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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217735
Banca
VUNESP
Órgão
ARES-PCJ
Ano
2025
Cargo
Aux SG ( )

Jardim

 

A filha mora em outra cidade, está só visitando. Depois do jantar, senta com uma revista no jardim da casa dos pais. De repente, ouve os passos do pai atrás dela, a água do regador caindo nas plantas. Ela continua olhando para a revista, mesmo na penumbra, mesmo não enxergando direito o que está escrito, porque tem essa necessidade de quem mora sozinho de às vezes ficar no seu canto.

 

O pai chega mais perto dela e olha para cima e comenta sobre o céu, como o céu está limpo. Ela diz que tinha até esquecido a quantidade de estrelas que existem, onde ela mora são tão poucas por causa das luzes. O pai diz que ela deveria visitá-los mais. Ou, melhor ainda, voltar a morar com eles. Ela diz: quem sabe, pai, quem sabe um dia. Depois os dois ficam em silêncio, só a água caindo numa planta e na outra, uma cigarra chiando lá longe. Até que o pai termina o que estava fazendo e diz boa-noite para a filha.

 

Antes de ele entrar, ela pergunta se ele sempre faz isso, regar as plantas tão tarde. Ele diz que não, nunca, e os dois sorriem um para o outro.

 

(Giovana Madalosso, “Jardim”. Disponível em:

https://ruidomanifesto.org/tres-contos-de-giovana-madalosso/)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     A protagonista do conto
  1. Adesaprovava que as plantas fossem regadas à noite, por causa da perigosa penumbra.
  2. Bse incomodava com o som da água que o pai lançava nas plantas, por atrapalhar a leitura atenta que ela fazia.
  3. Cdesejava ler uma revista, mas o pai não parava de dar passos barulhentos ao redor.
  4. Dprecisava de certo momento de solitude, algo a que estava acostumada por morar sozinha.
  5. Enão possuía uma relação amigável com o genitor, já que morava na cidade, e ele, no campo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — precisava de certo momento de solitude, algo a que estava acostumada por morar sozinha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A protagonista do conto: a necessidade de solitude

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: a protagonista precisava de certo momento de solitude, algo a que estava acostumada por morar sozinha. A passagem que ancora essa leitura está no primeiro parágrafo, quando o narrador explica por que ela continua olhando para a revista mesmo sem enxergar: "porque tem essa necessidade de quem mora sozinho de às vezes ficar no seu canto". Essa frase liga diretamente a necessidade de ficar no seu canto (solitude) ao fato de morar sozinha (costume). As demais alternativas ou extrapolam o texto ou contradizem o que está escrito.

O comando: compreensão com inferência leve

O enunciado pede que se identifique uma característica da protagonista — "A protagonista do conto". Isso é uma questão de compreensão com um toque de inferência: a resposta não está literalmente escrita como "ela precisa de solitude", mas é uma paráfrase de uma passagem explícita. A técnica é localizar a pista textual e verificar se a alternativa a reescreve sem acrescentar nada de fora. Cuidado: a banca adora oferecer distratores que extrapolam — que parecem plausíveis, mas exigem informação que o texto não dá.

O texto: a cena do jardim e o que ela revela

O conto é uma cena mínima: a filha, que mora em outra cidade, está visitando os pais. No jardim, ela finge ler uma revista na penumbra, o pai rega as plantas, conversam sobre o céu, e o pai sugere que ela volte a morar com eles. Ela responde com um "quem sabe" evasivo. O ponto central para a questão está na motivação da personagem: ela não está realmente lendo, mas aproveitando um momento de silêncio e solidão — algo que ela valoriza por ser alguém que mora sozinha. O texto diz explicitamente que ela tem "essa necessidade de quem mora sozinho de às vezes ficar no seu canto". Essa é a chave.

A técnica: paráfrase fiel vs. extrapolação

A alternativa correta é uma paráfrase — reescritura com outras palavras, mas mesmo sentido — de uma passagem do texto. As incorretas cometem erros típicos:

  • Extrapolação: acrescentam motivações que o texto não menciona (desaprovação, incômodo, desejo de ler).

  • Contradição: afirmam o oposto do que o texto sugere (relação não amigável, quando o texto mostra cumplicidade).

Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? Se exigir, está errada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que a protagonista desaprovava a rega noturna. Ela apenas observa o pai regar e pergunta se ele sempre faz isso. A palavra "perigosa" é uma invenção — a penumbra é apenas o ambiente da cena, não um perigo. Não há nenhuma pista de desaprovação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A protagonista não está lendo atentamente — o texto diz que ela "continua olhando para a revista, mesmo na penumbra, mesmo não enxergando direito o que está escrito". Ou seja, a leitura é apenas um pretexto para ficar em silêncio. O som da água não a incomoda; pelo contrário, faz parte do ambiente tranquilo que ela aprecia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que ela desejava ler a revista nem que o pai a atrapalhava com passos barulhentos. O pai "chega mais perto" e fala, mas não há menção a barulho ou incômodo. A protagonista está ali justamente para não ler — a revista é um disfarce para sua necessidade de solitude.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto afirma que ela tem "essa necessidade de quem mora sozinho de às vezes ficar no seu canto". Isso corresponde exatamente a "precisava de certo momento de solitude, algo a que estava acostumada por morar sozinha". A alternativa reescreve a ideia sem acrescentar nada de fora.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto mostra uma relação amigável entre pai e filha: eles conversam, sorriem juntos no final, e o pai demonstra afeto ao sugerir que ela volte a morar com eles. Não há nenhuma hostilidade. A alternativa inventa um conflito que não existe.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos plausíveis (desaprovação, incômodo, desejo de ler) que o texto não autoriza. A correta é a única que se ancora numa passagem explícita.

PEGA ESSA DICA!

Grife no texto a frase que motiva a personagem: "necessidade de quem mora sozinho de às vezes ficar no seu canto". Toda alternativa que não conversar com essa passagem tende a ser distratora.

Conclusão: a resposta é a letra D, pois é a única que parafraseia fielmente o texto, sem extrapolar ou contradizer. As demais ou acrescentam informações de fora ou invertem o sentido do que está escrito.

Gabarito: letra D

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