposição).

A alternativa C troca o conceito de "ainda que" (concessão) por "finalidade" e de "todavia" (adversidade) por "causa".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que as relações são de causa, condição e conclusão. Isso está errado porque:

  • "Como a música" não indica causa, mas comparação.

  • "ainda que" não indica condição (que seria "se", "caso"), mas concessão (oposição).

  • "todavia" não indica conclusão, mas adversidade (oposição).

A alternativa D extrapola o sentido dos conectivos, atribuindo-lhes valores que não têm no contexto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que as relações são de comparação, oposição e oposição. Isso está correto porque:

  • "Como a música" estabelece uma comparação entre o verso e a música.

  • "ainda que não sejam as leis rígidas" estabelece uma concessão (oposição), pois admite uma objeção sem impedir a afirmação principal.

  • "todavia" estabelece uma adversidade (oposição), pois contrapõe a ideia de limitação do verso à liberdade da prosa.

A alternativa E é a única que identifica corretamente os três valores semânticos no contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores semânticos dos conectivos. "Como" pode ser conformidade, causa ou comparação, dependendo do contexto; "ainda que" é sempre concessivo (oposição); "todavia" é sempre adversativo (oposição). A pegadinha está em trocar esses valores por outros que parecem plausíveis, mas não se aplicam ao trecho.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de conectivos, identifique o valor semântico de cada um no contexto, não no dicionário. Pergunte: "que relação lógica essa expressão estabelece entre as orações?" Se houver uma objeção que não impede a afirmação, é concessão; se houver contraste direto, é adversidade.

Gabarito: letra E — a única que reconhece a comparação, a concessão e a adversidade no trecho.

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