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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu217611
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2025
Cargo
Ag ( )

Por que agora a solidão nos adoece?

 

Para Vivek Murthy, cirurgião-geral e principal autoridade de saúde pública dos EUA, “a teoria evolutiva da solidão de John Cacioppo* está enraizada na observação de que os humanos sobreviveram como espécie não porque temos vantagens físicas como tamanho, força ou velocidade, mas por causa de nossa capacidade de nos conectar em grupos sociais”.

 

Essa teoria define a solidão como um estímulo para uma necessidade básica: a de nos conectar. “Assim temos uma maior chance de adaptação ao nosso ambiente”, defendeu o psiquiatra Thyago Antonelli-Salgado, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

“Se pensarmos nos primatas, humanos e não-humanos, com um comportamento de grupo, eles se protegeram contra a ameaça de predação, a escassez de recursos, e, assim, houve uma seleção natural desses indivíduos”, explicou.

 

Hoje, todavia, segundo os especialistas, a solidão é mais prevalente e intensa do que nunca e se configura como um grave problema de saúde pública. Em relatório de 2023, Murthy destaca que essa condição está associada a um risco maior de doença cardiovascular, demência, AVC, depressão, ansiedade e morte prematura. “O impacto de estar socialmente desconectado na mortalidade é semelhante ao causado por fumar até 15 cigarros por dia.”

 

Por enquanto, as principais evidências não são capazes de cravar essa relação de causa e efeito. De qualquer forma, o crescente arcabouço científico tem deixado países em alerta. O Japão criou um “Ministério da Solidão”, e, no Reino Unido, uma secretária foi nomeada para combatê-la.

 

O ponto chave que envolve a solidão é o sofrimento.

 

Entretanto a redução de interações pode ser feita com um objetivo maior, como autoconhecimento ou necessidade profissional (escrever um livro, por exemplo), não estando, portanto, associada a alguma repercussão negativa. Nesse caso, falamos de solitude.

 

Antonelli-Salgado aponta que a solidão não pode ser tema abordado apenas na velhice. A importância da conexão social precisa ser ensinada desde cedo. “Muitas vezes, a gente ensina às crianças que, mesmo sem fome, é importante comer para crescer forte. É preciso tomar água para se hidratar. Mas não falamos sobre a importância de ter boas conexões sociais para que haja uma maior qualidade de vida.” Para ele, bons vínculos têm a ver com profundidade, com estabelecer efetivas relações sociais e pensar que elas são sempre uma troca.

 

(Leon Ferrari. Disponível em: www.estadao.com.br/saude/a-solidao-nosajudou- a-sobreviver-

por-que-agora-nos-adoece-especialistas-explicam/?utm_source=estadao:mail. Adaptado)

 

* John T. Cacioppo (1951-2018): professor da Universidade de Chicago,

onde fundou o Centro da Neurociência Cognitiva e Social.

Considere as passagens a seguir:

 

Por enquanto, as principais evidências não são capazes de cravar essa relação de causa e efeito.

 

O ponto chave que envolve a solidão é o sofrimento.

 

Os trechos destacados podem ser substituídos, respectivamente e sem comprometimento do sentido do texto, por:

  1. Aafirmar imediatamente essa ideia; O ponto prescindível que origina a
  2. Bdemonstrar indubitavelmente essa ligação; O ponto crucial que está associado à
  3. Cprovar futuramente esse problema; O ponto recorrente que se insurge contra a
  4. Dgarantir em parte essa conexão; O ponto inexplicável que é a base da
  5. Eexplicar minimamente esse conceito; O ponto controverso que se mantém exterior à
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GabaritoB — demonstrar indubitavelmente essa ligação; O ponto crucial que está associado à

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Reescrita de trechos: sinonímia contextual e manutenção de sentido

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que substitui os dois trechos destacados sem comprometer o sentido do texto: "demonstrar indubitavelmente essa ligação" preserva a ideia de que as evidências não conseguem provar com certeza a relação de causa e efeito, e "O ponto crucial que está associado à" mantém a ideia de que o sofrimento é o aspecto central que envolve a solidão. Como se lê no texto: "as principais evidências não são capazes de cravar essa relação de causa e efeito" e "O ponto chave que envolve a solidão é o sofrimento".

A questão pede uma reescritura — ou seja, a substituição de palavras ou trechos por outros equivalentes em sentido, sem alterar o que o autor afirma. Isso não é interpretação livre: é uma tarefa de sinonímia contextual. Você precisa encontrar, entre as opções, aquela que parafraseia fielmente o trecho original, mantendo o mesmo valor semântico (o que as evidências fazem ou deixam de fazer; o que é o "ponto chave").

