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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu217814
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
Ana BDJ ( )

Por que no Brasil a maioria da população tem rejeitado o parlamentarismo? A resposta aponta para a índole do nosso povo. Aqui a semente presidencialista viceja em todos os espaços.

 

O sociólogo francês Maurice Duverger defende a tese de que o gosto latino-americano pelo sistema presidencialista tem a ver com o aparato monárquico na região. O Império Inca, com seus grandes caciques, e depois o poderio espanhol, com seus reis, vice-reis e corregedores, plasmaram a inclinação por regimes de caráter autocrático.

 

O presidencialismo por estas plagas agregaria, assim, uma boa dose de autocracia. Já o parlamentarismo que vicejou na Europa teria se inspirado na ideologia liberal da Revolução Francesa, cujo alvo era a derrubada do soberano. Isso explicaria a distância da Europa ante o modelo presidencialista.

 

Portanto, o presidencialismo está fincado no altar mais alto da cultura política. O poder que dele emana impregna a figura do mandatário. A imagem do Estado e a imagem do governante imbricam-se. Sob essa configuração, imaginar que o parlamentarismo tenha chance por aqui é apostar que a fada madrinha decidiu deixar o reino da fantasia para nos visitar. Temos de conviver mesmo com o fardão presidencialista.

 

(Gaudêncio Torquato, Jornal da USP, “Parlamentarismo, uma sombra no horizonte”. Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/gaudencio-torquato/ parlamentarismo-uma-sombra-no-horizonte/. Adaptado)

Considere a passagem a seguir:

 

Com meu pai, aprendi a não ter vaidade em relação             que parece honroso. A ser industrioso e pronto para ouvir os que              algo a contribuir para o bem comum. A estar sempre disposto a dar                 cada um                  que lhe cabe segundo o seu valor.

 

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)

 

As lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:

  1. Aaquilo ... têm ... a ... aquilo
  2. Bàquilo ... tem ... à ... àquilo
  3. Càquilo ... têm ... a ... aquilo
  4. Dàquilo ... têm ... a ... àquilo
  5. Eaquilo ... tem ... à ... aquilo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — àquilo ... têm ... a ... aquilo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase, concordância e pronome demonstrativo: a tríade que decide a questão

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que preenche as lacunas respeitando, ao mesmo tempo, a regência do verbo "aprendi" (que exige a preposição "a" antes de "aquilo"), a concordância verbal com o sujeito composto "os que" (plural: "têm"), a regência do verbo "dar" (que exige a preposição "a" antes de "cada um") e a ausência de crase antes do pronome indefinido "aquilo" na última lacuna. A passagem que ancora a resposta é o trecho do texto-base: "Com meu pai, aprendi a não ter vaidade em relação àquilo que parece honroso. A ser industrioso e pronto para ouvir os que têm algo a contribuir para o bem comum. A estar sempre disposto a dar a cada um aquilo que lhe cabe segundo o seu valor."

O comando: preenchimento de lacunas com correção gramatical

Esta questão não pede interpretação de texto, mas sim domínio de três tópicos gramaticais simultâneos: crase (uso do acento grave), concordância verbal (plural do verbo "ter") e emprego do pronome demonstrativo (aquilo/àquilo). O comando "As lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente" exige que você teste cada lacuna em sequência, verificando se a combinação proposta é gramaticalmente válida. A técnica é resolver lacuna por lacuna, eliminando alternativas que erram em qualquer uma delas.

O texto: a estrutura que revela as respostas

O texto de Marco Aurélio é uma lista de ensinamentos recebidos do pai. A primeira lacuna está após "em relação", que exige a preposição "a" (quem tem relação, tem relação a algo). Como o termo seguinte é o pronome demonstrativo "aquilo", ocorre a fusão da preposição com o pronome, gerando a forma "àquilo" (com crase). A segunda lacuna está no verbo "ter", cujo sujeito é "os que" (os que têm algo a contribuir) — sujeito plural, logo o verbo deve ir para o plural: "têm". A terceira lacuna está após "dar", que exige a preposição "a" (dar a alguém) — mas o termo seguinte é "cada um", um pronome indefinido que não admite crase, pois não há artigo definido feminino antes dele. A quarta lacuna está antes de "que lhe cabe", retomando "aquilo" como objeto direto de "dar" — sem preposição, logo sem crase.

