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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu217699
Banca
VUNESP
Órgão
TCE SP
Ano
2025
Cargo
ACE ( )

Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

 

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa*; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça*; mas, afinal, resignara-se, acostumara- se, e acabou achando que era muito direito.

 

Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos.

 

(Machado de Assis. Contos)

 

*À socapa: disfarçadamente

*Comborça: amante

Leia o trecho a seguir do conto “Missa do Galo” para responder a questão seguinte:   Assinale a alternativa em que a reescrita da frase mantém a correção linguística, considerando-se a norma-padrão de regência.
  1. AHavendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. ↔ Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi ficar acordado do que dormir, pois havia me comprometido a acordá-lo à meia-noite.
  2. BBoa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. ↔ Boa Conceição! Chamavam-na de “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente se conformava aos esquecimentos do marido.
  3. CA casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. ↔ A casa aonde eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, de que eu soube ter sido casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas.
  4. DNunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. ↔ Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que tinha pretensão para comparecer lá, pedi-lhe de que permitisse de eu ir consigo.
  5. E... vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. ↔ ... vestia-se, saía e só retornava no lar na manhã seguinte. Mais tarde é que eu tomei conhecimento que o teatro era um eufemismo em ação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. ↔ Boa Conceição! Chamavam-na de “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente se conformava aos esquecimentos do marido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita e regência: a troca que preserva o sentido e a norma-padrão

Gabarito: letra B. A única reescrita que mantém a correção linguística é a que troca "Chamavam-lhe" por "Chamavam-na" e "suportava" por "se conformava", pois ambas as formas estão de acordo com a regência padrão: o verbo chamar no sentido de denominar exige objeto direto (chamar alguém de algo), e o verbo conformar-se rege a preposição a (conformar-se a algo). As demais alternativas ou trocam a regência correta por uma incorreta, ou introduzem erros de crase, colocação pronominal e preposição.

O comando pede que você avalie a reescrita de um trecho, verificando se ela mantém a correção linguística segundo a norma-padrão de regência. Isso significa que a resposta não depende de interpretação de sentido, mas de análise sintática: você deve conferir se os verbos e nomes da nova versão estão regendo seus complementos corretamente, com as preposições e pronomes adequados. A banca não quer saber se a frase ficou bonita ou mais clara — quer saber se a gramática foi respeitada.

No trecho original, temos: "Chamavam-lhe 'a santa'". O verbo chamar, quando significa dar nome, denominar, é transitivo direto: chamar alguém de alguma coisa. Portanto, o pronome correto é o objeto direto "a" (Chamavam-na), e não o indireto "lhe". A reescrita da letra B corrige exatamente isso, trocando "lhe" por "na". Além disso, o verbo suportar (tolerar) é transitivo direto, sem preposição; a reescrita o substitui por conformar-se, que exige a preposição a (conformar-se a algo). A troca é válida porque ambos os verbos expressam a mesma ideia de aceitação passiva, e a regência foi ajustada corretamente.

A pegadinha central da questão é a troca de pronome oblíquo: "lhe" (objeto indireto) por "na" (objeto direto). Muitos candidatos, por hábito, consideram "chamar-lhe" correto, mas, no sentido de denominar, o verbo é transitivo direto. A banca explora exatamente essa confusão entre objeto direto e indireto, comum em verbos como chamar, avisar, informar e prevenir, que podem ter dupla regência conforme o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, teste a regência do verbo com perguntas: "chamar quem?" → objeto direto (chamar a santa); "conformar-se a quê?" → preposição a. Se a pergunta não bater com a preposição usada, a reescrita está errada.

Verbo/Expressão

Regência correta

Erro comum

Chamar (denominar)

Objeto direto: chamar alguém de algo

"chamar-lhe" (usar "lhe")

Conformar-se

Preposição a: conformar-se a algo

"conformar-se com"

Preferir

Preferir X a Y (sem "do que")

"preferir X do que Y"

Estar hospedado

Preposição em: hospedado em lugar

"aonde"

Tomar conhecimento

Preposição de: conhecimento de que

"conhecimento que"

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita troca "preferi não dormir" por "preferi ficar acordado do que dormir". O verbo preferir é transitivo direto e indireto, mas não admite a comparação com "do que": a norma-padrão exige "preferir X a Y" (preferi ficar acordado a dormir). A construção "preferir... do que" é considerada erro de regência pela gramática tradicional. Além disso, a reescrita acrescenta a conjunção "pois" e o verbo "comprometer", que não estão no original, alterando a estrutura sem necessidade. Erro: troca de regência (preferir X a Y) e acréscimo de informação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita corrige a regência de chamar (de "lhe" para "na") e substitui suportar por conformar-se, ajustando a preposição (conformar-se a). Ambas as formas estão corretas na norma-padrão, e o sentido de aceitação passiva é preservado. Correta: mantém a correção linguística e o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescrita troca "em que" por "aonde". O verbo estar hospedado exige a preposição em (estar hospedado em algum lugar), portanto o pronome relativo correto é "em que" ou "onde". "Aonde" é usado apenas com verbos que pedem a preposição a (ir, chegar). Além disso, a reescrita altera a estrutura "que fora casado" para "de que eu soube ter sido casado", mudando o sentido e introduzindo uma regência inadequada (soube de que). Erro: troca de regência (aonde por em que) e alteração de sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A reescrita apresenta múltiplos erros: "tinha pretensão para comparecer" (o correto seria "pretensão de comparecer"), "pedi-lhe de que permitisse" (o verbo pedir é transitivo direto e indireto, mas a preposição "de" é inadequada; o correto seria "pedi-lhe que permitisse") e "de eu ir" (a forma correta é "eu ir" sem preposição, ou "de eu ir" em construção enfática, mas aqui fica inadequada). Erro: múltiplas trocas de regência e preposições incorretas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita troca "tornava" por "retornava no lar". O verbo tornar no sentido de voltar é intransitivo e rege a preposição a (tornar a casa), não "no lar". Além disso, "tomei conhecimento que" é um erro de regência: o correto é "tomei conhecimento de que". Erro: troca de regência (retornar a X) e omissão da preposição exigida por "conhecimento".

Gabarito: letra B. A questão testa a regência verbal e nominal em reescritas. A regra de ouro: ao reescrever, confira se cada verbo mantém a preposição e o pronome adequados ao seu sentido. Se a banca trocou "lhe" por "na" ou "aonde" por "em que", ela está testando exatamente isso — a diferença entre objeto direto e indireto e entre preposições que mudam o sentido.

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