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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217808
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
Ana BDJ ( )

Nos anos 1970, um professor do curso de Psicologia de Harvard tinha um estranho aluno em sua classe. Depois das primeiras aulas, ele se aproximou do professor para explicar por que se matriculara naquele curso. Ele disse que precisava de ajuda, porque coisas estranhas estavam acontecendo com ele, como o fato de sua mulher falar as palavras em que ele estava pensando logo antes que ele pudesse dizê-las. Além disso, perdera o emprego dois dias depois de um colega fazer um comentário casual sobre cortes de pessoal no trabalho.

 

Com o tempo, afirmou, passara por dezenas de situações de má sorte, que considerava serem coincidências perturbadoras. A princípio, ficou confuso com a situação. Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental para reconciliar os fatos com suas crenças sobre o comportamento do mundo. A teoria que engendrou, no entanto, era muito diferente do que ditaria o senso comum: ele estava sendo usado como cobaia de um experimento científico complexo e secreto. Acreditava que o experimento era executado por um grande grupo de conspiradores, liderados pelo famoso psicólogo Skinner. Também acreditava que, quando o experimento estivesse concluído, ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público. Assim, matriculara-se no curso para aprender a testar sua hipótese, tendo em vista a quantidade de indícios que já acumulara 

 

(Leonard Mlodinow, O andar do bêbado. Adaptado)

Nos trechos transcritos, há comparação e hipótese, respectivamente, em:
  1. A“... o experimento era executado por um grande grupo de conspiradores...” (2º parágrafo) e “Ele disse que precisava de ajuda, porque coisas estranhas estavam acontecendo com ele...” (1º parágrafo)
  2. B“... um professor do curso de Psicologia de Harvard tinha um estranho aluno em sua classe.” (1o parágrafo) e “... depois de um colega fazer um comentário casual sobre cortes de pessoal no trabalho.” (1º parágrafo)
  3. C“Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental...” (2º parágrafo) e “... ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público.” (2º parágrafo)
  4. D“... ele se aproximou do professor para explicar por que se matriculara naquele curso.” (1º parágrafo) e “A princípio, ficou confuso com a situação.” (2º parágrafo)
  5. E“Com o tempo, afirmou, passara por dezenas de situações de má sorte...” (2º parágrafo) e “... tendo em vista a quantidade de indícios que já acumulara.” (2º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental...” (2º parágrafo) e “... ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público.” (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comparação e hipótese: como reconhecer cada relação no texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que apresenta, respectivamente, um trecho com comparação — "Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental..." — e um trecho com hipótese — "... ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público." A comparação está marcada pela locução comparativa "assim como", e a hipótese, pelo advérbio "talvez", que introduz uma possibilidade, uma suposição. As demais alternativas ou trazem apenas fatos narrados, ou expressam causa, ou não apresentam as duas relações pedidas.

O comando: o que a banca quer

O enunciado pede que você identifique, nos trechos transcritos, a presença de comparação e de hipótese, nessa ordem. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, mas exige que você reconheça as relações semânticas que os conectivos e advérbios estabelecem. Não é preciso inferir nada além do que está escrito; basta saber o que caracteriza cada uma dessas relações.

O texto: onde mora a resposta

O texto narra a história de um aluno que cria uma teoria conspiratória para explicar suas "coincidências". No 2º parágrafo, há dois trechos-chave:

"Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental para reconciliar os fatos com suas crenças..."

Aqui, "assim como" estabelece uma comparação entre o comportamento do aluno e o que "a maioria de nós" faria. É uma comparação explícita, com conectivo comparativo.

"... ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público."

Aqui, "talvez" introduz uma hipótese: uma possibilidade, uma suposição sobre o futuro. Não é um fato consumado, é uma conjectura.

A técnica: como reconhecer comparação e hipótese

  • Comparação: estabelece uma relação de semelhança ou diferença entre dois elementos. Os conectivos típicos são: "como", "assim como", "tal qual", "que nem", "mais... do que", "tão... quanto". No trecho, "assim como" compara o modo de agir do aluno com o de qualquer pessoa.

  • Hipótese: expressa uma suposição, uma possibilidade, algo que pode ou não acontecer. Os marcadores típicos são: "talvez", "provavelmente", "é possível que", "quem sabe", além de verbos no futuro do pretérito ("seria", "faria") ou no subjuntivo. No trecho, "talvez fosse eleito" é claramente uma hipótese.

A pegadinha da banca está em oferecer trechos que contêm causa ("porque coisas estranhas..."), fato ("um professor... tinha um estranho aluno") ou consequência ("tendo em vista a quantidade de indícios"), que não são nem comparação nem hipótese.

Análise das alternativas

Relações semânticas
  • 1Comparação
    • Conectivos: como, assim como, tal qual
    • Ex.: "assim como a maioria de nós faria"
  • 2Hipótese
    • Marcadores: talvez, provavelmente, futuro do pretérito
    • Ex.: "talvez fosse eleito"
  • 3Outras relações (pegadinhas)
    • Causa: porque, tendo em vista
    • Finalidade: para
    • Fato narrado: sem conectivo relacional
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"... o experimento era executado por um grande grupo de conspiradores..." (2º parágrafo) e "Ele disse que precisava de ajuda, porque coisas estranhas estavam acontecendo com ele..." (1º parágrafo)

O primeiro trecho é uma afirmação (parte da teoria do aluno), não uma comparação. O segundo trecho expressa causa ("porque"), não hipótese. Erro: troca de relação semântica — a banca troca comparação por afirmação e hipótese por causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... um professor do curso de Psicologia de Harvard tinha um estranho aluno em sua classe." (1º parágrafo) e "... depois de um colega fazer um comentário casual sobre cortes de pessoal no trabalho." (1º parágrafo)

O primeiro trecho é uma narração de fato, sem comparação. O segundo é uma circunstância temporal ("depois de"), não uma hipótese. Erro: ausência das relações pedidas — não há comparação nem hipótese.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental..." (2º parágrafo) e "... ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público." (2º parágrafo)

A primeira parte traz comparação explícita ("assim como"); a segunda, hipótese ("talvez"). É a única alternativa que atende exatamente ao que o enunciado pede, na ordem correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... ele se aproximou do professor para explicar por que se matriculara naquele curso." (1º parágrafo) e "A princípio, ficou confuso com a situação." (2º parágrafo)

O primeiro trecho expressa finalidade ("para explicar"), não comparação. O segundo é um fato ("ficou confuso"), não hipótese. Erro: troca de relação — finalidade no lugar de comparação, fato no lugar de hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Com o tempo, afirmou, passara por dezenas de situações de má sorte..." (2º parágrafo) e "... tendo em vista a quantidade de indícios que já acumulara." (2º parágrafo)

O primeiro trecho é uma constatação (fato narrado), sem comparação. O segundo expressa causa ("tendo em vista"), não hipótese. Erro: troca de relação — causa no lugar de hipótese.

Fechamento

A regra de ouro: para identificar comparação, procure conectivos como "como", "assim como", "tal qual"; para identificar hipótese, procure advérbios como "talvez", "provavelmente" ou verbos no futuro do pretérito. Teste cada alternativa perguntando: o trecho realmente estabelece essa relação, ou apenas narra um fato, expressa causa ou finalidade? A única que passa no teste é a letra C.

Gabarito: letra C

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