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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu217813
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
Ana BDJ ( )

Por que no Brasil a maioria da população tem rejeitado o parlamentarismo? A resposta aponta para a índole do nosso povo. Aqui a semente presidencialista viceja em todos os espaços.

 

O sociólogo francês Maurice Duverger defende a tese de que o gosto latino-americano pelo sistema presidencialista tem a ver com o aparato monárquico na região. O Império Inca, com seus grandes caciques, e depois o poderio espanhol, com seus reis, vice-reis e corregedores, plasmaram a inclinação por regimes de caráter autocrático.

 

O presidencialismo por estas plagas agregaria, assim, uma boa dose de autocracia. Já o parlamentarismo que vicejou na Europa teria se inspirado na ideologia liberal da Revolução Francesa, cujo alvo era a derrubada do soberano. Isso explicaria a distância da Europa ante o modelo presidencialista.

 

Portanto, o presidencialismo está fincado no altar mais alto da cultura política. O poder que dele emana impregna a figura do mandatário. A imagem do Estado e a imagem do governante imbricam-se. Sob essa configuração, imaginar que o parlamentarismo tenha chance por aqui é apostar que a fada madrinha decidiu deixar o reino da fantasia para nos visitar. Temos de conviver mesmo com o fardão presidencialista.

 

(Gaudêncio Torquato, Jornal da USP, “Parlamentarismo, uma sombra no horizonte”. Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/gaudencio-torquato/ parlamentarismo-uma-sombra-no-horizonte/. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a norma-padrão de regência e concordância verbais foi plenamente respeitada.
  1. AÉ comum que se estudem na escola os elementos que configuram os diferentes sistemas e formas de governo.
  2. BNa Europa, os ideais da Revolução Francesa acarretaram na preferência dos cidadãos pelo parlamentarismo.
  3. CExiste, na história da América Latina, fatores importantes que embasam a opção das pessoas pelo presidencialismo.
  4. DEm muitas obras da ciência política, falam-se de questões que concernem aos sistemas de governo parlamentarista e presidencialista.
  5. ESegundo alguns estudiosos, os países europeus tendem naturalmente em adotar o parlamentarismo como sistema de governo.
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GabaritoA — É comum que se estudem na escola os elementos que configuram os diferentes sistemas e formas de governo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência e concordância verbal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que respeita plenamente a norma-padrão: o verbo estudar está na voz passiva sintética (se estudem), concordando corretamente com o sujeito paciente plural os elementos, e a regência de configurar está adequada (quem configura, configura algo — objeto direto). Como se vê na estrutura: "É comum que se estudem na escola os elementos que configuram os diferentes sistemas e formas de governo" — o se é partícula apassivadora, e o verbo concorda com o núcleo do sujeito elementos.

A questão cobra dois eixos da sintaxe normativa: regência verbal (a relação de dependência entre verbo e seus complementos) e concordância verbal (a flexão do verbo em número e pessoa com o sujeito). O texto-base sobre parlamentarismo é apenas pano de fundo temático — a resposta não depende de interpretá-lo, mas de aplicar as regras gramaticais a cada período. Vamos analisar cada alternativa com método: primeiro identifique o verbo, depois o sujeito (ou a estrutura de voz passiva), e por fim a regência exigida.

A armadilha central da banca é misturar os dois conceitos em cada frase: uma alternativa pode ter regência correta, mas concordância errada (ou vice-versa). Por isso, o critério de eliminação é duplo: a frase precisa estar correta nos dois aspectos. Além disso, a banca explora dois pontos clássicos de prova: a voz passiva sintética com o pronome se (que exige concordância com o sujeito paciente) e a regência de verbos como "acarretar", "existir", "falar" e "tender" — cada um com sua exigência específica.

Vamos entender a regra que decide a questão: na voz passiva sintética, o pronome se é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplo: "Vendem-se casas" (sujeito: casas) — se o sujeito fosse singular, seria "vende-se casa". Já na regência, cada verbo pede um complemento: configurar é transitivo direto (configura algo), acarretar é transitivo direto (acarreta algo — não se usa "em"), existir é intransitivo (não há objeto, apenas sujeito), falar quando significa "discorrer" pede a preposição de (fala-se de algo), e tender pede a preposição a (tende a algo).

