Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217562
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
PsiJ ( )
Medo de adversidades climáticas tem de
ser ressignificado em tempos de ecoansiedade
A ecoansiedade é o medo persistente de um colapso ambiental. Isso tem se tornado uma preocupação crescente, principalmente entre crianças e adolescentes. Mudanças climáticas, poluição e perda de biodiversidade estão mais evidentes. A atual juventude tem mais consciência quanto às questões ambientais que assolam o planeta. Entretanto, sentimentos de ansiedade, tristeza e impotência têm acompanhado tal percepção. Nesse cenário, familiares e educadores desempenham um papel fundamental para ajudar crianças e jovens a lidar com esses sentimentos, transformando o medo em ação e esperança.
Diferentemente de outros transtornos psiquiátricos, a ecoansiedade ainda não recebeu um diagnóstico clínico oficial. Contudo, seus efeitos são reais e significativos. Um estudo global publicado na revista The Lancet, em 2021, revelou que 59% dos jovens entre 16 e 25 anos estão preocupados com as mudanças climáticas. Muitos ainda relataram dificuldades ao imaginar um futuro cuja perspectiva fosse positiva. Tais sintomas são comumente identificados em países vulneráveis aos impactos ambientais. O Brasil é um dos lugares mais afetados por cataclismos ambientais, devido à ocorrência de enchentes, de queimadas e de secas.
Essa alteração no padrão de comportamento de jovens em todo o mundo exige uma abordagem sensível e prática de familiares e educadores. É um compromisso social validar tais problematizações. Muitas vezes, as queixas dessa população são minimizadas com expressões como “não se preocupe” ou “você é muito jovem para pensar nisso”. Tal reação gera frustração, isolando-os ainda mais. A empatia reforça a audiência desses indivíduos e lhes dá uma resposta que reconhece a seriedade das suas sensações. Frases como “entendo o que você está sentindo” ou “vamos pensar juntos em como podemos contribuir para a construção de um mundo melhor” ajudam a construir diálogos e criar vínculos emocionais mais consistentes.
Leia o texto para responder à questão abaixo. O texto deixa evidente que as crianças e os jovens
Apassam a desenvolver a ecoansiedade em razão de expressões como “não se preocupe” ou “você é muito jovem para pensar nisso”, mas raramente são tratados, uma vez que ela ainda não recebeu um diagnóstico clínico oficial.
Bencontram na ecoansiedade uma forma de enfrentar as dificuldades ao imaginar um futuro cuja perspectiva seja positiva, o que se reforça com a ideia presente em “vamos pensar juntos em como podemos contribuir para a construção de um mundo melhor”.
Cconseguem enfrentar a ecoansiedade de modo mais eficiente, apesar das evidências das mudanças climáticas, diferentemente do que acontece com as pessoas mais velhas, conforme estudo global publicado na revista The Lancet, em 2021.
Dtêm grandes expectativas em relação ao futuro, o que faz com que a ecoansiedade se dissemine menos entre eles, sobretudo porque ignoram as ideias subjacentes a expressões como “não se preocupe” ou “você é muito jovem para pensar nisso”.
Eestão vulneráveis aos problemas climáticos, do que decorre um novo transtorno psiquiátrico denominado ecoansiedade, que requer de familiares e educadores momentos de interação que ajudem a construir diálogos e criar vínculos emocionais mais consistentes.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — estão vulneráveis aos problemas climáticos, do que decorre um novo transtorno psiquiátrico denominado ecoansiedade, que requer de familiares e educadores momentos de interação que ajudem a construir diálogos e criar vínculos emocionais mais consistentes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ecoansiedade: vulnerabilidade e o papel de familiares e educadores
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto: ela afirma que crianças e jovens estão vulneráveis aos problemas climáticos, do que decorre a ecoansiedade, e que isso requer de familiares e educadores momentos de interação que ajudem a construir diálogos e criar vínculos emocionais. Cada um desses elementos encontra apoio direto em passagens do texto, como se verá.
O comando pede que se identifique o que o texto deixa evidente sobre crianças e jovens — ou seja, uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel de informações explícitas, sem deduções nem acréscimos. Isso muda a estratégia: em vez de inferir, o candidato deve localizar no texto as afirmações que sustentam cada alternativa e verificar se alguma palavra-chave foi trocada, restringida ou extrapolada.
O texto é um artigo de opinião que parte da definição de ecoansiedade (medo persistente de colapso ambiental), mostra sua incidência entre jovens (com dados da revista The Lancet), e conclui defendendo uma abordagem sensível e prática de familiares e educadores para transformar o medo em ação e esperança. A tese central está no final do 1º parágrafo e é retomada no 3º: o papel de adultos próximos é essencial para ajudar crianças e jovens a lidar com esses sentimentos.
A técnica que decide esta questão é o teste da paráfrase com âncora: para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a que reescreve o que está dito, sem introduzir causa, comparação ou negação que o autor não fez. As distratoras, como veremos, cometem exatamente esses deslizes: uma inventa uma causa, outra inverte a relação, outra compara com pessoas mais velhas, outra nega o que o texto afirma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro — a alternativa A, por exemplo, usa expressões reais do texto ("não se preocupe") mas as transforma em causa da ecoansiedade, quando o texto as apresenta como reação que gera frustração. Fique atento a conectivos de causa ("em razão de", "do que decorre") e de oposição ("mas", "apesar de") — eles mudam tudo.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "deixa evidente" pede recorrência (informação explícita), não inferência. Se a alternativa exigir dedução além do texto, ela está errada.
