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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu217718
Banca
VUNESP
Órgão
ARES-PCJ
Ano
2025
Cargo
Ana ( )

Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump

 

Dia desses, assistindo a uma entrevista, vi um capitalista dizer que, para ganhar mais dinheiro, precisa sair de sua “zona de conforto”. Oh, chavão. Pelo que pude entender, a “zona de conforto” representaria para ele um convite à acomodação e à preguiça improdutiva. Logo, um estado de relaxamento e de calma seria um vício moral; o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos, mesmo que calculados. Moral da história: o conforto não é bom para o tilintar das caixas registradoras.

 

Outro capitalista, esse mais velho, nos tempos em que tinha um banco de investimentos na Avenida Faria Lima, comentava com seus diretos que não gostava de “gato gordo”. Ele não se referia a felinos, óbvio. Ele falava de homens. O “gato gordo”, em seu dicionário, era aquele ex-jovem promissor que rapidamente se refestelava numa posição remediada e se dava por satisfeito com ganhos de adiposidade, não mais de cifrões. A partir daí, o “gato gordo”, indolente, comprava uma casa de campo num condomínio fechado com heliporto e não queria mais saber de aventuras perigosas. Segundo os ensinamentos do lendário banqueiro, o “gato gordo” era uma praga. Quando identificava um, demitia correndo.

 

A expressão “gato gordo” não se popularizou. A outra, “zona de conforto”, esta caiu na boca do povaréu e virou clichê no mundo corporativo. A toda hora, alguém aparece na sua frente para falar mal da “zona de conforto”, um signo universal de morosidade, procrastinação, inoperância e falta de iniciativa (pública ou privada).

 

A ideologia funciona exatamente assim: as implicâncias idiossincráticas do patrão são alçadas a cânones inabaláveis de virtude para o empregado. De pé, oh, vítimas da fome! Fujam da sua zona de conforto!

 

Sim, estou sendo irônico. Se for para falar sério, digo que “zona de conforto” é piada de mau gosto. Na vida de um bilionário, que não precisa saber quanto custa a anuidade da escola dos filhos e troca de jatinho todo ano, pode até ser divertido quebrar a rotina de vez em quando e desafiar o sossego, um pouquinho só. Mas, na vida do resto da humanidade, uma pitada de estabilidade tranquila é tudo de bom. Deveria ser festejada, nunca repudiada.

 

(Eugênio Bucci, “Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump”, 02.04.2025.

Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/eugenio-bucci/

sobre-zona-de-conforto-meritocracia-e-trump/. Adaptado)

Leia o excerto a seguir para responder à questão.     Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho do 1º parágrafo “… o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos…” é fiel ao sentido original.
  1. AA fim de que o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.
  2. BComo o homem de negócios sem ócios não conta com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.
  3. CAinda que o homem de negócios sem ócios conte com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.
  4. DCaso o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.
  5. EAssim que o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Caso o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, não terá disposição para correr riscos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: a condicional "ou" e a fidelidade ao sentido

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que preserva integralmente a relação lógica do trecho original: a condicionalidade expressa pela conjunção "ou" (equivalente a "senão", "caso contrário"). No texto, lê-se: "...o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos". A reescrita correta transforma essa estrutura em uma oração condicional negativa com "Caso... não conte", mantendo exatamente o mesmo sentido: a ausência da dose de aflição é a condição para a falta de disposição.

O comando: reescrita fiel ao sentido

A questão pede uma reescrita fiel ao sentido original. Isso não é uma simples substituição de sinônimos: exige que a relação lógica entre as orações seja mantida. O verbo "reescrever" aqui aponta para a paráfrase — reescrever com outras palavras, mas preservando o conteúdo proposicional e, principalmente, os operadores argumentativos (conectivos) que dão coesão e sentido ao período.

O texto: a estrutura lógica do trecho

O trecho original é um período composto por coordenação, em que a conjunção "ou" tem valor de alternância conclusiva, equivalente a "senão", "caso contrário", "do contrário". A estrutura é:

"...o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos"

A primeira oração estabelece uma condição necessária (ter a dose de aflição) para que a segunda se realize (ter disposição para correr riscos). A conjunção "ou" introduz a consequência negativa caso a condição não seja cumprida. Em outras palavras: se não houver aflição, não haverá disposição.

A técnica: identificar o valor do conectivo

Para resolver, é preciso mapear o valor semântico de cada conectivo das alternativas e compará-lo com o do original:

Conectivo

Valor semântico

Compatível com o original?

A fim de que

Finalidade

Não

Como

Causa

Não

Ainda que

Concessão

Não

Caso

Condição

Sim

Assim que

Tempo

Não

A única alternativa que mantém a relação condicional é a letra D, pois "caso" introduz uma oração subordinada adverbial condicional, exatamente o valor do "ou" original.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico (finalidade). O conectivo "a fim de que" expressa finalidade (objetivo, intenção), não condição. A frase "A fim de que o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição..." indica que a ausência de aflição é uma meta, não uma condição. Além disso, inverte a lógica: no original, a aflição é necessária; aqui, a reescrita sugere que se busca evitá-la. Contradiz o texto ao alterar a relação entre as orações.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico (causa). O conectivo "como" expressa causa (motivo, razão). A frase "Como o homem de negócios sem ócios não conta com uma dose de aflição..." afirma que a ausência de aflição é a causa da falta de disposição. No original, a aflição é uma condição necessária para a disposição; a reescrita transforma a relação em causa-efeito, o que contradiz o texto (o original não diz que ele não conta com aflição, mas que precisa contar).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico (concessão). O conectivo "ainda que" expressa concessão (fato contrário, mas que não impede). A frase "Ainda que o homem de negócios sem ócios conte com uma dose de aflição... não terá disposição" afirma que, mesmo tendo aflição, ele não terá disposição. Isso contradiz diretamente o original, que diz exatamente o oposto: ter aflição é condição para ter disposição. A concessão inverte a relação lógica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Preserva a condicionalidade. O conectivo "caso" introduz uma oração subordinada adverbial condicional, equivalente a "se". A frase "Caso o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição... não terá disposição" mantém a mesma relação lógica do original: a ausência de aflição é a condição para a ausência de disposição. A reescrita é uma paráfrase fiel, pois preserva o sentido e a estrutura lógica, apenas convertendo a coordenação em subordinação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico (tempo). O conectivo "assim que" expressa tempo (imediatamente após). A frase "Assim que o homem de negócios sem ócios não conte com uma dose de aflição... não terá disposição" indica uma relação temporal (quando não contar), não condicional. O original estabelece uma condição (se não contar), não uma sequência temporal. A reescrita altera o sentido, pois a falta de disposição não é consequência imediata no tempo, mas resultado de uma condição não cumprida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conectivos de valores semânticos distintos. A armadilha está em reconhecer que "ou" aqui não é alternância simples (ou isso, ou aquilo), mas condicional (senão, caso contrário). Quem não percebe isso tende a escolher uma alternativa com conectivo de outro valor.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique primeiro a relação lógica entre as orações (causa, condição, concessão, finalidade, tempo) e depois busque o conectivo que a mantenha. Teste cada alternativa perguntando: "essa reescrita preserva a mesma relação do original?"

Conclusão: a reescrita fiel exige manter a relação condicional do "ou" original. A única alternativa que faz isso é a letra D, com "caso". As demais trocam o valor semântico do conectivo, alterando o sentido. Gabarito: letra D.

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