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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu217733
Banca
VUNESP
Órgão
ARES-PCJ
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Paulo Leminski estava certo quando disse que escrever poesia aos 17 anos é fácil, e o difícil é continuar acreditando na poesia com o passar dos anos, com a idade, com os deveres, as contas, os desejos de consumo.

 

Deve haver um pedacinho do cérebro em que a criança e a jovem que fomos estão intactas, com nossos sonhos, certezas e poesias escritas em cadernos. No meu caso, a palavra tem um poder inestimável, e as páginas do conto A moça tecelã, de Marina Colasanti, me lembram nitidamente de quando as li.

 

Arrependo-me um tanto de não ter escrito este texto antes, quando Marina Colasanti ainda estava viva. Eu queria contar que conheci uma história sua aos 14 anos no meu livro da 8ª série e, naquela época, os livros didáticos eram também os meus livros literários. Juro que guardei este livro por muitos anos e acho que só me desfiz dele quando mudei para Luanda. Era uma relíquia para mim, assim como quase tudo que li naquela época.

 

Eu me lembro da emoção da sala de aula e depois das releituras em casa, e depois de contar o próprio conto como contadora de história. Eu era uma menina que sabia tão pouco e aquela história me deu pistas importantes sobre o que esperar da vida de uma mulher.

 

A moça tinha o superpoder de criar a própria vida e influenciar o mundo ao redor com o trabalho dela e, mais importante, “nada lhe faltava”. Segundo Marina, era possível ser mulher e nada lhe faltar, e ela escrevia isso para jovens como eu. “Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.”

 

Foi com Marina e a moça, aos 14 anos, no livro didático da escola, que aprendi que eu poderia tecer a vida que quisesse e que poderia inclusive desistir dessa vida inventada, se ela deixasse de me agradar.

 

Um dos textos sobre a morte da escritora a chamava de autora de livros infantojuvenis e, apesar de eu ter conhecido seus contos quando era adolescente, sempre achei que aquilo não era para a minha idade. Eu me sentia uma mulher adulta lendo e contando os contos de Marina Colasanti.

 

(Ana Paula Lisboa. A moça tecelã.

https://oglobo.globo.com, 05.02.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída pela que está entre colchetes, preservando- se a norma-padrão de colocação pronominal.
  1. A… A moça tecelã, de Marina Colasanti, me lembram nitidamente de quando as li [li-as] (2º parágrafo)
  2. BJuro que guardei este livro por muitos anos e acho que só me desfiz [desfiz-me] dele quando mudei para Luanda. (3º parágrafo)
  3. C… e influenciar o mundo ao redor com trabalho dela e, mais importante, “nada lhe faltava [faltava-lhe].” (5º parágrafo)
  4. D“Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu [sentiu-se] sozinha… (5º parágrafo)
  5. EUm dos textos sobre a morte da escritora a chamava [chamava-a] de autora de livros infantojuvenis… (7º parágrafo)
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GabaritoE — Um dos textos sobre a morte da escritora a chamava [chamava-a] de autora de livros infantojuvenis… (7º parágrafo)

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Colocação pronominal: quando a ênclise é (ou não) permitida

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que a substituição preserva a norma-padrão: em "a chamava", o pronome a está em próclise porque o verbo é precedido pelo pronome relativo que (palavra atrativa), e a forma chamava-a (ênclise) também é correta, pois não há palavra atrativa após o verbo. Nas demais, a troca proposta viola a regra — ou porque a próclise é obrigatória (após palavra atrativa) ou porque a ênclise é proibida (após futuro do presente/pretérito).

O comando da questão

O enunciado pede que você substitua a expressão destacada pela forma entre colchetes, preservando a norma-padrão de colocação pronominal. Isso significa que a troca deve manter o pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) na posição gramaticalmente correta em relação ao verbo: próclise (antes), ênclise (depois) ou mesóclise (no meio, apenas com futuros). Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra de colocação ao trecho citado.

A regra que decide a questão

A colocação pronominal obedece a três posições:

  • Próclise: pronome antes do verbo. É obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo: advérbios (não, nunca, já, sempre, talvez), pronomes relativos (que, o qual, cujo), pronomes indefinidos (algo, tudo, ninguém), conjunções subordinativas (que, se, quando, embora), pronomes interrogativos (quem, que, qual).

