Itapuã é um lugar da Bahia, feito de coqueiros, areia, moça morena e saudade. Dali, saem os pescadores de curimã, afoitos guerreiros do mar, heróis e mártires dos temporais. Ali, celebra-se uma das mais belas festas. Iemanjá, senhora de todos os praieiros e de todos os marítimos.
A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões. Nos tempos eleitorais, os políticos vão para lá, instalam postos de saúde, iluminação, retrato, fazem discursos e sacam contra o futuro, contando histórias de dinheiro, saúde e felicidade. Eleitos, saem de mansinho, e os ingênuos praieiros que conquistem, na incerta generosidade do mar, comida, remédio e dignidade.
Fartos da música, dos discursos e das palavras sem verdade, os pescadores se apegam a todas as lendas e crendices do mar, o caminho mais fácil que eles encontram até Deus. É por isso que, nas praias da Bahia, vivem as rezas, os cultos, as celebrações mais ricas e numerosas do folclore praieiro.
Em “marcada de doenças” (2º parágrafo), a preposição “de” expressa a ideia de
Aposse.
Bcausa.
Cmodo.
Dinstrumento.
Ematéria.
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GabaritoB — causa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor semântico da preposição "de" em "marcada de doenças"
Gabarito: letra B. Em "marcada de doenças", a preposição "de" expressa causa: a população é marcada por causa das doenças. A prova está no próprio texto, que enumera as mazelas como origem da marca: "gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões". A preposição "de" aqui tem valor nocional (não é exigida por regência), e o sentido é de causa, pois as doenças são o motivo que produz a marca.
O comando
A questão pede o valor semântico da preposição "de" no contexto específico. Não se trata de regência (a preposição não é exigida por nenhum termo anterior), mas de preposição nocional, que acrescenta uma circunstância. O comando "expressa a ideia de" indica que devemos identificar o sentido que a preposição carrega naquela construção, e não sua função sintática.
O texto
O trecho relevante está no 2º parágrafo:
"A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões."
Aqui, "marcada" é um particípio com valor de adjetivo, e "de doenças" funciona como adjunto adverbial de causa (ou complemento nominal, dependendo da análise). A ideia é que as doenças causam a marca, assim como a subnutrição e as desilusões. Se substituirmos "de" por "por causa de", o sentido se mantém: "marcada por causa de doenças". Isso confirma o valor de causa.
A técnica
Para identificar o valor semântico de uma preposição, o método é substituir a preposição por uma locução prepositiva de sentido equivalente. Se a troca preserva o sentido, o valor está correto. No caso:
"marcada de doenças" → "marcada por causa de doenças" (causa) ✅
"marcada com doenças" (instrumento) ❌ — não faz sentido
"marcada em doenças" (modo) ❌ — não faz sentido
"marcada para doenças" (finalidade) ❌ — não faz sentido
A banca adora cobrar preposições com valor nocional, e a pegadinha clássica é confundir causa com instrumento ou modo. Aqui, a causa é clara: as doenças são o motivo da marca.
Preposição "de" (valor nocional): Causa (gabarito) (Responde a "por quê?", Substitui por "por causa de"); Posse ("o carro de João"); Modo ("de repente"); Instrumento ("ferido de faca"); Matéria ("anel de ouro")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Posse indicaria que as doenças pertencem à população, como em "as doenças da população". No texto, "marcada de doenças" não expressa posse, mas a origem da marca. A preposição "de" pode indicar posse em outros contextos ("o carro de João"), mas aqui o sentido é de causa. A alternativa extrapola um valor possível da preposição sem ancoragem no contexto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A preposição "de" expressa causa. O texto diz que a população é "marcada de doenças, subnutrição e desilusões", ou seja, essas mazelas são o motivo que produz a marca. A substituição por "por causa de" confirma: "marcada por causa de doenças". A causa é o valor semântico que a preposição carrega neste contexto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Modo indicaria a maneira como a marca se manifesta, como em "marcada de forma triste". No texto, "de doenças" não responde a "como?", mas a "por quê?". A preposição "de" pode indicar modo em outros contextos ("de repente", "de mansinho"), mas aqui o sentido é de causa. A alternativa troca o conceito de causa por modo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Instrumento indicaria o meio pelo qual a marca é feita, como em "marcada com um ferro". No texto, as doenças não são um instrumento, mas a causa da marca. A preposição "de" pode indicar instrumento em outros contextos ("ferido de faca"), mas aqui o sentido é de causa. A alternativa extrapola um valor possível sem base no contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Matéria indicaria a substância de que algo é feito, como em "casa de madeira". No texto, "marcada de doenças" não indica a matéria da marca, mas a causa. A preposição "de" pode indicar matéria em outros contextos ("anel de ouro"), mas aqui o sentido é de causa. A alternativa troca o conceito de causa por matéria.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os valores nocionais da preposição "de". A chave é substituir por "por causa de" e verificar se o sentido se mantém. Se sim, é causa.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor de uma preposição, pergunte: "qual pergunta ela responde?" Causa responde a "por quê?"; modo a "como?"; instrumento a "com quê?"; matéria a "de que é feito?". No trecho, "marcada de doenças" responde a "por quê?" — causa.