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Questão de Português — Crase — VUNESP 2025

PortuguêsCrase
Código
vu217822
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
TIJ ( )

A praça do poeta (1989)

 

Itapuã é um lugar da Bahia, feito de coqueiros, areia, moça morena e saudade. Dali, saem os pescadores de curimã, afoitos guerreiros do mar, heróis e mártires dos temporais. Ali, celebra-se uma das mais belas festas. Iemanjá, senhora de todos os praieiros e de todos os marítimos.

 

A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões. Nos tempos eleitorais, os políticos vão para lá, instalam postos de saúde, iluminação, retrato, fazem discursos e sacam contra o futuro, contando histórias de dinheiro, saúde e felicidade. Eleitos, saem de mansinho, e os ingênuos praieiros que conquistem, na incerta generosidade do mar, comida, remédio e dignidade.

 

Fartos da música, dos discursos e das palavras sem verdade, os pescadores se apegam a todas as lendas e crendices do mar, o caminho mais fácil que eles encontram até Deus. É por isso que, nas praias da Bahia, vivem as rezas, os cultos, as celebrações mais ricas e numerosas do folclore praieiro.

 

(Antônio Maria. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/ cronicas/13375/a-praca-do-poeta. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho do texto foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
  1. ANos tempos eleitorais, os políticos vão à Itapuã...
  2. B... gente sisuda e triste – entregue à doenças, subnutrição e desilusões.
  3. C... os pescadores se apegam à qualquer lenda e crendice do mar...
  4. D... quebra-se, de repente, quando estes são comparados à miséria de sua população...
  5. EÉ por isso que, nas praias da Bahia, observam-se às rezas...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ... quebra-se, de repente, quando estes são comparados à miséria de sua população...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que o acento grave é corretamente empregado, pois há a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "comparar") com o artigo feminino "a" que antecede o substantivo "miséria". Como se lê no texto: "A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça". A reescrita "quando estes são comparados à miséria" mantém a regência de "comparar" (quem compara, compara algo a alguma coisa) e a presença do artigo definido feminino, o que torna a crase obrigatória.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase. Isso significa que a tarefa é de reescritura com correção gramatical: não basta que a frase faça sentido; é preciso que o uso do acento grave obedeça à regra da crase — a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos. Cada alternativa apresenta uma reescrita de um trecho do texto, e devemos verificar se a crase foi bem empregada ou se há erro (crase indevida ou ausência de crase obrigatória).

A técnica que decide: o teste da troca

A crase ocorre quando há a contração da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de "aquele/aquela/aquilo" e de "a qual/as quais"). O método mais seguro para verificar se a crase é obrigatória é o teste da troca: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se, na troca, aparecer "ao" (preposição "a" + artigo "o"), então há crase; se aparecer apenas "o" ou "a" sem preposição, não há. Por exemplo:

  • "Vou à escola" → "Vou ao colégio" (aparece "ao", logo há crase).

  • "Refiro-me à lei" → "Refiro-me ao código" (aparece "ao", logo há crase).

  • "Entreguei a encomenda a você" → "Entreguei a encomenda a você" (não há artigo, logo não há crase).

Aplicando esse teste a cada alternativa, identificamos qual delas está correta.

Análise das alternativas

Crase (fusão a + a)
  • 1Teste da troca
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece só "o"/"a" → não há
  • 2Casos de crase obrigatória
    • Verbo exige "a" + artigo feminino
      • Ex.: comparado à miséria
  • 3Casos de crase indevida
    • Antes de pronome indefinido
      • Ex.: a qualquer lenda
    • Antes de topônimo sem artigo
      • Ex.: a Itapuã
    • Antes de objeto direto
      • Ex.: observam-se as rezas
  • 4Caso de omissão do artigo
    • Ex.: entregue às doenças
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita "os políticos vão à Itapuã" está incorreta porque o topônimo "Itapuã" não admite artigo feminino quando usado sem especificador. O texto original diz: "os políticos vão para lá", e a regra para nomes de lugar é: se o nome não admite artigo (como "Itapuã", que é um bairro), não há crase. O correto seria "vão a Itapuã", sem acento grave. A alternativa extrapola a regra, aplicando crase onde não há fusão de preposição com artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita "entregue à doenças, subnutrição e desilusões" está incorreta porque o artigo "as" (plural) não foi usado antes de "doenças". A crase exige a fusão da preposição "a" com o artigo "as", resultando em "às". O correto seria "entregue às doenças, à subnutrição e às desilusões". A alternativa erra por omissão do artigo, mantendo apenas a preposição "a" sem a devida contração.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescrita "os pescadores se apegam à qualquer lenda e crendice do mar" está incorreta porque, antes do pronome indefinido "qualquer", não se usa artigo definido. Sem artigo, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "se apegam a qualquer lenda". A alternativa erra por crase indevida diante de palavra que repele artigo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita "quando estes são comparados à miséria de sua população" está correta porque o verbo "comparar" exige a preposição "a" (quem compara, compara algo a alguma coisa) e o substantivo "miséria" admite o artigo feminino "a". Há, portanto, a fusão "a + a = à". O texto original diz: "A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça". A reescrita mantém a regência e a presença do artigo, tornando a crase obrigatória.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita "observam-se às rezas" está incorreta porque o verbo "observar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto seria "observam-se as rezas", sem crase. A alternativa erra por crase indevida diante de objeto direto, que não admite preposição.

Conclusão

A única alternativa em que a crase é corretamente empregada é a letra D, pois há a fusão da preposição "a" (exigida por "comparar") com o artigo feminino "a" (que antecede "miséria"). As demais alternativas erram por crase indevida (A, C, E) ou por omissão do artigo (B).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória e facultativa, oferecendo reescritas que parecem corretas, mas erram por aplicar crase diante de palavras que repelem artigo (como "qualquer") ou por omitir o artigo em casos de crase obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Aplique o teste da troca por palavra masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" ou "a", não há. Isso resolve a maioria das questões de crase.

Gabarito: letra D

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