A técnica: três regras que se combinam

1. Crase antes de pronome demonstrativo: a crase ocorre quando há fusão da preposição "a" com o pronome demonstrativo "aquele/aquilo/aquela". Antes de "aquilo", a crase é obrigatória se houver preposição exigida pela regência. Na primeira lacuna, "em relação a" exige a preposição, então "àquilo" está correto. Na quarta lacuna, "dar" exige preposição "a" apenas para o objeto indireto (dar a alguém), mas "aquilo" é o objeto direto (dar aquilo), sem preposição — logo, sem crase.

2. Concordância verbal com sujeito composto: o verbo "ter" concorda com o sujeito "os que" (os que têm algo). O pronome relativo "que" retoma "os", que é plural, então o verbo deve estar no plural: "têm". A forma "tem" (singular) estaria correta apenas se o sujeito fosse singular, o que não ocorre.

3. Crase antes de pronome indefinido: antes de pronomes indefinidos (cada, alguém, ninguém, tudo, etc.), não há crase, pois não há artigo definido feminino. A forma "a cada um" é apenas a preposição "a" exigida pela regência do verbo "dar".

Crase antes de pronome demonstrativo
  • 1Com preposição exigida
    • àquilo (com crase)
  • 2Sem preposição (objeto direto)
    • aquilo (sem crase)
  • 3Crase antes de pronome indefinido
    • a cada um (sem crase)
  • 4Concordância verbal
    • Sujeito plural "os que"
      • têm (plural)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A erra na primeira lacuna: "aquilo" sem crase. O verbo "aprendi" exige a preposição "a" (aprendi a não ter vaidade), e o termo "em relação" também exige preposição "a" (relação a algo). Como há fusão com o pronome "aquilo", a forma correta é "àquilo". Além disso, a alternativa A usa "tem" (singular) na segunda lacuna, mas o sujeito "os que" é plural, exigindo "têm". Erro: contradiz a regência e a concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B acerta as duas primeiras lacunas ("àquilo" e "têm"), mas erra na terceira lacuna: "à cada um". Antes do pronome indefinido "cada", não há crase, pois não há artigo definido feminino. A forma correta é apenas a preposição "a" (a cada um). Erro: crase indevida antes de pronome indefinido.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C preenche corretamente todas as lacunas: "àquilo" (preposição + pronome demonstrativo, com crase), "têm" (plural, concordando com "os que"), "a" (preposição exigida por "dar", sem crase antes de "cada") e "aquilo" (objeto direto, sem preposição, sem crase). A sequência é gramaticalmente perfeita e mantém o sentido original do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D erra na quarta lacuna: "àquilo" com crase. O verbo "dar" tem dois complementos: "a cada um" (objeto indireto, com preposição) e "aquilo" (objeto direto, sem preposição). Como "aquilo" é objeto direto, não há preposição para fundir com o pronome, logo a crase é proibida. Erro: crase indevida em objeto direto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra na primeira lacuna ("aquilo" sem crase, quando a regência exige "àquilo") e na segunda lacuna ("tem" singular, quando o sujeito é plural, exigindo "têm"). Além disso, erra na terceira lacuna ("à cada um", com crase indevida antes de pronome indefinido). Erro: múltiplos desvios de regência, concordância e crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "aquilo" e "àquilo", oferecendo combinações que parecem plausíveis. A chave é verificar se há preposição exigida pela regência antes de cada ocorrência. Onde houver preposição + pronome demonstrativo, há crase; onde não houver, não há.

PEGA ESSA DICA!

Resolva lacuna por lacuna, eliminando alternativas. Comece pela lacuna mais fácil (a concordância verbal: "têm" ou "tem") e depois teste a crase, perguntando: "há preposição exigida pela regência antes deste termo?".

Gabarito: letra C. A questão testa a combinação de três regras: crase antes de pronome demonstrativo (obrigatória com preposição, proibida sem ela), concordância verbal com sujeito plural e ausência de crase antes de pronome indefinido. A alternativa C é a única que respeita todas simultaneamente.

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