No primeiro trecho, o verbo "cravar" significa "provar de forma definitiva, estabelecer com certeza". A expressão "não são capazes de cravar" indica incapacidade de comprovar plenamente. A alternativa B traduz isso com "demonstrar indubitavelmente" (demonstrar sem dúvida). Já no segundo trecho, "ponto chave" é o aspecto essencial, central. A alternativa B usa "ponto crucial", que é sinônimo direto, e "está associado à" mantém a relação de pertinência (o sofrimento está ligado à solidão).

A armadilha central é a troca de vocábulo que altera sutilmente o sentido. Por exemplo, "afirmar imediatamente" (A) introduz a ideia de tempo (imediatamente) que não existe no original; "provar futuramente" (C) inverte a noção de incapacidade atual; "garantir em parte" (D) contradiz a ideia de não conseguir cravar; "explicar minimamente" (E) troca o verbo "cravar" (provar) por "explicar" (detalhar), mudando o sentido. No segundo trecho, "prescindível" (A) é o oposto de "chave"; "recorrente" (C) e "controversa" (E) fogem do sentido de "central"; "inexplicável" (D) não tem base no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescritura, teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta troca? Se a substituição acrescenta, suprime ou inverte uma ideia, está errada. Grife os termos-chave do original ("cravar", "ponto chave") e procure sinônimos exatos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"afirmar imediatamente essa ideia" — O verbo "afirmar" é mais fraco que "cravar" (que implica prova definitiva), e o advérbio "imediatamente" introduz uma ideia de tempo que não existe no original. O texto diz que as evidências não são capazes de cravar (provar com certeza), não que não possam afirmar logo. "O ponto prescindível" — "prescindível" significa dispensável, o oposto de "chave" (essencial). O texto afirma que o sofrimento é o ponto central, não algo que se pode deixar de lado. Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"demonstrar indubitavelmente essa ligação" — "demonstrar" = provar; "indubitavelmente" = sem dúvida. A expressão "não são capazes de demonstrar indubitavelmente" equivale a "não são capazes de cravar" (provar com certeza). "O ponto crucial que está associado à" — "crucial" é sinônimo de "chave" (essencial, decisivo); "está associado à" mantém a relação de pertinência expressa por "envolve". A substituição preserva integralmente o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"provar futuramente esse problema" — O advérbio "futuramente" introduz uma ideia de tempo futuro que não está no original. O texto diz que as evidências atualmente não são capazes de cravar; não afirma que provarão no futuro. Além disso, "problema" troca o referente ("relação de causa e efeito"). "O ponto recorrente que se insurge contra a" — "recorrente" (que se repete) não é sinônimo de "chave"; "se insurge contra" (revolta-se contra) inverte a relação: o texto diz que o sofrimento envolve a solidão, não que se opõe a ela. Erro: extrapolação temporal e troca de relação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"garantir em parte essa conexão" — "garantir em parte" significa assegurar parcialmente, o que contradiz a ideia de não conseguir cravar (provar plenamente). O texto afirma que as evidências não são capazes de estabelecer a relação; "garantir em parte" sugere que conseguem, ainda que parcialmente. "O ponto inexplicável que é a base da" — "inexplicável" (que não pode ser explicado) não tem base no texto; o autor não diz que o sofrimento é inexplicável, apenas que é o ponto central. Erro: contradiz o texto e acrescenta juízo de valor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"explicar minimamente esse conceito" — "explicar" é diferente de "cravar" (provar); "minimamente" (de forma mínima) não equivale a "não ser capaz de". O texto fala de incapacidade de prova, não de explicação insuficiente. "O ponto controverso que se mantém exterior à" — "controverso" (discutível) não é sinônimo de "chave"; "se mantém exterior à" (fora de) inverte a relação: o texto diz que o sofrimento envolve a solidão, não que está fora dela. Erro: troca de vocábulo e inversão de relação.

Conclusão: A única alternativa que mantém o sentido dos dois trechos é a letra B. As demais ou trocam o verbo por outro de sentido diferente, ou introduzem ideias (tempo, parcialidade, oposição) que o texto não autoriza. Lembre-se: em reescritura, a substituição deve ser fiel ao sentido original, sem acréscimos, supressões ou inversões.

Gabarito: letra B

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