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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu217703
Banca
VUNESP
Órgão
TCE SP
Ano
2025
Cargo
ACE ( )

A chance do Brasil na guerra do presidente norte-americano

 

Guerras nunca são boas. Na melhor das hipóteses, se forem justas, podem ser um mal necessário. A guerra comercial do presidente norte-americano contra o mundo é só um mal desnecessário. Em sua fantasia mercantilista, ele crê que está libertando seu país da economia globalizada, que seus predecessores ajudaram a criar, para transformá-lo numa autarquia que, em sua visão delirante, será reindustrializada, independente de importações e pródiga em exportações. Por alguma razão, ele imagina que reeditar as mesmas barreiras protecionistas que foram empregadas por inúmeros países em inúmeras épocas, com consequências sempre ruins, terá desta vez resultados diferentes.

 

O Brasil conhece essa história. No século passado, políticos e intelectuais imaginaram que a solução para desenvolver uma economia latifundiária e oligárquica dependente de manufaturados internacionais era o Estado erguer barreiras e subsidiar produtores locais. Admitindo-se que essa política tenha estimulado uma certa diversificação das indústrias nascentes, a perpetuação de barreiras comerciais, subsídios, incentivos fiscais e toda a parafernália intervencionista resultou em custos elevados para consumidores e produtores, indústrias pouco competitivas, desconfiança dos investidores internacionais, menos incentivos à inovação e mais incentivos ao clientelismo e à corrupção. Ao contrário do que supunha a “teoria da dependência”, na prática a “substituição das importações” reforçou a dependência de exportações de commodities para financiar a importação de tecnologias.

 

Glosando essa história, as políticas protecionistas do presidente norte-americano em seu primeiro mandato se provaram custosas, ineficazes e regressivas: não reduziram déficits comerciais, não recuperaram a indústria e oneraram mais os pobres. Sua nova ofensiva protecionista será ruim para todos. A imprevisibilidade e a desaceleração dos mercados tendem a reduzir a demanda para exportadores de commodities, como o Brasil. Mas o País tem também vantagens comparativas.

 

Mesmo com uma baixa global da demanda, o Brasil pode ampliar exportações de commodities para países envolvidos em conflitos comerciais com os EUA e também atrair investimentos. No primeiro mandato do presidente norte-americano, por exemplo, o País ampliou a venda de carne, grãos e minérios para a China, que, em contrapartida, investiu mais na infraestrutura brasileira.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.04.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder a questão seguinte:   Assinale alternativa que atende à norma-padrão, considerando- se os aspectos de flexão verbal, concordância nominal e concordância verbal.
  1. ASupõe-se, com a política protecionista, que ocorrerá a redução de déficits comerciais, mas ela poderá ser maléfica.
  2. BO presidente norte-americano interviu na economia mundial, criando nela uma indisposição desnecessário.
  3. CSe o presidente norte-americano manter sua guerra comercial insano, haverão prejuízos em escala global.
  4. DNo século passado, imaginaram-se que a economia latifundiária se desenvolveria com subsídios a produtores locais.
  5. EFora custoso aos mais pobres as políticas protecionistas do presidente norte-americano em seu primeiro mandato.
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GabaritoA — Supõe-se, com a política protecionista, que ocorrerá a redução de déficits comerciais, mas ela poderá ser maléfica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que respeita integralmente a norma-padrão: o verbo "Supõe-se" concorda com o sujeito oracional "que ocorrerá a redução de déficits comerciais" (sujeito oracional exige verbo na 3ª pessoa do singular), e o adjetivo "maléfica" concorda em gênero e número com o pronome "ela" (que retoma "a redução"). As demais alternativas apresentam erros de flexão verbal, concordância nominal ou ambas, como se verá a seguir.

O comando pede que se assinale a alternativa que atende à norma-padrão quanto a "flexão verbal, concordância nominal e concordância verbal". Isso significa que a questão não cobra interpretação do texto, mas sim o domínio das regras gramaticais aplicadas a frases que dialogam com o tema do texto-base. A técnica de resolução é: para cada alternativa, identifique o sujeito de cada verbo e o termo a que cada adjetivo se refere, e verifique se há concordância correta.

