Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu217817
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
TIJ ( )
Marinês: rainha do Xaxado
A palavra “xaxado” vem do barulho que as sandálias dos dançarinos fazem ao serem arrastadas no chão durante a performance. Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino. Popularizou-se com o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga (1912–1989), o “Rei do Baião”, responsável por apresentar o forró e vários de seus subtipos a todo o Brasil. Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês (1934–2007) como a “Rainha do Xaxado”.
Nascida Inês Caetano de Oliveira, na cidade de São Vicente Férrer (PE), em novembro de 1934, Marinês mudou- se ainda criança para Campina Grande (PB), onde iniciou sua trajetória musical em concursos de calouros. Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira –, a menina teve uma infância dedicada a cuidar dos irmãos mais novos, e suas bonecas eram feitas de sabugos de milho seco. De acordo com o filho mais velho de Marinês, o maestro, multi-instrumentista, compositor e produtor Marcos Farias, o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro. “Ela ganhou uma caixa de sabonetes. Foi um luxo para a época e para a vida humilde que a família levava”, conta.
Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos, atuou em filmes musicais e apresentou seu próprio programa na TV Tupi. Além disso, foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e a ser considerada, pelo público e pela crítica, o “Luiz Gonzaga de saia”. “Ela aprendeu todo o repertório do Gonzagão, começou a usar chapéu de couro, a se vestir de Maria Bonita e a tocar triângulo. Formou a dupla Marinês e Abdias – O casal da alegria, ao lado do meu pai, músico e empresário dela, José Abdias de Farias (1932–1994)”, detalha Marcos Farias.
(Luna D’Alama. Revista E, junho de 2025. Adaptado)
A expressão destacada pode ser substituída pela que está entre colchetes, sem prejuízo da norma-padrão da língua, em:
A“... o primeiro programa de calouros de que [o qual] sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro...” (2º parágrafo)
B“Segunda filha de nove irmãos que [no quais] chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira...” (2º parágrafo)
C“‘... Foi um luxo para a época e para a vida humilde que [na qual] a família levava’, conta.” (2º parágrafo)
D“Foi Gonzagão, inclusive, quem [que] nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês...” (1º parágrafo)
E“Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual [aonde] Marinês gravou mais de 40 discos...” (3º parágrafo)
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GabaritoD — “Foi Gonzagão, inclusive, quem [que] nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês...” (1º parágrafo)
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Substituição de pronomes relativos: a regência decide
Gabarito: letra D. A única substituição que preserva a norma-padrão é trocar quem por que em "Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou...", pois ambos funcionam como sujeito da oração adjetiva, sem necessidade de preposição. Nas demais, a troca proposta exige uma preposição que o texto não autoriza — ou quebra a regência do verbo/nome.
A questão testa um ponto fino da gramática normativa: a equivalência entre pronomes relativos depende da função sintática que exercem na oração. Não basta os dois "parecerem" sinônimos; é preciso verificar se a regência do verbo ou do nome pede preposição. Vamos analisar cada caso com o texto diante dos olhos.
O comando
O enunciado pede a substituição sem prejuízo da norma-padrão. Isso significa que a troca deve manter: (1) a correção gramatical (regência, concordância, colocação) e (2) o sentido original. Não se trata de escolher a troca "mais bonita", mas a única que não viola a regência exigida pelo contexto.
A técnica que decide
Para cada alternativa, pergunte: qual é a função do pronome relativo na oração? Se ele exerce função de sujeito ou objeto direto, usa-se que (ou quem, quando sujeito). Se exerce função de complemento com preposição (objeto indireto, adjunto adverbial), o pronome deve vir precedido da preposição exigida pelo verbo ou pelo nome. Vejamos:
A) "o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou" — o verbo participar exige a preposição de (participar de algo). O pronome relativo que retoma "programa" e exerce função de objeto indireto, por isso deve vir precedido de de. A troca por o qual exigiria a forma do qual (de + o qual), pois "o qual" é masculino singular e deve concordar com "programa". A substituição por o qual sem a preposição quebra a regência.
