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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217823
Banca
VUNESP
Órgão
CM Praia Grande (SP)
Ano
2025
Cargo
Ag (CM Praia Gde)

Brasil precisa abraçar a velhice

 

O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho. Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não começar a se ajustar agora à nova configuração etária que se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%, quase o dobro do percentual atual.

 

Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte à atual população idosa conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas 2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.

 

Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas 390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.

 

Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre as demandas de agora.

 

Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e, sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável.

 

(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     As informações do texto permitem concluir que
  1. Ao Brasil consegue administrar satisfatoriamente o cuidado com a velhice, ainda que sua diversidade e sua proporção continental possam dificultar as ações.
  2. Bos idosos brasileiros vivem expostos à violência e à carência de serviços, havendo uma preocupação com o cenário que poderá surgir em um futuro próximo.
  3. Ca atenção à pessoa idosa no Brasil atende às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), já que o país conta hoje com 48.650 profissionais da área.
  4. Dos idosos brasileiros têm enfrentado a questão da violência doméstica, porém acredita-se que o número de casos de agressão física ou psicológica esteja diminuindo.
  5. Ea principal demanda dos idosos brasileiros está relacionada a questões financeiras, das quais decorrem as brigas com os filhos e a impossibilidade de manter autocuidados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — os idosos brasileiros vivem expostos à violência e à carência de serviços, havendo uma preocupação com o cenário que poderá surgir em um futuro próximo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: a velhice no Brasil e a conclusão autorizada

Gabarito: letra B. O texto sustenta que os idosos brasileiros vivem expostos à violência e à carência de serviços, e que há uma preocupação com o cenário futuro — exatamente o que a alternativa B afirma. A passagem que ancora essa conclusão está no 3º parágrafo: "Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas", e no 2º parágrafo: "a falta de profissionais especializados é gritante". A alternativa B é a única que sintetiza, sem extrapolar, o diagnóstico do editorial.

O comando pede uma conclusão — ou seja, uma inferência que o texto autoriza, não uma informação literalmente copiada. A banca quer que você identifique a síntese do que o autor afirma sobre a situação dos idosos no Brasil. Isso muda a resolução: você não procura a frase idêntica, mas a paráfrase que condensa o que está dito ao longo do texto, sem acrescentar nada de fora.

O texto é um editorial (gênero dissertativo-argumentativo) com tese clara: o Brasil não está preparado para o envelhecimento da população e precisa "abraçar a velhice" com planejamento e ação. Os argumentos são: (1) a falta de geriatras (2º parágrafo), (2) a violência contra idosos (3º parágrafo), (3) a inadequação das estruturas de segurança e suporte (4º parágrafo) e (4) a necessidade de adaptar previdência, mercado de trabalho e cidades (5º parágrafo). A conclusão correta precisa abarcar esses problemas e a preocupação com o futuro, sem inventar soluções ou minimizar o problema.

A técnica central aqui é testar cada alternativa contra o texto: a correta é a que sintetiza o que está dito, sem acrescentar, restringir ou contradizer. As erradas cometem erros clássicos: extrapolam (A, C, E), contradizem (A, C) ou invertem a informação (D). Vamos ver cada uma.

Conclusão autorizada pelo texto
  • 1Diagnóstico
    • Violência contra idosos
    • Carência de serviços
    • Preocupação com o futuro
  • 2Erros das demais
    • Extrapola (A, E)
    • Contradiz (C, D)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o Brasil "consegue administrar satisfatoriamente" o cuidado com a velhice. Isso contradiz o texto, que diz o oposto: o país "corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem" (1º parágrafo) e "tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma forma mais justa e sustentável" (5º parágrafo). A menção à diversidade continental é verdadeira, mas o texto a usa para mostrar dificuldades (idosos em favelas sem acesso a serviços), não para relativizar o problema. Erro: contradiz o texto e extrapola ao sugerir que a administração é satisfatória.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela afirma que os idosos vivem expostos à violência — o 3º parágrafo diz: "Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos, em todas as suas formas" — e à carência de serviços — o 2º parágrafo: "a falta de profissionais especializados é gritante". Além disso, há preocupação com o cenário futuro: o 1º parágrafo alerta que "o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem" e que em 2046 os idosos serão 28% da população. A alternativa condensa esses três pontos sem acrescentar nada de fora. É a síntese correta do diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a atenção ao idoso "atende às orientações da OMS" porque o país conta com 48.650 profissionais. Isso contradiz o texto: o número de 48.650 é de pediatras, não de geriatras. O texto diz: "hoje são apenas 2.670 profissionais [geriatras], contra 48.650 pediatras". Além disso, o texto afirma que seriam necessários mais 29 mil geriatras para atender às recomendações da OMS — ou seja, o país não atende. Erro: troca o referente (pediatras por geriatras) e contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o número de casos de violência "esteja diminuindo". O texto não diz isso; pelo contrário, sugere que o número real é maior do que o registrado: "Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior". A alternativa inverte a direção da informação. Erro: contradiz o texto (inverte a tendência).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a principal demanda dos idosos é financeira e que dela decorrem brigas com os filhos e impossibilidade de autocuidado. O texto não afirma isso. Ele menciona violência financeira como um dos tipos de violência (4º parágrafo: "abusos físicos e financeiros"), mas não a coloca como principal demanda, nem estabelece relação de causa e consequência com brigas familiares ou autocuidado. Erro: extrapola ao eleger uma causa principal que o texto não aponta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros — os números de profissionais (C), a violência (D) e a diversidade (A) são reais, mas a alternativa os distorce ao acrescentar conclusões que o texto não autoriza. A correta (B) é a que sintetiza sem inventar.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "concluir", grife as palavras absolutas ("satisfatoriamente", "atende", "diminuindo", "principal") — elas quase sempre denunciam a extrapolação ou a contradição. A resposta certa costuma ser a mais moderada e abrangente.

Conclusão: a alternativa B é a única que condensa o diagnóstico do texto — violência, carência de serviços e preocupação com o futuro — sem acrescentar, restringir ou contradizer. As demais ou extrapolam (A, E), ou contradizem (C, D). Gabarito: letra B.

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