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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217712
Banca
VUNESP
Órgão
TCE SP
Ano
2025
Cargo
ACE ( )

A Rússia na contramão da História

 

No atual século, praticamente não há países que não sejam – com ou sem competência – governados por suas próprias gentes. E, após as guerras, é esperado que se retirem os exércitos invasores. Foi o caso do Japão e da Alemanha. Encerrou-se o ciclo, com cerca de 200 nações independentes. O que restou foram as travessuras imperialistas, mas sem ocupação territorial permanente.

 

Porém há um país que anda na contramão da História. Como o resto da Europa, a Rússia expandiu as suas fronteiras. Iam do Alasca até o Báltico e o Mar Negro. Após a Segunda Guerra, foram anexados os países do Leste Europeu. Depois que os europeus voltaram para casa, a Rússia continuou tomando a casa dos outros, ignorando o espírito dos novos tempos.

 

Diante desse quadro, podemos ver a invasão da Ucrânia como uma manifestação tardia de um estilo de colonialismo que, por completo, o Ocidente já abandonou. Quando pensamos em tribos isoladas que ainda praticariam a escravidão, caberia um relativismo nos nossos julgamentos? Podemos condená-las? Não deveríamos também aceitar a Rússia, com seus valores, apesar de desalinhados com o presente?

 

Não! Vivemos sob princípios disseminados em todas as sociedades modernas. Somos herdeiros do iluminismo, incluindo a concepção de formas de governança, de direitos e de valores cívicos. Queremos acreditar que essa foi uma conquista irreversível.

 

Sendo assim, não há espaço para quaisquer transigências. A Rússia é um país que brilhou na literatura, na música, nas artes visuais, nas ciências e nas tecnologias militares. Teve ampla exposição às tradições da civilização ocidental. Não há por que perdoá-la pelo atraso na sua cultura política. É inaceitável que as suas lideranças ignorem essa herança e proclamem uma visão obsoleta de dominação colonial.

 

(Cláudio de Moura Castro. https://www.estadao.com.br/opiniao, 06.04.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder a questão seguinte:   Em seu artigo, o autor pondera que
  1. Aa Rússia é um país coroado de êxito em várias áreas, o que justifica sua intenção de expandir os territórios, infelizmente em uma guerra.
  2. Ba dominação colonial da Rússia é uma forma aviltante que depõe contra os princípios disseminados nas sociedades modernas.
  3. Ca ampla exposição da Rússia às tradições da civilização ocidental foi responsável por aguçar o espírito belicoso e a expansão territorial.
  4. Da comunidade internacional deve aceitar a invasão da Ucrânia sem julgar a Rússia, que deve ter os seus reais motivos para fazê-la.
  5. Ea expansão territorial russa, em todos os tempos, é justificável, pois está alinhada ao comportamento dos países europeus.
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GabaritoB — a dominação colonial da Rússia é uma forma aviltante que depõe contra os princípios disseminados nas sociedades modernas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Rússia na contramão da História: a tese do autor

Gabarito: letra B. O autor pondera que a dominação colonial da Rússia é uma forma aviltante que depõe contra os princípios disseminados nas sociedades modernas. Essa é a tese central do texto, explicitamente defendida no último parágrafo, quando o autor afirma que "não há por que perdoá-la pelo atraso na sua cultura política" e que "é inaceitável que as suas lideranças ignorem essa herança e proclamem uma visão obsoleta de dominação colonial".

O comando pede que se identifique o que o autor pondera — ou seja, qual é a posição que ele defende ao longo do texto. Isso é uma questão de compreensão (a informação está explícita, ainda que parafraseada), não de inferência. O texto é um artigo de opinião, um texto dissertativo-argumentativo: o autor apresenta uma tese (a Rússia age na contramão da História) e a defende com argumentos. A resposta correta precisa ser uma paráfrase fiel dessa tese, sem acrescentar, restringir ou inverter o que está escrito.

O movimento argumentativo do texto é claro: o autor descreve o contexto histórico (a descolonização e a retirada dos exércitos invasores), aponta que a Rússia "anda na contramão da História" por continuar "tomando a casa dos outros", refuta a possibilidade de relativismo cultural ("Não!") e conclui que não há espaço para transigências, pois a Rússia, tendo tido ampla exposição à civilização ocidental, não pode ser perdoada pelo atraso de sua cultura política. A alternativa B captura exatamente essa conclusão: a dominação colonial russa é "aviltante" (degradante, indigna) e "depõe contra" (contraria) os princípios modernos.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que não extrapola, não restringe, não inverte e não tangencia o que está escrito. Vejamos cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o êxito da Rússia em várias áreas "justifica" sua intenção de expandir territórios. O texto reconhece que a Rússia "brilhou na literatura, na música, nas artes visuais, nas ciências e nas tecnologias militares", mas não diz que isso justifica a expansão. Pelo contrário, o autor usa esse brilho como argumento para condenar a Rússia: "Não há por que perdoá-la pelo atraso na sua cultura política". A alternativa extrapola ao inventar uma relação de causa e consequência que o texto não estabelece.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase fiel da tese. O autor afirma que a Rússia "proclam[a] uma visão obsoleta de dominação colonial" e que isso é "inaceitável". A palavra "aviltante" (degradante, que rebaixa) captura o juízo negativo do autor, e "depõe contra os princípios disseminados nas sociedades modernas" corresponde a "ignorar essa herança" (a herança iluminista de direitos e valores cívicos). Não há acréscimo nem restrição: é exatamente o que o texto diz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a relação de causa e consequência. O texto diz que a Rússia "teve ampla exposição às tradições da civilização ocidental" e, por isso, não pode ser perdoada por agir de forma colonial. A alternativa afirma que essa exposição "foi responsável por aguçar o espírito belicoso e a expansão territorial" — ou seja, atribui à exposição um efeito que o texto não menciona. Isso é extrapolação e contradição com a lógica argumentativa do autor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D é a mais traiçoeira, pois inverte completamente a posição do autor. O texto levanta a hipótese de aceitar a Rússia "com seus valores, apesar de desalinhados com o presente", mas a refuta de forma enfática: "Não! Vivemos sob princípios disseminados em todas as sociedades modernas". O autor não defende que a comunidade internacional aceite a invasão; pelo contrário, afirma que "não há espaço para quaisquer transigências". A alternativa contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a expansão territorial russa "em todos os tempos" é justificável e está alinhada ao comportamento dos países europeus. O texto diz que a Rússia "anda na contramão da História" justamente porque, ao contrário dos europeus (que "voltaram para casa"), ela "continuou tomando a casa dos outros". Além disso, o advérbio "em todos os tempos" é uma generalização que o texto não sustenta — o autor condena a expansão russa, não a justifica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação (A, C, E) e a inversão de posição (D). A correta é a única que permanece fiel à tese, sem acrescentar ou inverter nada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "o autor pondera", grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e desconfie de alternativas que tragam palavras como "justifica", "responsável", "aceitar" ou "em todos os tempos" — elas costumam extrapolar ou inverter.

Gabarito: letra B.

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