O texto-base trata das políticas protecionistas do presidente norte-americano e seus efeitos. O trecho que mais dialoga com as alternativas é o do 3º parágrafo: "as políticas protecionistas do presidente norte-americano em seu primeiro mandato se provaram custosas, ineficazes e regressivas: não reduziram déficits comerciais, não recuperaram a indústria e oneraram mais os pobres". A alternativa A parafraseia essa ideia, e a alternativa E também, mas com erro de concordância.

A regra central que decide a questão é a concordância com sujeito oracional: quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva (introduzida por "que"), o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular. É o caso de "Supõe-se que...". Além disso, é preciso atenção à concordância nominal: adjetivos e pronomes devem concordar em gênero e número com o substantivo a que se referem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura erros de flexão verbal ("interviu" em vez de "interveio", "manter" em vez de "mantiver", "haverão" em vez de "haverá") com erros de concordância nominal ("indisposição desnecessário", "guerra comercial insano", "Fora custoso... as políticas"). A alternativa A é a única que não cai em nenhuma dessas armadilhas.

Concordância verbal
  • 1Sujeito oracional
    • Verbo na 3ª pessoa do singular
    • Ex.: "Supõe-se que..."
  • 2Verbo "haver" (existir)
    • Impessoal
    • Sempre no singular
    • Ex.: "haverá prejuízos"
  • 3Verbo "ser" com sujeito plural
    • Concorda com o núcleo
    • Ex.: "Foram custosas"
  • 4Flexão verbal
    • Intervir (deriva de "vir")
      • "interveio" (não "interviu")
    • Manter (futuro do subjuntivo)
      • "mantiver" (não "manter")
  • 5Concordância nominal
    • Adjetivo concorda com o substantivo
      • "indisposição desnecessária"
      • "guerra comercial insana"
      • "políticas custosas"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "Supõe-se, com a política protecionista, que ocorrerá a redução de déficits comerciais, mas ela poderá ser maléfica" está correta. O verbo "Supõe-se" está na 3ª pessoa do singular porque o sujeito é a oração "que ocorrerá a redução de déficits comerciais" — e sujeito oracional exige verbo no singular. O adjetivo "maléfica" concorda com o pronome "ela", que retoma "a redução" (feminino singular). Não há erro de flexão nem de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro de flexão verbal e de concordância nominal. O verbo "intervir" é derivado de "vir", portanto no pretérito perfeito do indicativo a forma correta é "interveio", e não "interviu". Além disso, o adjetivo "desnecessário" deveria concordar com o substantivo feminino "indisposição", ficando "desnecessária". A alternativa erra ao usar o masculino singular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro de flexão verbal e de concordância nominal. Na estrutura condicional "Se o presidente... manter", o verbo "manter" deveria estar no futuro do subjuntivo: "mantiver". Além disso, o adjetivo "insano" deveria concordar com o substantivo feminino "guerra", ficando "insana". Por fim, o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ficar no singular: "haverá prejuízos", e não "haverão prejuízos".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro de concordância verbal. O verbo "imaginar" com a partícula "se" (índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora) exige que o verbo fique no singular quando seguido de oração subordinada substantiva: "imaginou-se que...". A forma "imaginaram-se" está incorreta, pois o sujeito é a oração "que a economia latifundiária se desenvolveria...", e não um sujeito plural.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro de concordância verbal. O sujeito da oração é "as políticas protecionistas do presidente norte-americano em seu primeiro mandato" (núcleo: "políticas", plural). Portanto, o verbo "ser" deveria concordar no plural: "Foram custosas", e não "Fora custoso". O adjetivo "custoso" também deveria concordar com o sujeito feminino plural: "custosas".

Conclusão: a questão testa a aplicação de regras básicas de concordância. A alternativa A é a única que não apresenta erro de flexão verbal (como "interviu" ou "manter") nem de concordância nominal (como "desnecessário" ou "insano"). A regra de ouro: identifique o sujeito de cada verbo e o termo a que cada adjetivo se refere antes de julgar a frase.

Gabarito: letra A

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