A pegadinha da banca é justamente oferecer frases em que um dos aspectos está correto e o outro não, levando o candidato a marcar por impulso. Por exemplo, a alternativa C tem concordância correta (existe... fatores? não, o correto é "existem fatores"), mas a regência está errada. Já a alternativa D tem regência correta (fala-se de questões), mas a concordância está errada (o correto é "fala-se", não "falam-se", pois o sujeito é indeterminado).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regência e concordância em cada alternativa — uma pode ter regência correta, mas concordância errada (ou vice-versa). Além disso, explora a confusão entre voz passiva sintética e índice de indeterminação do sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar uma frase, sublinhe o verbo e pergunte: 1) quem pratica a ação? (sujeito) 2) o verbo pede preposição? (regência) 3) o verbo concorda com o sujeito? (concordância). Só marque se os três estiverem corretos.

Regência e concordância
  • 1Regência verbal
    • Acarretar: VTD (sem "em")
    • Tender: exige "a"
    • Configurar: VTD
  • 2Concordância verbal
    • Voz passiva sintética (se + verbo concorda com sujeito)
    • Existir: concorda com o sujeito
    • Índice de indeterminação (se + verbo no singular)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase está correta em regência e concordância. O verbo estudar está na voz passiva sintética: o pronome se é partícula apassivadora, e o sujeito paciente é os elementos (plural), por isso o verbo fica no plural: se estudem. A regência de configurar está adequada: quem configura, configura algo (objeto direto, sem preposição). A estrutura é: "É comum que se estudem na escola os elementos que configuram os diferentes sistemas e formas de governo" — o sujeito de estudar é os elementos, e o verbo concorda com ele. Não há erro de regência em configurar (transitivo direto). Portanto, a alternativa respeita plenamente a norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B apresenta erro de regência verbal: o verbo acarretar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto seria "acarretaram a preferência", e não "acarretaram na preferência". A frase "Na Europa, os ideais da Revolução Francesa acarretaram na preferência dos cidadãos pelo parlamentarismo" está incorreta porque o verbo acarretar pede objeto direto, sem a preposição em. A concordância está correta (os ideais acarretaram), mas a regência falha. Erro: regência verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C apresenta erro de concordância verbal: o verbo existir é intransitivo e tem sujeito próprio. Na frase "Existe, na história da América Latina, fatores importantes que embasam a opção das pessoas pelo presidencialismo", o sujeito é fatores importantes (plural), portanto o verbo deveria estar no plural: existem. O correto seria "Existem, na história da América Latina, fatores importantes...". A regência está correta (existir não pede complemento), mas a concordância falha. Erro: concordância verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D apresenta erro de concordância verbal com o pronome se como índice de indeterminação do sujeito. Na frase "Em muitas obras da ciência política, falam-se de questões que concernem aos sistemas de governo parlamentarista e presidencialista", o verbo falar está acompanhado do pronome se, que aqui é índice de indeterminação do sujeito (não há sujeito expresso). Nesse caso, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: fala-se. O correto seria "fala-se de questões". A regência está correta (falar de algo), mas a concordância falha. Erro: concordância verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E apresenta erro de regência verbal: o verbo tender exige a preposição a (tende a algo). Na frase "Segundo alguns estudiosos, os países europeus tendem naturalmente em adotar o parlamentarismo como sistema de governo", o correto seria "tendem naturalmente a adotar", e não "em adotar". A concordância está correta (os países tendem), mas a regência falha. Erro: regência verbal.

Conclusão: a única alternativa que respeita plenamente a norma-padrão de regência e concordância verbais é a letra A. As demais apresentam erros específicos: B e E erram na regência (acarretar e tender), C e D erram na concordância (existir e fala-se). Lembre-se: ao resolver questões de norma-padrão, analise cada verbo isoladamente — sujeito, regência e concordância — e desconfie de frases que "soam bem" mas escondem um desvio sutil.

Gabarito: letra A

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