B) "Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta" — o verbo chegar exige a preposição a (chegar a algum lugar). O pronome que retoma "irmãos" e exerce função de sujeito da oração adjetiva (os irmãos chegaram). A troca por no qual (em + o qual) introduziria uma preposição em que não é exigida pelo verbo, alterando o sentido e a regência.
C) "a vida humilde que a família levava" — o verbo levar é transitivo direto, não exige preposição. O pronome que retoma "vida" e exerce função de objeto direto (a família levava a vida). A troca por na qual (em + a qual) introduziria uma preposição em que não é exigida pelo verbo, tornando a frase incorreta.
D) "Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora..." — o verbo nomear é transitivo direto, não exige preposição. O pronome quem retoma "Gonzagão" e exerce função de sujeito da oração adjetiva (Gonzagão nomeou). A troca por que é perfeita, pois que também pode exercer função de sujeito, sem necessidade de preposição. É a única substituição que mantém a norma-padrão.
E) "uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos" — o verbo gravar é transitivo direto, não exige preposição. O pronome na qual (em + a qual) retoma "carreira" e exerce função de adjunto adverbial de lugar (na carreira, Marinês gravou). A troca por aonde é inadequada, pois aonde é usado apenas com verbos que indicam movimento e exigem a preposição a (ir aonde). O verbo gravar não indica movimento, então aonde não se aplica.
Análise das alternativas
Substituição de pronome relativo
1Regra: função sintática decide
Sujeito/objeto direto → que/quem (sem preposição)
Complemento com preposição → preposição + qual
2Casos
Participar (de) → de que / do qual
Chegar (a) → a que / ao qual
Levar (VTD) → que (sem preposição)
Nomear (VTD) → quem / que
Gravar (VTD) → em que / na qual
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A troca de de que por o qual é inválida. O verbo participar exige a preposição de (participar de algo). O pronome relativo que retoma "programa" e exerce função de objeto indireto, por isso deve vir precedido de de. A forma correta seria do qual (de + o qual), não o qual. A substituição quebra a regência verbal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A troca de que por no qual é inválida. O verbo chegar exige a preposição a (chegar a algum lugar), não em. O pronome que retoma "irmãos" e exerce função de sujeito da oração adjetiva (os irmãos chegaram). A forma no qual (em + o qual) introduziria uma preposição em que não é exigida pelo verbo, alterando o sentido e a regência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A troca de que por na qual é inválida. O verbo levar é transitivo direto, não exige preposição. O pronome que retoma "vida" e exerce função de objeto direto (a família levava a vida). A forma na qual (em + a qual) introduziria uma preposição em que não é exigida pelo verbo, tornando a frase incorreta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A troca de quem por que é válida. O verbo nomear é transitivo direto, não exige preposição. O pronome quem retoma "Gonzagão" e exerce função de sujeito da oração adjetiva (Gonzagão nomeou). O pronome que também pode exercer função de sujeito, sem necessidade de preposição. A substituição mantém a norma-padrão e o sentido original.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A troca de na qual por aonde é inválida. O verbo gravar é transitivo direto, não exige preposição. O pronome na qual (em + a qual) retoma "carreira" e exerce função de adjunto adverbial de lugar (na carreira, Marinês gravou). O advérbio aonde é usado apenas com verbos que indicam movimento e exigem a preposição a (ir aonde). O verbo gravar não indica movimento, então aonde não se aplica.
Conclusão
A questão exige atenção à regência verbal e nominal ao substituir pronomes relativos. A única substituição que preserva a norma-padrão é a da alternativa D, pois quem e que exercem a mesma função sintática (sujeito) sem necessidade de preposição. Nas demais, a troca introduz uma preposição indevida ou usa um pronome inadequado ao contexto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pronomes relativos que parecem equivalentes, mas exigem preposição conforme a regência do verbo ou do nome. A pegadinha está em oferecer trocas que parecem corretas, mas quebram a regência.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir pronomes relativos, verifique sempre a função sintática que exercem na oração e a regência do verbo ou nome. Se o verbo exige preposição, o pronome deve vir precedido dela.