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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu217719
Banca
VUNESP
Órgão
ARES-PCJ
Ano
2025
Cargo
Ana ( )

Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump

 

Dia desses, assistindo a uma entrevista, vi um capitalista dizer que, para ganhar mais dinheiro, precisa sair de sua “zona de conforto”. Oh, chavão. Pelo que pude entender, a “zona de conforto” representaria para ele um convite à acomodação e à preguiça improdutiva. Logo, um estado de relaxamento e de calma seria um vício moral; o homem de negócios sem ócios precisa contar com uma dose de aflição, de nervosismo e até de medo, ou não terá disposição para correr riscos, mesmo que calculados. Moral da história: o conforto não é bom para o tilintar das caixas registradoras.

 

Outro capitalista, esse mais velho, nos tempos em que tinha um banco de investimentos na Avenida Faria Lima, comentava com seus diretos que não gostava de “gato gordo”. Ele não se referia a felinos, óbvio. Ele falava de homens. O “gato gordo”, em seu dicionário, era aquele ex-jovem promissor que rapidamente se refestelava numa posição remediada e se dava por satisfeito com ganhos de adiposidade, não mais de cifrões. A partir daí, o “gato gordo”, indolente, comprava uma casa de campo num condomínio fechado com heliporto e não queria mais saber de aventuras perigosas. Segundo os ensinamentos do lendário banqueiro, o “gato gordo” era uma praga. Quando identificava um, demitia correndo.

 

A expressão “gato gordo” não se popularizou. A outra, “zona de conforto”, esta caiu na boca do povaréu e virou clichê no mundo corporativo. A toda hora, alguém aparece na sua frente para falar mal da “zona de conforto”, um signo universal de morosidade, procrastinação, inoperância e falta de iniciativa (pública ou privada).

 

A ideologia funciona exatamente assim: as implicâncias idiossincráticas do patrão são alçadas a cânones inabaláveis de virtude para o empregado. De pé, oh, vítimas da fome! Fujam da sua zona de conforto!

 

Sim, estou sendo irônico. Se for para falar sério, digo que “zona de conforto” é piada de mau gosto. Na vida de um bilionário, que não precisa saber quanto custa a anuidade da escola dos filhos e troca de jatinho todo ano, pode até ser divertido quebrar a rotina de vez em quando e desafiar o sossego, um pouquinho só. Mas, na vida do resto da humanidade, uma pitada de estabilidade tranquila é tudo de bom. Deveria ser festejada, nunca repudiada.

 

(Eugênio Bucci, “Sobre zona de conforto, meritocracia e Trump”, 02.04.2025.

Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/eugenio-bucci/

sobre-zona-de-conforto-meritocracia-e-trump/. Adaptado)

Leia o excerto a seguir para responder à questão.     Assinale a alternativa cuja frase foi redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal e de pontuação.
  1. ASempre houveram, no mundo dos negócios, pessoas que valorizam o arrojo, a coragem e a audácia.
  2. BDeseja-se, em certos meios pessoas ambiciosas, que se lancem com frequência em projetos arriscados.
  3. CTranquilidade e segurança, nem sempre têm sido valorizadas por determinados grupos de pessoas.
  4. DExistem pessoas que acreditam ser difícil, no mundo contemporâneo, alcançar uma existência tranquila.
  5. EUma vida pacata e simples, pode acabar agradando a certos indivíduos, avessos a riscos desnecessários.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Existem pessoas que acreditam ser difícil, no mundo contemporâneo, alcançar uma existência tranquila.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e pontuação: a frase que respeita a norma-padrão

Gabarito: letra D. A única frase inteiramente correta é a D, porque nela o verbo "existem" concorda com o sujeito plural "pessoas" e a pontuação isola corretamente a intercalação ", no mundo contemporâneo," sem separar o sujeito do verbo. As demais alternativas falham ou na concordância (A, B, C) ou na pontuação (E), como se prova abaixo.

O comando: o que a banca pede

A questão pede a frase "redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal e de pontuação". São dois filtros simultâneos: (1) o verbo deve concordar com o sujeito conforme a norma culta; (2) as vírgulas devem estar empregadas segundo as regras de pontuação. A alternativa precisa passar nos DOIS testes — basta um erro em qualquer um para ser descartada.

A técnica que decide

Para cada alternativa, faça duas perguntas:

  1. Concordância: qual é o sujeito do verbo? O verbo está flexionado de acordo com ele? Cuidado com verbos impessoais (haver no sentido de existir), sujeito oracional e sujeito composto posposto.

  2. Pontuação: há vírgula separando sujeito e verbo? Há vírgula isolando uma intercalação (aposto, adjunto deslocado) de forma correta?

A alternativa D passa nos dois testes: o sujeito é "pessoas" (plural), o verbo "existem" está no plural, e as vírgulas isolam a expressão intercalada ", no mundo contemporâneo," — que pode ser retirada sem prejuízo da estrutura. Vejamos cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal — uso indevido de "houveram". O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal: não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. A forma correta seria "Sempre houve, no mundo dos negócios, pessoas...". A banca explora a confusão clássica entre "haver" (impessoal) e "existir" (pessoal).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: pontuação — vírgula separando sujeito e verbo. Na frase "Deseja-se, em certos meios pessoas ambiciosas, que se lancem...", a vírgula após "meios" separa o sujeito "pessoas ambiciosas" do verbo "Deseja-se". Além disso, falta uma vírgula após "meios" para isolar corretamente a intercalação — o correto seria "Deseja-se, em certos meios, pessoas ambiciosas que se lancem...".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: pontuação — vírgula separando sujeito e verbo. Em "Tranquilidade e segurança, nem sempre têm sido valorizadas...", a vírgula após "segurança" separa o sujeito composto "Tranquilidade e segurança" do verbo "têm sido valorizadas". A vírgula não pode separar sujeito e verbo, mesmo com o adjunto adverbial "nem sempre" intercalado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Concordância e pontuação corretas. O sujeito é "pessoas" (plural), o verbo "existem" está no plural — concordância perfeita. As vírgulas isolam a intercalação ", no mundo contemporâneo,", que pode ser retirada sem prejuízo da estrutura: "Existem pessoas que acreditam ser difícil alcançar uma existência tranquila." A frase está íntegra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: pontuação — vírgula separando sujeito e verbo. Em "Uma vida pacata e simples, pode acabar agradando...", a vírgula após "simples" separa o sujeito "Uma vida pacata e simples" do verbo "pode acabar agradando". A vírgula é proibida nessa posição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca repete o mesmo erro em três alternativas (B, C, E): vírgula separando sujeito e verbo. A única que foge é a D, que também acerta a concordância. Desconfie de vírgula logo após o sujeito — ela quase sempre é o erro.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar concordância, identifique primeiro o sujeito e pergunte: "quem pratica a ação?". Se o verbo for "haver" no sentido de existir, ele é impessoal e fica no singular. Na pontuação, lembre: vírgula separa elementos, mas NUNCA separa sujeito e verbo.

Gabarito: letra D — a única frase que respeita simultaneamente a concordância verbal (sujeito plural "pessoas" com verbo "existem") e a pontuação (intercalação isolada corretamente).

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