  • Ênclise: pronome depois do verbo. Usa-se quando não há palavra atrativa, ou seja, em início de oração ou após pausa. É proibida após futuros do presente e do pretérito (nesse caso, usa-se mesóclise) e após particípio.

  • Mesóclise: pronome no meio do verbo, apenas com futuro do presente (dar-te-ei) e futuro do pretérito (dar-te-ia).

Ponto-chave: com verbo no infinitivo, mesmo havendo palavra atrativa, a ênclise é facultativa — pode-se dizer "espero não me arrepender" ou "espero não arrepender-me". Essa exceção é a pegadinha clássica da banca.

Aplicando ao texto

Vamos analisar cada alternativa, verificando se a troca mantém a norma-padrão.

Alternativa

Trecho original (próclise)

Substituição proposta (ênclise)

Palavra atrativa

Regra violada?

A

as li

li-as

"quando" (advérbio)

Sim — próclise obrigatória após advérbio

B

me desfiz

desfiz-me

"só" (advérbio)

Sim — próclise obrigatória após advérbio

C

lhe faltava

faltava-lhe

"nada" (pronome indefinido)

Sim — próclise obrigatória após pronome indefinido

D

se sentiu

sentiu-se

"que" (pronome relativo)

Sim — próclise obrigatória após pronome relativo

E

a chamava

chamava-a

"que" (pronome relativo)

Não — ênclise permitida, pois não há palavra atrativa após o verbo

Alternativa A — ❌ Incorreta

"… A moça tecelã, de Marina Colasanti, me lembram nitidamente de quando as li [li-as]"

A forma original "as li" está em próclise porque o verbo li é precedido pelo advérbio "quando" (palavra atrativa). A substituição por "li-as" (ênclise) viola a regra: após advérbio, a próclise é obrigatória. Portanto, a troca não preserva a norma-padrão. Erro: contradiz a regra de próclise obrigatória após advérbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Juro que guardei este livro por muitos anos e acho que só me desfiz [desfiz-me] dele quando mudei para Luanda."

A forma original "me desfiz" está em próclise porque o verbo é precedido pelo advérbio "só" (palavra atrativa). A substituição por "desfiz-me" (ênclise) viola a regra: após advérbio, a próclise é obrigatória. Portanto, a troca não preserva a norma-padrão. Erro: contradiz a regra de próclise obrigatória após advérbio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"… e influenciar o mundo ao redor com trabalho dela e, mais importante, “nada lhe faltava [faltava-lhe]."

A forma original "lhe faltava" está em próclise porque o verbo é precedido pelo pronome indefinido "nada" (palavra atrativa). A substituição por "faltava-lhe" (ênclise) viola a regra: após pronome indefinido, a próclise é obrigatória. Portanto, a troca não preserva a norma-padrão. Erro: contradiz a regra de próclise obrigatória após pronome indefinido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu [sentiu-se] sozinha…"

A forma original "se sentiu" está em próclise porque o verbo é precedido pelo pronome relativo "que" (palavra atrativa). A substituição por "sentiu-se" (ênclise) viola a regra: após pronome relativo, a próclise é obrigatória. Portanto, a troca não preserva a norma-padrão. Erro: contradiz a regra de próclise obrigatória após pronome relativo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Um dos textos sobre a morte da escritora a chamava [chamava-a] de autora de livros infantojuvenis…"

A forma original "a chamava" está em próclise porque o verbo é precedido pelo pronome relativo "que" (palavra atrativa). A substituição por "chamava-a" (ênclise) é correta, pois não há palavra atrativa após o verbo — o pronome pode ficar depois do verbo sem violar a norma. A ênclise é a posição natural quando não há fator de próclise. Portanto, a troca preserva a norma-padrão. Correta: a ênclise é permitida, pois não há palavra atrativa após o verbo.

Conclusão

A questão testa o domínio das palavras atrativas que obrigam a próclise. A única alternativa em que a ênclise é gramaticalmente aceitável é a E, porque o verbo "chamava" não está precedido de advérbio, pronome indefinido ou relativo que exija próclise. Nas demais, a troca quebra a regra. Gabarito: letra E.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, identifique a palavra que precede o verbo. Se for advérbio, pronome relativo, indefinido, interrogativo ou conjunção subordinativa, a próclise é obrigatória — a ênclise estará errada. Se não houver palavra atrativa, a ênclise é a forma correta.

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