Ecoansiedade
1Definição
Medo persistente de colapso ambiental
2Incidência
Jovens vulneráveis aos impactos
Estudo The Lancet (16-25 anos)
3Reação dos adultos
Minimização ("não se preocupe")
Gera frustração e isolamento
4Papel de familiares e educadores
Abordagem sensível e prática
Construir diálogos e vínculos
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A afirma que as crianças e jovens passam a desenvolver a ecoansiedade em razão de expressões como "não se preocupe" — mas o texto não diz isso. No 3º parágrafo, essas expressões aparecem como reação das pessoas às queixas dos jovens, e não como causa do transtorno:
"Muitas vezes, as queixas dessa população são minimizadas com expressões como 'não se preocupe' ou 'você é muito jovem para pensar nisso'. Tal reação gera frustração, isolando-os ainda mais."
A ecoansiedade, segundo o 1º parágrafo, é o medo persistente de um colapso ambiental — surge da percepção das mudanças climáticas, não das frases de minimização. Além disso, a alternativa diz que os jovens "raramente são tratados, uma vez que ela ainda não recebeu um diagnóstico clínico oficial" — o texto afirma que a ecoansiedade não recebeu diagnóstico oficial, mas não diz que isso impede o tratamento; pelo contrário, o texto defende que familiares e educadores devem ajudar. Erro: extrapolação (inventa causa e consequência) e contradição (o texto propõe acolhimento, não ausência de tratamento).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B inverte a relação: diz que os jovens encontram na ecoansiedade uma forma de enfrentar as dificuldades ao imaginar um futuro positivo. O texto diz exatamente o oposto: a ecoansiedade é um medo que causa ansiedade, tristeza e impotência, e os jovens têm dificuldades ao imaginar um futuro cuja perspectiva fosse positiva (2º parágrafo). A frase "vamos pensar juntos..." é apresentada como uma estratégia de acolhimento dos adultos, não como algo que os jovens encontram na própria ecoansiedade. Erro: contradiz o texto (inverte o sentido) e troca o referente (atribui aos jovens o que é ação dos educadores).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C introduz uma comparação que o texto não faz: diz que os jovens "conseguem enfrentar a ecoansiedade de modo mais eficiente... diferentemente do que acontece com as pessoas mais velhas". O texto menciona o estudo da The Lancet sobre jovens de 16 a 25 anos, mas não compara a capacidade de enfrentamento entre jovens e mais velhos. Além disso, o texto afirma que os jovens estão preocupados e com dificuldades de imaginar futuro positivo — não que enfrentam "de modo mais eficiente". Erro: extrapolação (acrescenta comparação inexistente) e contradição (o texto mostra vulnerabilidade, não eficiência).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que os jovens têm grandes expectativas em relação ao futuro, o que faz com que a ecoansiedade se dissemine menos entre eles, e que eles ignoram as expressões minimizadoras. Tudo isso contradiz o texto: o 2º parágrafo diz que 59% dos jovens estão preocupados e muitos têm dificuldades ao imaginar um futuro positivo; o 3º parágrafo mostra que as expressões como "não se preocupe" geram frustração e isolam os jovens — ou seja, eles não ignoram tais expressões; elas os afetam negativamente. Erro: contradiz o texto (nega o que está dito) e extrapola (inventa "grandes expectativas" e menor disseminação).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E é a única que parafraseia fielmente o texto, sem acréscimos. Vejamos cada parte:
"estão vulneráveis aos problemas climáticos": o 2º parágrafo afirma que "Tais sintomas são comumente identificados em países vulneráveis aos impactos ambientais. O Brasil é um dos lugares mais afetados por cataclismos ambientais" — e o texto trata especificamente de crianças e jovens.
"do que decorre um novo transtorno psiquiátrico denominado ecoansiedade": o 1º parágrafo define a ecoansiedade como "o medo persistente de um colapso ambiental" e o 2º diz que "seus efeitos são reais e significativos". O texto a chama de "transtorno" ("Diferentemente de outros transtornos psiquiátricos").
"que requer de familiares e educadores momentos de interação que ajudem a construir diálogos e criar vínculos emocionais mais consistentes": o 3º parágrafo conclui exatamente isso:
"Essa alteração no padrão de comportamento de jovens em todo o mundo exige uma abordagem sensível e prática de familiares e educadores... Frases como 'entendo o que você está sentindo' ou 'vamos pensar juntos em como podemos contribuir para a construção de um mundo melhor' ajudam a construir diálogos e criar vínculos emocionais mais consistentes."
A alternativa E reescreve essa passagem com outras palavras, mantendo o sentido. Não há nenhuma informação de fora. Correta: paráfrase fiel.
Conclusão: a questão testa a habilidade de distinguir o que está escrito do que se acrescenta. As alternativas A, B, C e D cometem, cada uma, um deslize típico: A extrapola a causa, B inverte a relação, C compara sem base, D nega o texto. A E apenas traduz o que o autor disse. Ao resolver, pergunte sempre: o texto autoriza isto, ou exige que eu traga algo de fora?