Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217606
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
AnaSistJ ( )

Um Oscar para a coragem

 

Já conquistamos cinco Copas do Mundo, mas nunca tivemos um Prêmio Nobel e até anteontem jamais havíamos levado um Oscar.

 

De certa forma, isto nos resumia: um país bom de bola, mas ruim do resto.

 

Não mais: o Brasil finalmente entrou para o time dos laureados com o principal prêmio do cinema mundial, ganhando como melhor filme de língua não inglesa com a produção Ainda Estou Aqui.

 

Isso não significa, é claro, que de uma hora para outra o cinema brasileiro tenha se tornado uma potência capaz de ombrear com a indústria de países com muito mais tradição nessa arte.

 

No entanto, o prêmio para Ainda Estou Aqui aponta o amadurecimento dos artistas e profissionais brasileiros nessa arte que comove e diverte o mundo há mais de um século.

 

É muito provável que essa vitória atraia mais curiosidade no exterior sobre o cinema brasileiro e acalente os sonhos dos jovens diretores daqui.

 

Dito isso, mesmo que não tivesse sido o primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar, Ainda Estou Aqui tem um significado extraordinário para o País, como poucas obras de arte tiveram em nossa história.

 

À medida que o filme passou a ganhar visibilidade, críticas positivas e prêmios no exterior, instalou-se no País um sentimento que só costumamos ver em época de Copas do Mundo.

 

Quando a atriz espanhola Penélope Cruz anunciou o Oscar para o longa dirigido por Walter Salles, o Brasil explodiu em celebração.

 

Tanto entusiasmo não é exagero.

 

Como destacou Fernanda Torres, atriz principal do filme, o fato de uma produção falada em português ter recebido três indicações ao Oscar – melhor filme, melhor atriz e melhor filme estrangeiro – já era um feito.

 

Ancorado na atuação impecável de Fernanda Torres, agora um talento internacionalmente reconhecido, o filme conseguiu, com sutileza e sobriedade, retratar a vida de inúmeras famílias.

 

Com isso, a produção transformou um tema local em algo universal.

 

Ao decidir narrar a história dos Paiva na atual conjuntura, portanto, o diretor Walter Salles foi particularmente corajoso, sobretudo porque deu visibilidade à aguerrida Eunice, que lutou para preservar sua família e perseverou em busca de justiça.

 

Só isso já é digno de aplausos.

   Nem precisava de Oscar.

(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 04.03.2025. Adaptado)

O editorial considera o filme Ainda Estou Aqui como uma obra
  1. Asóbria e sutil, já que Walter Salles, ao relacionar a história de Eunice Paiva e sua família com os dias de hoje, equilibrou razão e emoção, tornando a personagem de Fernanda Torres menos belicosa.
  2. Bmanifesta de coragem, porque Walter Salles ousou trazer para a conjuntura atual o espírito combativo de Eunice Paiva não apenas para resguardar sua família como também para buscar justiça.
  3. Ccheia de emoção, por meio da qual Walter Salles expõe como se arrefeceram as energias de Eunice Paiva para cuidar da família e buscar justiça, situação que, por si só, dispensaria o prêmio do Oscar.
  4. Dimportante na abordagem de um tema local, ainda que não tenha representatividade global, pois Walter Salles apresenta os desafios de Eunice Paiva para preservar a família e buscar a justiça.
  5. Ecelebrada e universal, com a qual Walter Salles decide dar visibilidade à história de Eunice Paiva, destacando a forma como a sua sujeição ao sistema social garantiu a segurança de sua família
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — manifesta de coragem, porque Walter Salles ousou trazer para a conjuntura atual o espírito combativo de Eunice Paiva não apenas para resguardar sua família como também para buscar justiça.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O editorial considera o filme Ainda Estou Aqui como uma obra de coragem

Gabarito: letra B. O editorial define o filme como uma obra manifesta de coragem, porque Walter Salles ousou trazer para a conjuntura atual o espírito combativo de Eunice Paiva, que lutou para preservar a família e perseverou em busca de justiça. A passagem que ancora essa leitura está no trecho em que o autor afirma que o diretor foi "particularmente corajoso" ao dar visibilidade à "aguerrida Eunice, que lutou para preservar sua família e perseverou em busca de justiça".

O comando: compreensão de texto

A questão pede que você identifique como o editorial considera o filme — ou seja, qual é a tese do autor sobre a obra. Isso é uma questão de compreensão (a informação está explícita no texto), não de inferência. A resposta correta é uma paráfrase fiel do que está escrito, sem acrescentar nada de fora. O caminho é localizar o trecho em que o autor avalia o filme e comparar com cada alternativa, verificando se ela repete o sentido exato ou se distorce algum detalhe.

