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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217717
Banca
VUNESP
Órgão
ARES-PCJ
Ano
2025
Cargo
Ana ( )

Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump

 

Dia desses, assistindo a uma entrevista, vi um capitalista dizer que, para ganhar mais dinheiro, precisa sair de sua “zona de conforto”. Oh, chavão. Pelo que pude entender, a “zona de conforto” representaria para ele um convite à acomodação e à preguiça improdutiva. Logo, um estado de relaxamento e de calma seria um vício moral; o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos, mesmo que calculados. Moral da história: o conforto não é bom para o tilintar das caixas registradoras.

 

Outro capitalista, esse mais velho, nos tempos em que tinha um banco de investimentos na Avenida Faria Lima, comentava com seus diretos que não gostava de “gato gordo”. Ele não se referia a felinos, óbvio. Ele falava de homens. O “gato gordo”, em seu dicionário, era aquele ex-jovem promissor que rapidamente se refestelava numa posição remediada e se dava por satisfeito com ganhos de adiposidade, não mais de cifrões. A partir daí, o “gato gordo”, indolente, comprava uma casa de campo num condomínio fechado com heliporto e não queria mais saber de aventuras perigosas. Segundo os ensinamentos do lendário banqueiro, o “gato gordo” era uma praga. Quando identificava um, demitia correndo.

 

A expressão “gato gordo” não se popularizou. A outra, “zona de conforto”, esta caiu na boca do povaréu e virou clichê no mundo corporativo. A toda hora, alguém aparece na sua frente para falar mal da “zona de conforto”, um signo universal de morosidade, procrastinação, inoperância e falta de iniciativa (pública ou privada).

 

A ideologia funciona exatamente assim: as implicâncias idiossincráticas do patrão são alçadas a cânones inabaláveis de virtude para o empregado. De pé, oh, vítimas da fome! Fujam da sua zona de conforto!

 

Sim, estou sendo irônico. Se for para falar sério, digo que “zona de conforto” é piada de mau gosto. Na vida de um bilionário, que não precisa saber quanto custa a anuidade da escola dos filhos e troca de jatinho todo ano, pode até ser divertido quebrar a rotina de vez em quando e desafiar o sossego, um pouquinho só. Mas, na vida do resto da humanidade, uma pitada de estabilidade tranquila é tudo de bom. Deveria ser festejada, nunca repudiada.

 

(Eugênio Bucci, “Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump”, 02.04.2025.

Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/eugenio-bucci/

sobre-zona-de-conforto-meritocracia-e-trump/. Adaptado)

Leia o excerto a seguir para responder à questão.     O fato de a expressão “zona de conforto” ser um clichê no mundo corporativo significa que, nesse contexto, seu emprego foi
  1. Abanalizado.
  2. Bdetalhado.
  3. Cafastado.
  4. Dcondenado.
  5. Ehostilizado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — banalizado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significação contextual: o que "clichê" significa no texto

Gabarito: letra A. O fato de a expressão "zona de conforto" ser um clichê no mundo corporativo significa que, nesse contexto, seu emprego foi banalizado — ou seja, perdeu a força expressiva original por ser usado em excesso, repetidamente, sem reflexão. O próprio texto fornece a pista: "A outra, 'zona de conforto', esta caiu na boca do povaréu e virou clichê no mundo corporativo". A palavra "clichê" carrega exatamente o sentido de lugar-comum, de expressão desgastada pelo uso — e "banalizado" é o sinônimo que preserva esse sentido.

O comando: compreensão de vocabulário em contexto

A questão pede que você compreenda o sentido de uma palavra ("clichê") no contexto em que aparece. Não se trata de inferir algo implícito, nem de analisar gramática: é uma questão de significação contextual. O caminho é: (1) localizar a palavra no texto; (2) identificar o que ela significa ali; (3) escolher, entre as alternativas, o sinônimo que melhor a substitui sem alterar o sentido.

O texto: a tese e o trecho decisivo

O autor critica o uso corporativo da expressão "zona de conforto", mostrando que ela virou um chavão — palavra que ele mesmo usa no primeiro parágrafo: "Oh, chavão". No terceiro parágrafo, ele explica o processo:

"A expressão 'gato gordo' não se popularizou. A outra, 'zona de conforto', esta caiu na boca do povaréu e virou clichê no mundo corporativo."

A expressão "caiu na boca do povaréu" indica que a expressão se espalhou, foi repetida por muitas pessoas, e por isso se tornou um lugar-comum. Um clichê é, por definição, uma frase ou expressão que perdeu o impacto por ser usada demais — exatamente o que o texto descreve. O autor ainda reforça: "A toda hora, alguém aparece na sua frente para falar mal da 'zona de conforto'", mostrando o uso repetitivo e mecânico.

A técnica: sinônimo contextual

Para resolver, você deve substituir mentalmente a palavra "clichê" por cada alternativa e ver qual mantém o sentido no trecho. "Banalizado" significa "tornado banal, comum, sem novidade" — é o efeito de virar clichê. As demais alternativas ou mudam o sentido (detalhado, afastado) ou acrescentam um juízo de valor que o texto não faz (condenado, hostilizado).

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar sinônimos, pergunte-se: "essa palavra mantém o sentido no contexto?" Se a troca altera o tom ou a ideia, descarte.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Banalizado é o sinônimo exato de "clichê" no contexto. O texto diz que a expressão "caiu na boca do povaréu e virou clichê", ou seja, foi usada tantas vezes que perdeu a originalidade. "Banalizado" capta esse sentido de desgaste pelo uso excessivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Detalhado significa "explicado minuciosamente", o que não tem relação com o sentido de "clichê". O texto não diz que a expressão foi detalhada, mas que foi repetida até virar lugar-comum. Erro: troca de conceito — confunde o sentido de "clichê" com o de "explicação aprofundada".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afastado significa "colocado à distância", o oposto do que ocorre: a expressão se popularizou, aproximou-se das pessoas. O texto afirma que ela "caiu na boca do povaréu", ou seja, ficou próxima, não afastada. Erro: contradiz o texto — inverte o movimento descrito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Condenado implica reprovação explícita, mas o texto não diz que a expressão foi condenada; diz apenas que virou clichê. O autor critica o uso, mas a palavra "clichê" em si não carrega sentido de condenação. Erro: acrescenta opinião — embute um juízo de valor que não está no termo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Hostilizado significa "tratado com hostilidade", o que não corresponde ao sentido de "clichê". O texto não fala de hostilidade, mas de uso repetitivo. Erro: troca de conceito — confunde o sentido de "clichê" com o de "rejeição ativa".

Conclusão

A resposta correta é a letra A, pois "banalizado" é o único sinônimo que preserva o sentido de "clichê" no contexto: expressão desgastada pelo uso excessivo. As demais alternativas ou mudam o sentido, ou acrescentam ideias que o texto não sustenta.

Gabarito: letra A

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