O texto: a tese da coragem

O editorial começa celebrando o Oscar de Ainda Estou Aqui e, em seguida, explica por que a vitória é significativa. O ponto central da avaliação está no trecho:

"Ao decidir narrar a história dos Paiva na atual conjuntura, portanto, o diretor Walter Salles foi particularmente corajoso, sobretudo porque deu visibilidade à aguerrida Eunice, que lutou para preservar sua família e perseverou em busca de justiça."

Aqui está a tese: o filme é uma obra de coragem porque o diretor ousou contar uma história local (a família Paiva) na conjuntura atual, destacando a luta de Eunice por sua família e por justiça. As palavras-chave são "corajoso", "aguerrida", "lutou" e "perseverou" — todas apontam para a ideia de combate, resistência e coragem. A alternativa B captura exatamente isso.

A técnica: teste cada alternativa contra o texto

A armadilha central desta questão é a troca de vocábulo — a banca pega uma ideia verdadeira do texto e a distorce com uma palavra que inverte o sentido. Por isso, ao ler cada alternativa, pergunte: o texto autoriza esta palavra? Se a alternativa diz que Eunice era "menos belicosa", o texto diz que ela era "aguerrida" (o oposto). Se diz que ela se "sujeitou" ao sistema, o texto diz que ela "lutou" e "perseverou". A correta é a única que mantém todas as palavras no sentido exato do texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz que o filme é "sóbria e sutil" e que Walter Salles "equilibrou razão e emoção, tornando a personagem de Fernanda Torres menos belicosa". O texto diz o oposto: Eunice é descrita como "aguerrida" (que significa guerreira, combativa). A palavra "menos belicosa" contradiz o texto, que exalta justamente o espírito de luta da personagem. Além disso, a ideia de "equilíbrio entre razão e emoção" não está no texto — é uma extrapolação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase fiel do trecho central. O texto diz que o diretor foi "particularmente corajoso" e que deu visibilidade à "aguerrida Eunice, que lutou para preservar sua família e perseverou em busca de justiça". A alternativa diz que o filme é "manifesta de coragem" porque Walter Salles "ousou trazer para a conjuntura atual o espírito combativo de Eunice Paiva não apenas para resguardar sua família como também para buscar justiça". Todas as palavras-chave estão presentes: coragem, ousadia, espírito combativo, preservar a família, buscar justiça. Nada foi acrescentado ou distorcido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz que o filme expõe "como se arrefeceram as energias de Eunice Paiva". O verbo "arrefecer" significa esfriar, diminuir — o oposto do que o texto afirma. O texto diz que Eunice "perseverou em busca de justiça" e que era "aguerrida", ou seja, suas energias não arrefeceram; pelo contrário, ela lutou até o fim. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido da luta de Eunice.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o filme é "importante na abordagem de um tema local, ainda que não tenha representatividade global". O texto afirma exatamente o oposto: "a produção transformou um tema local em algo universal". A alternativa contradiz o texto ao negar a universalidade que o autor explicitamente afirma. Além disso, a alternativa omite a ideia central da coragem, que é o foco da tese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que o filme destaca "a forma como a sua sujeição ao sistema social garantiu a segurança de sua família". O texto não fala em "sujeição" — pelo contrário, descreve Eunice como "aguerrida", alguém que "lutou" e "perseverou". A palavra "sujeição" (submissão) é o oposto de "luta" e "resistência". A alternativa contradiz o texto ao trocar o sentido da ação de Eunice: ela não se sujeitou, ela lutou.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca vocábulos que invertem o sentido — "aguerrida" vira "menos belicosa" (A), "perseverou" vira "arrefeceram" (C), "universal" vira "sem representatividade global" (D), "lutou" vira "sujeição" (E). A correta (B) é a única que mantém as palavras exatas do texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife as palavras avaliativas do texto ("corajoso", "aguerrida", "lutou", "perseverou") e confira se cada alternativa as repete ou as inverte. Se uma alternativa troca uma palavra por um antônimo, ela está errada.

Conclusão: a questão testa sua capacidade de reconhecer a tese do autor sem se deixar enganar por paráfrases distorcidas. A alternativa B é a única que reproduz fielmente a avaliação do editorial: o filme é uma obra de coragem porque retrata a luta de Eunice Paiva por sua família e por justiça. Gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/vu217606